Christian Hartmann/Reuters
Christian Hartmann/Reuters

Região metropolitana de Paris é celeiro de craques da França campeã mundial

Oito dos 23 jogadores que formaram o grupo bicampeão do mundo são da capital

AFP

20 de julho de 2018 | 13h42

Kylian Mbappé em Bondy, Paul Pogba em Roissy-en-Brie ou N'Golo Kanté em Suresnes. A região metropolitana de Paris é o principal celeiro de talento da atual seleção francesa de futebol, que no domingo conquistou a Copa do Mundo pela segunda vez.

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A Ilha de França, uma das 18 regiões administrativas do país, também revelou Blaise Matuidi (Fontenay-sous-Bois), Presnel Kimpembe (Eragny) e Steven N'Zonzi (Racing Club de France). Oito dos 23 jogadores que formaram o grupo bicampeão do mundo são da região.

O fato se tornou um amuleto. Toda vez que um jogador que passou pelo clube US Palaiseau é convocado, o país disputou a final da Copa do Mundo. Thierry Henry abriu o espaço, em 1998, o zagueiro Jean-Alain Boumsoung, em 2006 e até o momento Benjamin Mendy, no último domingo.

Ilha da França conta com 12 milhões de habitantes, 19% da população francesa. São 260.840 licenças de um total de 2,2 aletas inscritos na Federação Francesa de Futebol (FFF).

Para Sambou Tati, presidente do clube de Roissy-en-Brie que viu Paul Pogba crescer, o famoso 'City stade' - quadra de cimento presente na maioria de bairros da região - serviu de laboratório para o desenvolvimento de adolescentes talentosos.

"Este pequeno campo pode receber jogos de no máximo cinco contra cinco... Normalmente se fazem times e o que ganha fica, por isso jogam com orgulho. Ninguém quer sair porque para voltar a jogar é preciso esperar uma hora", explica Mohamed Coulibaly, diretor esportivo da AAS Sarcelles.

"Além disso, existem diferenças de idade de três a cinco anos. Alguém pequeno, quando joga contra um mais velho e potente, precisa provar sua imaginação. Isto desenvolve os jogadores que têm um julgamento acima da média, um sentido de adaptação e o olho de tigre", acrescenta.

"A cada ano jogamos um torneio em Saint-Raphaël, na Costa Azul, e quado jogamos contra os times do sul vemos que eles estão muito concentrados na técnica, no jogo. Nós também, mas temos mais sentido de combate nos duelos", indica Sambou Tati.

Por que tanta determinação? Em alguns departamentos da Ilha da França, mais danificados do que a média, como Seine-Saint-Denis e sua taxa de 19% de desemprego, o futebol é entendido como "um dos únicos meios de subir na escala social", segundo Mohamed Coulibaly.

Atraídos pelo talento que cresce nas ruas, olheiros do mais importantes clubes franceses e europeus converteram a região parisiense em um das mais observadas. "Existem olhos por todos os lados", confirma o dirigente do AAS Sarcelles, que levou aproximadamente 60 jovens para o futebol profissional. "Atualmente, os centros de formação contratam jogadores de grande qualidade. Depois os lapidam, mas o trabalho realizado pelas crianças entre sete e 15 anos que vem de nós não é ruim", acrescenta.

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