Régis espera, enfim, desencantar

O saldo de Régis Pitbull no Corinthians é o pior possível. O atacante, que chegou ao Parque São Jorge se dizendo torcedor do time, até que tem justificado sua paixão pelo clube. Seu esforço em campo é digno de um corintiano de verdade: corre o tempo todo, briga como verdadeiro gavião. Mas, na prática, todo esse esforço ainda não valeu muita coisa: Régis ainda não desencantou. Em seis jogos, não balançou a rede do adversário nenhuma vez. Essa situação dramática do atacante-torcedor já começa a incomodar. Na terça e segunda-feira, eleito pelos jornalistas entre os quatro jogadores que deveriam falar com a imprensa, ele simplesmente não apareceu nem justificou a ausência. No dia seguinte, votado outra vez, a história se repetiu: Régis não se apresentou, criando um problema para a assessoria de imprensa do clube. Só hoje, votado mais uma vez pelos jornalistas, Régis aceitou falar. Como o próprio torcedor comum das arquibancadas, ele também se sente incomodado com o jejum de gols. Mas não é só isso. O atacante se julga meio perseguido. "Estão me cobrando desde o segundo jogo. Só sei que estou trabalhando para ajudar o Corinthians. Quanto ao gol, ele vai sair a qualquer momento. Ficar ansioso não vai me ajudar em nada". Ao chegar ao Parque São Jorge, na semana passada, Oswaldo de Oliveira logo percebeu que Régis Pitbull precisaria de uma atenção a mais. Aliás, o treinador foi mais: cuidou do ataque inteiro, que só conseguiu marcar quatro gols até agora. Por tudo isso, resolveu dar um voto de confiança aos atacantes, especialmente a Régis. "Quando alguém está se adaptando a um novo ambiente de trabalho é normal que haja uma perda de qualidade. Mas o Régis é um grande jogador e ainda vai dar muitas alegrias à torcida do Corinthians".Nesse período instável no clube, Régis também já arranjou encrencas. No jogo com a Barbarense, desententeu-se com Rincón. Na saída de campo, não aceitou a substituição feita pelo ex-técnico Juninho Fonseca e não respondeu ao cumprimento do treinador. No dia seguinte, fez as pazes com Rincón e com Juninho. No coletivo de terça-feira, porém, reabilitou-se, apartando uma discussão entre Rincón e Wílson. "Isso tudo faz parte, é coisa de treino. O que não pode é levar a coisa adiante". Apesar dos números sombrios, Régis está um pouco mais animado com a chance de desencantar, amanhã, contra o Juventus. Mesmo sabendo que não vai jogar pela esquerda, onde fez sucesso jogando pela Ponte Preta, pelo menos o seu desempenho nos treinamentos já melhorou com a chegada de Oswaldo de Oliveira. Resta apenas confirmar tudo isso na prática.

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