Régis Pitbull, corintiano de verdade

Apresentação de jogador de futebol é, em resumo, um desfile de chavões e hipocrisias. Declarações de amor ao novo clube, promessa de garra para fazer média com a torcida e muitos gestos e bocas para os fotógrafos, principalmente o desgastado, porém sempre presente, beijo no distintivo. Isso quando algum fotógrafo menos afortunado em sua posição não pede para que o atleta repita tal ato. E tudo isso aconteceu na quarta-feira, no Parque São Jorge. Um personagem, no entanto, chamou a atenção: Régis Pitbull.O atacante passou pelo mesmo ritual ao qual foram submetidos o goleiro Fábio Costa e o também atacante Marcelo Ramos. Tirou fotos, declamou o discurso habitual, deu autógrafos e beijou o distintivo. Tudo igual, com exceção de um detalhe: Régis foi 100% sincero. "Eu sou corintiano mesmo. É claro que sempre vou defender com profissionalismo e determinação toda camisa que vestir. Mas a do Corinthians é diferente. Não é só respeito, é amor!", garantiu. Talvez a história que melhor ilustre a adoração do atacante por seu novo clube aconteceu em janeiro de 2000. Régis já era jogador da Ponte Preta, mas não escondeu de ninguém em Campinas o que iria fazer no dia 14. "Eu e um amigo pegamos meu carro e fomos para o Rio, no meio da Gaviões, para assistir à final do Mundial de Clubes", lembrou, com orgulho. "Era o título mais importante para nós e eu tinha de estar lá." Ainda duvida? Então vá falar com o "seu" Lupércio. O pai de Régis comandou a caravana de nove familiares (mãe, irmão, mulher, irmãs, sobrinho) para o Rio, era quase uma torcida organizada particular. E com direito até a camisa personalizada. "A família toda é corintiana, lá de Pirituba, onde o Régis nasceu. Olha bem, estão todos arrepiados. E não é modo de falar, não", revelou.Volta por cima - Defender o clube do coração é apenas parte da representatividade que essa temporada terá para o atacante. Em 2000, quando era jogador do Bahia, Régis ficou suspenso por seis meses. Fora flagrado no exame antidoping, que detectou maconha. Esteve também na Ponte Preta, onde foi artilheiro, mas não conseguiu se firmar no Marília, Kyoto Sunga (Japão), Gaziantepspor (Turquia) e Vasco. "Aprendi muito com aquele episódio. Mas isso faz parte do passado. Agora estou realizando um sonho e nada vai me atrapalhar", afirmou, confiante.E o primeiro desafio (para muitos, o maior deles) de todo atleta que chega ao Corinthians parece já ter sido vencido: conquistar a torcida. A identificação foi imediata. A camisa que ganhou de uma das organizadas que desorganizaram a festa de apresentação já foi guardada junto a tantas outras na casa do atacante. Até a do Dínamo de Alagoas, clube que o lançou como profissional, está entre elas. Faltou só um detalhe na história, mas que já está sendo providenciado. E a ordem vem do "seu" Lupércio. "A partir de agora não é mais Régis Pitbull. Virou Régis Gavião", que nos momentos mais formais atende por Régis Fernandes Silva.

Agencia Estado,

09 de janeiro de 2004 | 09h18

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