'Rei do Pacaembu', David Braz credita gols a Enderson

'Rei do Pacaembu', David Braz credita gols a Enderson

Zagueiro marcou cinco gols nos últimos cinco jogos no estádio que, neste domingo, recebe o clássico entre Palmeiras e Santos às 16h

Mateus de Souza, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2014 | 15h00

Neste domingo, o Pacaembu deve ter um encontro de seus artilheiros na “era pós-Corinthians” (o clube alvinegro não joga no estádio desde 27 de abril). Engana-se quem pensa, porém, que serão dois camisas 9. Estarão em campo o zagueiro David Braz, do Santos, com cinco gols, e o atacante Henrique, do Palmeiras, com seis. A diferença é que, enquanto o palmeirense precisou de treze jogos para atingir a marca, o santista levou apenas cinco e tem uma média de um gol por partida. 

Os números do zagueiro-artilheiro impressionam até mesmo quando comparado ao maior craque do Peixe, Robinho. Nos doze jogos da equipe da Vila Belmiro sob o comando de Enderson Moreira, o “Rei das Pedaladas” anotou a mesma quantia de gols de David Braz. Antes do novo técnico, ele tinha feito apenas um até então, na vitória sobre o Grêmio por 2 a 0 em Porto Alegre. O jogo ficou marcado pelos gritos racistas contra o goleiro Aranha, que culminou com a eliminação da equipe gaúcha da competição. 

O defensor de 27 anos, que retornou de empréstimo junto ao Vitória no fim da temporada passada, vive pela primeira vez na carreira uma fase artilheira. “Quando eu fiz meu gol contra o Grêmio, até brinquei com meus companheiros que tinha feito a cota do ano. Estou muito feliz com isso, espero que continue”, diz. Para o beque, o segredo está nos treinamentos. “Temos aprimorado as bolas altas na área desde a chegada do Enderson. Tem a batida do Lucas Lima, que é muito boa. Não é nada armado, ‘ah, hoje vou fazer gol’. Mas tem dado resultado”, afirma.

E tanto é verdade que as seis bolas na rede de David Braz tiveram origem dos pés de Lucas Lima. No triunfo de 3 a 1 sobre o Vitória, os dois gols do zagueiro pareciam replay. O meia levantou a pelota na área em cobrança de escanteio, Edu Dracena ajeitou de cabeça e David Braz cabeceou para o fundo da rede. Foi a primeira vez na carreira em que anotou duas vezes na mesma partida. Os outros gols, contra o Grêmio, Goiás e Botafogo (2) também tiveram a ajuda fundamental do meia santista. Todos eles oriundos de escanteio, exceto o segundo na goleada sobre o Botafogo, na última quinta-feira, por 5 a 0, pela Copa do Brasil, que saiu após uma cobrança de falta. 

David Braz sempre teve uma relação muito especial com alguns de seus gols passados. Na primeira partida como titular pelo Palmeiras, time em que foi revelado nas categorias de base, deixou sua marca. Outro tento que relembra com carinho foi o que ajudou a garantir o título do Campeonato Brasileiro de 2009 para o Flamengo. O rubro-negro perdia por 1 a 0 para o Grêmio, na última rodada, até que o zagueiro aproveitou confusão no meio da área e empatou o jogo. A partida terminaria 2 a 1 para os cariocas, que se sagariam campeões nacionais após um jejum de 17 anos. “Aquele gol marcou minha vida, a torcida relembra com muito carinho até hoje, foi ali que fiquei conhecido”, relembra. 

Assim como David Braz, outros zagueiros também têm tido ótimo aproveitamento lá na frente. É o caso de Antônio Carlos, do São Paulo e Réver e Leonardo Silva, do Atlético-MG. “Admiro muito o senso de posicionamento deles nas bolas jogadas na área, e tento me espelhar um pouco. Bola parada decide jogo, então é algo que tem que ser melhorado a todo instante”, diz o santista, que deve causar temor não apenas aos atacantes palmeirenses, mas também aos zagueiros.

Apesar da boa fase, do time e do zagueiro, David Braz está sentindo falta de um apoio ainda maior da torcida. Na goleada sobre o Botafogo, apenas 15 mil santistas estavam no Pacaembu. “Eles têm nos apoiado, mas ainda falta o estádio cheio. Por isso convoco o santista para os próximos 14 jogos da temporada”, pede. 

TRÊS PERGUNTAS PARA DAVID BRAZ

Você acabou de virar papai. Em uma das comemorações até simulou um parto. De onde surgiu a ideia? Qual a importância dele para seus gols?

Pois é, eu tive a chance de ver um parto, achei que não conseguiria encarar o sangue e toda a situação, mas consegui e é uma cena que ficará gravada na minha memória para sempre, por isso pensei na homenagem. Acho que ele é responsável por grande parcela do que estou vivendo hoje no Santos. 

Qual o zagueiro que você mais admira? 

É muito complicado apontar um. Atualmente o Thiago Silva é um exemplo de liderança, de técnica, é minha inspiração. Um que admiro muito e que acho que não teve o reconhecimento que merecia é Ronaldo Angelim, que foi campeão comigo no Flamengo em 2009. Tinha um jogo aéreo muito bom. Outro que aprendi bastante foi o Gamarra, quando joguei com ele no Palmeiras. Ele contava as experiências dele na Copa, no Corinthians, foi muito importante.

Gols, boas atuações, semifinal da Copa do Brasil. Já pensa em seleção?

É um sonho de todo jogador, e o meu, claro. Mas a concorrência está muito grande. Tem o Miranda, que já deveria ter ido para a Copa por tudo aquilo que fez no Atlético de Madri. O Marquinhos, do PSG, é outro ótimo zagueiro. Ele tem tudo para ser o Cannavaro do Brasil no próximo Mundial. Mas se eu tiver uma oportunidade, será o maior prazer.  

ASSISTA AOS GOLS DE DAVID BRAZ

Grêmio 0 x 2 Santos - Copa do Brasil (28/08)

Santos 3 x 1 Vitória - Campeonato Brasileiro (06/09)

Santos 2 x 0 Goiás - Campeonato Brasileiro (06/09)

 

 

 

 


 

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