Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Relatório da CPI encurrala Teixeira

O presidente licenciado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, foi o principal alvo do relatório final da CPI do Futebol, divulgado nesta terça-feira no Senado. O dirigente é acusado pelo sumiço de R$ 1,3 milhão do total de aplicações feitas pela entidade no Banco Vega, entre 1996 e 1997. Além disso, a comissão considerou irregular o salário mensal de R$ 35 mil recebido por Teixeira, já que, por se tratar de entidade sem fins lucrativos, a CBF não pode remunerar seus dirigentes. Marco Antônio Teixeira, tio de Ricardo e diretor da CBF, recebe um pouco mais, R$ 37 mil. A CPI pedirá o indiciamento do presidente da entidade pelas irregularidades.Em 536 páginas, a CPI do Futebol relata uma série de irregularidades que teriam sido cometidas por Ricardo Teixeira. Ele é acusado, por exemplo, de não ter economizado dinheiro da CBF nas viagens ao exterior: em 1998, o dirigente pagou US$ 12,5 mil por 18 refeições feitas nos Estados Unidos. Cada refeição saiu por US$ 700 e o aluguel de uma Limusine custou US$ 1 mil por quatro dias.As denúncias também envolvem pagamento elevado de juros e de ágio em operações de câmbio. O resultado dos desmandos, segundo a CPI, é que, embora tenha quadruplicado em quatro anos sua receita - passando de R$ 18 milhões em 1997 para R$ 79 milhões no ano passado - o caixa da CBF apresenta um prejuízo de R$ 25 milhões. "Se fosse uma empresa, a CBF estaria insolvente no final de 2000", observa o relator da CPI, o senador Geraldo Althoff (PFL-SC).O senador enumera, ao longo do relatório, inúmeras operações suspeitas comandadas por Ricardo Teixeira. Em menos de dois anos e meio, a confederação teve de pagar cerca de US$ 11 milhões em juros, multas e desvalorização cambial. Há ainda gastos de R$ 31 milhões em três anos com a agência de viagem SBTR, que nunca deu descontos nas passagens aéreas. A CBF utilizou os serviços da empresa, entre outras, para custear viagens de juízes, alguns dos quais teriam julgado processos de interesse da CBF, segundo constatou a CPI, durante as Copas de 94 e 98.A CBF é acusada ainda pela comissão do Senado de doar, em 1998, acima de 2% da receita do ano anterior a 11 candidatos na campanha eleitoral. O total de R$ 612,5 mil foram repassados, entre outros, aos candidatos a deputado federal pelo Rio Carlos Santana (PT) e Eurico Miranda (PPB) e aos candidatos ao Senado Hugo Napoleão (PFL-RJ) e José Agripino Maia (PFL-RN). Cada um deles teria recebido R$ 50 mil, concluiu a CPI.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.