Mike Fiala/AP
Mike Fiala/AP

Relatório da Fifa inocenta Blatter, mas vê deslize em caso ISL

Comitê de Ética diz que presidente da entidade foi 'infeliz' em meio aos escândalos de subornos

AE, Agência Estado

30 de abril de 2013 | 10h01

ZURIQUE - O relatório que o Comitê de Ética do Fifa divulgou nesta terça-feira inocentou Joseph Blatter, presidente da entidade, de qualquer culpa no caso de corrupção envolvendo a ISL, extinta empresa de marketing que foi parceira do organismo e declarou falência em 2011. O documento, porém, admitiu que o dirigente acabou agindo com atitudes "infelizes", em um claro deslize na sua posição de mandatário da Fifa em meio ao escândalo do pagamento de subornos a dirigentes por parte da ISL em troca dos direitos de transmissão das Copas do Mundo.

No relatório publicado nesta terça, o presidente da câmara decisória do Comitê de Ética da Fifa, Hans-Joachim Eckert, disse que "não há indícios de que o presidente Blatter tenha recebido pagamentos de comissões da ISL, ou de seu diretor-executivo Jean-Marie Weber ou de outras pessoas".

Em seguida, o documento afirmou também não haver evidências de que Blatter "foi responsável pelo desvio de dinheiro a João Havelange, Ricardo Teixeira e Nicolás Leoz, nem que o mesmo tenha recebido pagamento algum do grupo ISL, mesmo por meio de pagamentos secretos".

Acusado de receber propina, assim como ocorreu com Teixeira e Leoz, respectivos ex-presidentes da CBF e da Conmebol, Havelange teve confirmada nesta terça a sua renúncia ao cargo de presidente de honra da Fifa, em uma clara decisão para evitar punições por causa do seu envolvimento no caso ISL.

Se descarta punir dirigentes envolvidos no escândalo, até pelo fato de que na época o pagamento das propinas - que ocorreram entre 1992 e 2000 - não era considerado um crime na Suíça, o Comitê de Ética da Fifa colocou em xeque a postura de Blatter neste sombrio episódio ocorrido em seu país.

"Tem de se questionar, no entanto, se o presidente Blatter sabia ou deveria saber, no transcurso dos anos antes da quebra da ISL, que esta empresa realizou pagamentos (subornos) a outros funcionários da Fifa", disse o relatório, ao mesmo tempo em que destacou que a postura do dirigente não foi "criminosa ou antiética", mas sim "equivocada".

Um documento divulgado pela Justiça da Suíça recentemente sugeriu que Blatter sabia sobre um pagamento de 1 milhão de francos suíços por parte da ISL para João Havelange em 1997, quando o brasileiro ainda presidia a Fifa.

BLATTER FESTEJA RELATÓRIO

Logo após a divulgação do relatório, Blatter divulgou nota oficial no site da Fifa para festejar o fato de ter sido inocentado de participação criminosa no caso ISL.

"Terei em mente o relatório do presidente da câmara decisória do Comitê de Ética da Fifa, Hans-Joachim Eckert, em relação à análise do caso ISL. Enfatizo em particular que, em suas conclusões, o presidente Eckert afirma que ''o caso ISL está encerrado para o Comitê de Ética'' e que ''mais nenhum procedimento relacionado à questão da ISL contra qualquer outro dirigente de futebol será justificado''", disse.

Em seguida, o dirigente citou outro trecho do relatório para justificar a sua inocência, assim como disse confiar que as novas ações impostas pela Fifa ajudarão a evitar novos escândalos de corrupção envolvendo membros da entidade.

"Também ressalto com satisfação que este relatório confirma que ''a atuação do presidente Blatter não pode ser classificada de nenhuma maneira como má conduta em relação a qualquer norma ética''. Não tenho dúvidas de que a Fifa, graças ao processo de reforma de governança proposto por mim, tem agora os mecanismos e meios para assegurar que uma questão como essa, que causou danos incontáveis à reputação de nossa instituição, não aconteça novamente", completou.

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