Relatório inclui contrato com a Ambev

O contrato da CBF com a fabricante de bebidas Ambev, uma das patrocinadoras da Seleção Brasileira, também entrou no relatório final da CPI do Futebol que será votado na quinta-feira. A comissão acusa o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de se beneficiar deste contrato e diz que há "claros sinais" de que a intermediação da empresa MB Consultoria possibilitou ganhos indevidos ao empresário Renato Tiraboschi, amigo e "parceiro de negócios" de Teixeira. No dia 10 de abril, em depoimento na CPI da CBF/NIKE, instalada na Câmara, o presidente da confederação disse que o acordo com a Ambev estava acertado, dando inclusive valores. Dois dias depois, ele contratava a MB para buscar um patrocinador. Por esse serviço, a empresa de consultoria deverá faturar R$ 9 milhões - valor que pode dobrar de acordo com as vendas da patrocinadora, informa o relatório da CPI. Pelo direito de ter a marca nos uniformes e roupas de treinos, a Ambev repassará aos cofres da CBF, nos próximos quatro anos, R$ 40 milhões, divididos em quatro parcelas anuais. Em jantar oferecido à imprensa de Brasília à época, Ricardo Teixeira ressaltou que o contrato não teria intermediário, como foi o caso do polêmico acordo com a multinacional Nike. Uma empresa de Teixeira, a RLJ Participações, recebeu depósito de R$ 2,9 milhões da Sanud, empresa com sede no paraíso fiscal de Liechtenstein. Os senadores suspeitam que o dirigente cometeu crime de lavagem de dinheiro e evasão de divisas pois não teria pago a dívida, feita em 1999. O prejuízo da CBF no ano passado, calculado em R$ 25 milhões, também foi colocado em xeque pela comissão. A CPI pôs em dúvida essa contabilidade pelo fato de a CBF ter feito contratos milionários nos últimos anos. O relatório da CPI detalha outras denúncias que já eram conhecidas. A comissão compara, por exemplo, as operações suspeitas do técnico do Corinthians Wanderley Luxemburgo ao "retrato da desorganização do futebol brasileiro". A CPI pediu o indiciamento do técnico por crimes contra o sistema tributário. O mais gritante depois, de acordo com os senadores, é a sonegação de R$ 10 milhões de um total de R$ 18 milhões movimentado em suas contas bancárias no período de seis anos. A comissão também levanta a suspeita de que Luxemburgo teria recebido comissões na transação e convocação de jogadores. O indício maior seria o fato de ele ter recebido rendimentos de origem desconhecida, na maior parte em dinheiro vivo.

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