Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Renascido, Jô vai atrás de feito inédito na história do Corinthians

Atacante, que retornou desacreditado, está na briga para ser o primeiro artilheiro do clube no Brasileirão

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 00h08

O campeão Corinthians ainda tem um desafio na temporada. E ele diz respeito diretamente ao desempenho de um único jogador, Jô. O atacante tem missão inédita de ser artilheiro do Campeonato Brasileiro. Jamais o time do Parque São Jorge teve um artilheiro em campeonatos nacionais. O camisa 7 corintiano briga gol a gol com Henrique Dourado, do Fluminense, pelo rótulo de goleador do Brasileiro de 2017. Nesta quarta-feira, passou à frente: 18 a 17.

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O feito, se vier, vai coroar o ano de destaque do centroavante, que retornou ao Corinthians em novembro do ano passado, após 13 temporadas desde que deixou o clube que o formou.

“Hoje começa a mudança na minha vida profissional”, disse Jô para a mulher Claudia, antes do clássico de fevereiro, pelo Campeonato Paulista, com o Palmeiras. O atacante começou o jogo no banco, entrou e decidiu a partida ao marcar o único gol daquele duelo em Itaquera. 

Em 2003, João Alves de Assis Silva, então com 16 anos, se transformou no jogador mais jovem a vestir a camisa corintiana. Com habilidade na perna esquerda, físico avantajado (1,90 metro de estatura) e forte no jogo aéreo, ele logo chamou a atenção de clubes estrangeiros.

Vendido para o CSKA Moscou, Jô passou também pelo Manchester City, Everton e Galatasaray, antes de retornar ao Brasil em 2011 para atuar pelo Internacional, em Porto Alegre.

Uma série de casos de indisciplina o fez perder espaço na equipe gaúcha. Negociado com o Atlético-MG, fez parceria de sucesso com o meia Ronaldinho Gaúcho e, sob orientação de Cuca, ganhou a Libertadores de 2013. De quebra, foi o artilheiro da principal competição sul-americana, com sete gols.

Jô jogou na seleção brasileira de Luiz Felipe Scolari que fracassou na Copa de 2014. O mau desempenho mexeu com ele.  Nos Emirados Árabes, Jô fez 16 jogos e marcou 19 gols pelo Al-Shabab, em 2015. Depois foram mais 9 gols em 24 partidas pelo Jiangsu Suning, da China, seu último contrato antes de ficar sem clube. Foi quando retornou ao Brasil, ao Corinthians. 

Treinou separado do elenco e foi tratado com descrédito por parte da mídia e torcedores. Chegou a ser ridicularizado na época, pois havia a possibilidade de o clube contratar o badalado atacante Didier Drogba, da Costa do Marfim. Até os salários dos dois foram revelados. 

Mas Jô entrou em forma e, aos poucos, se tornou peça importante nas conquistas do Paulistão e agora do Brasileiro.

Seu objetivo agora é conseguir a artilharia do Nacional, e entrar de vez na história do Corinthians. Jô soma 23 gols na temporada. De 2001 para cá, ele se iguala a Ronaldo Fenômeno e Liedson, que atingiram a marca em 2009 e 2011, respectivamente, de acordo com o “Almanaque do Timão”, levantamento realizado pelo jornalista Celso Unzelte. O maior artilheiro neste período é do atacante Deivid, que marcou 32 gols, em 68 jogos, na temporada de 2002.

Jô já foi o goleador principal do Corinthians, com dez gols, em 2004, antes de se transferir para a Europa, com apenas 17 anos. Também já mostrou, por algumas vezes, que é capaz de grandes reviravoltas na carreira. Com a taça de campeão garantida, a torcida concentra a sua energia para que seu centroavante atinja a façanha inédita.

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