Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Renato diz que Real 'é uma máquina', mas exalta: 'Grêmio sai de cabeça erguida'

'Mostramos hoje que dá para jogar de igual para igual com qualquer time', exaltou o técnico gaúcho

Estadão Conteúdo

16 Dezembro 2017 | 17h34

O técnico Renato Gaúcho procurou esconder sua frustração neste sábado e enalteceu o elenco do Grêmio depois da derrota para o Real Madrid, por 1 a 0, no Estádio Zayed Sports City, em Abu Dhabi, na decisão do Mundial de Clubes.

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Se o Grêmio vencesse, conquistaria o bicampeonato mundial - ganhou em 1983 - e Renato se tornaria o primeiro brasileiro a ser campeão do torneio como jogador e técnico. Mas a equipe gaúcha foi facilmente dominada pelo Real Madrid e pouco fez em campo neste sábado.

Ainda assim, apesar da derrota, o treinador enalteceu sua equipe, ponderou que o Real Madrid tem uma "seleção" e afirmou que o elenco precisa deixar o Mundial de "cabeça erguida".

"Mostramos hoje (sábado) que dá para jogar de igual para igual com qualquer time. Não é fácil. Eles têm uma seleção, e mesmo assim o Grêmio buscou, jogou. Do outro lado é uma máquina. Por isso que temos que sair de cabeça erguida daqui", avaliou.

Orgulhoso de seus jogadores, Renato comentou também que o jogo foi decidido em um lance de sorte. No gol de falta que decidiu a partida, marcado por Cristiano Ronaldo, a bola passou no meio da barreira.

"Tenho privilégio de estar aqui. Honramos a camisa. Sabíamos que tinha um time muito forte na nossa frente e tomamos um gol de falta, em uma bola que passou no meio da barreira. Acontece. Nosso torcedor está orgulhoso", completou o treinador.

RENATO DESAFIAVA PERFIL DE 'ESTUDIOSO' NO MUNDIAL

Aprimoramento na praia, atualização profissional com futevôlei e estudo sob o forte sol carioca. Renato Gaúcho descreveria dessa forma como utilizou os dois anos longe do futebol entre 2014 e 2016 para se transformar de um treinador de trabalhos curtos ao vencedor no comando do Grêmio nesta temporada. Porém, quem o conhece alerta que o discurso é na verdade uma artimanha para desafiar estereótipos.

Aos 55 anos, Renato é cada vez mais carioca e menos gaúcho. O técnico prefere morar em um hotel em Porto Alegre e manter a residência no Rio, onde vive há cerca de 30 anos. O chimarrão ele dispensa, pois a praia é paixão e fonte de renovação. "Quem precisa aprender, estuda, vai pra Europa. Quem não precisa vai para a praia", disse no ano passado após ganhar a Copa do Brasil. "Futebol é como andar de bicicleta. Quem sabe, sabe. Quem não sabe, vai estudar", ironizou.

Renato, na verdade, é um meio-termo entre o bon vivant e o estudioso. Segundo pessoas próximas, o treinador não se encaixa em nenhuma dessas duas categorias, embora procure demonstrar irreverência e deboche ao perfil acadêmico. "O Renato tem como qualidade a humildade. Nas entrevistas ele tira sarro, mas atrás das câmeras ele tem um coração muito grande", afirmou o irmão mais velho dele, o representante comercial Mauro Portaluppi.

O que mais o treinador tem na vida são irmãos, aliás. A família Portaluppi teve 13 filhos. Renato é o segundo mais novo, apenas dois anos mais jovem do que Mauro. Os dois, inclusive, começaram juntos no futebol, no Esportivo, de Bento Gonçalves. Naquela época o futuro técnico do Grêmio ainda demonstrava dificuldade em lidar com a fama.

Aos poucos ele passou a gostar de ser conhecido. Quando chegou à base do Grêmio, no fim da década de 1970, formou com os laterais Paulo César e Paulo Roberto um trio apelidado de Os Três Mosqueteiros. Eles permaneceram juntos da base ao título mundial do clube em 1983, época em que Renato descobriu de vez as vantagens de ter fãs. "O Renato era como um ator de Hollywood. Ele se dava bem com as mulheres e a gente ia no embalo. Convite para festa não faltava", revelou Paulo César.

O estilo mulherengo e festeiro rendeu problemas na carreira. Renato acabou cortado da Copa de 1986 por ter saído da concentração para curtir uma balada. Curiosamente, esses hábitos agora viraram uma arma do treinador. "Os jogadores sabem que não vão conseguir enganar o Renato. Ele sabe das artimanhas. Se tiver indisciplina, ele vai tomar atitude", contou o ex-lateral-direito Paulo Roberto.

Debochado nas palavras e exigente com os jogadores, o treinador deixou o Fluminense em 2014 disposto a mudar o rumo da carreira. Renato não queria mais ser conhecido só pelo estilo provocador. Colocou na cabeça o plano de ser técnico da seleção brasileira e usou o tempo longe do futebol para se aperfeiçoar, enquanto continuava a frequentar a praia, é claro.

"Ele quer dirigir a seleção um dia. Acho que esse período parado foi ótimo para o Renato amadurecer", afirmou o irmão. Amigo há 40 anos do treinador, Paulo Roberto disse que o período sabático formou um novo profissional. "O Renato não se inseria 100% na profissão. Depois, colocou como objetivo ser um treinador top", disse. A rotina nos dois anos de intervalo foi de ver mais partidas de outros países, entender o mercado de transferências e aprimorar o conhecimento tático.

A preparação bem sucedida acabou camuflada pelo velho estilo irreverente nas declarações. Renato podia estar uma versão nova, porém manteve a imagem fiel à antiga. Às vésperas da final do Mundial de Clubes, contra o Real Madrid, disse ter sido melhor do que Cristiano Ronaldo e voltou a cobrar da diretoria do Grêmio que fosse homenageado com uma estátua.

A melhor temporada de Renato como técnico chega ao fim com boas perspectivas. Ele entrou na lista de grandes treinadores do futebol brasileiro após a participação no Mundial e vai começar a discutir com o Grêmio a renovação de contrato. Já para o fim de ano, a programação está fechada. A numerosa família no Rio Grande do Sul não terá a companhia do parante famoso, pois sabe que ele passará as festas no Rio, perto da praia, do sol e do futevôlei que tanto o fortaleceram.

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