Renê Simões, o senhor dos detalhes

O técnico da seleção brasileira feminina de futebol, Renê Simões, completa hoje uma semana no cargo. Está concentrado com suas atletas na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), onde trabalha para a Olimpíada de Atenas. Renê Simões, 51 anos, que dirigiu a Portuguesa e outros times no Brasil sem grande brilho, ganhou fama ao levar a Jamaica a uma Copa, em 98 na França. Dirigiu também times femininos na Jamaica e em Trinidad e Tobago. Cheio de idéias, Renê Simões não vê problemas na presença de Milene Domingues no grupo. E nega que a CBF tenha forçado a convocação da ex de Ronaldinho. Diz, também, nesta entrevista à Agência Estado, que conversou com a veterana Sissi e que ela, considerada a melhor do Brasil por anos, poderá voltar. Para ele, não foi surpresa ter ido parar no feminino. "Sou casado há 27 anos. Tenho três filhas. Não há ninguém melhor do que eu para falar com mulheres (risos). O fato é que a CBF aceitou o planejamento que fiz e me deu todas as condições para trabalhar. Tenho a confiança: tudo dará certo.? Agência Estado - Qual é a grande diferença de se treinar mulheres? Renê Simõoes - Só é preciso respeitar as diferenças. Temos de ter cuidados especiais. Por exemplo: realizarmos uma pesquisa hormonal, o que não fazemos com os rapazes, para detectar se existe algum desequilíbrio, se há necessidade de repor alguma coisa. Além disso, as garotas são muito mais sensíveis. AE - Significa que não serão tão exigidas s treinamentos... Renê - A idéia é exigir uma carga que possam agüentar. Ainda não sei qual é o limite delas. É por isso que estamos fazendo testes. AE - O trabalho psicológico será fundamental? Renê - Sim. Também trabalho assim com os homens, mas com as mulheres, que são mais detalhistas, será ainda mais. AE - O segredo são os detalhes? Renê - Estou passando a elas duas apostilas que utilizo com os homens: "o que todo o atleta não pode esquecer" e "firmando conceitos". E ainda brinquei dizendo que sempre que um detalhe for esquecido, vou gritar "Roberto Carlos!", por causa da música ?Detalhes?. AE - Alguma surpresa até agora? Renê - Não conhecia as atletas, tanto que quem elaborou a convocação foi meu supervisor-técnico, o Paulo Dutra. Mas já senti que elas queriam um trabalho científico. AE - Com o time masculino fora, aumentou a responsabilidade das garotas? Renê - Não quero passar este tipo de pressão para elas, só aumentaria a ansiedade. Estas jogadoras são desbravadoras. O problema é que existe muito preconceito. Eu mesmo sou preconceituoso. Nunca dei uma bola para a minhas filhas. E tenho que me desculpar por isso. AE - O Brasil tem chances de conquistar a medalha de ouro? Renê - Temos um grupo forte, motivado. Só nos faltam preparo-físico e e comprometimento técnico. AE - Muito se falou da convocação de Milene Domingues, do Rayo Vallecano, ex-mulher de Ronaldo. O senhor teme ser pressionado pela CBF para mantê-la no grupo? Renê - Milene tem relacionamento fácil com as atletas. Agora, isso não é suficiente. Não vejo problema no fato de centralizar atenções. Ela não esnobe ou usa isso para se beneficiar. AE - A atacante Sissi pode voltar? Renê - Tenho conversado com ela, mas só vou tomar uma decisão quando tiver a segurança daquilo que é melhor para ela e para a Seleção.

Agencia Estado,

15 de março de 2004 | 09h03

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