Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Repertório de Neymar já enlouquece os espanhóis

Gols, dribles, pedaladas, passes e doação ao time, além de toda sua graça; o atacante mostra do que é capaz

ROBSON MORELLI - Enviado especial, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2013 | 07h07

BELO HORIZONTE - Neymar já deu mostras do que pode fazer pela seleção brasileira na Copa das Confederações. Não é pouco. O “cara do jogo” nas três primeiras partidas do Brasil na fase classificatória tem muito mais para mostrar. Seu repertório é imenso e a cada apresentação o atacante faz das suas, mais leve e solto, como disse Julio Cesar ontem, sem a pressão que o elenco todo esperava sofrer do torcedor.

Duas de suas jogadas já foram destaques no País e na imprensa internacional, principalmente na Catalunha. Uma delas foi aquela finta entre dois marcadores do lado esquerdo do ataque brasileiro no confronto com o México, para depois fazer o passe para o gol de Jô. Na partida diante dos italianos, seu gol de falta também chamou a atenção. Neymar mandou a bola no canto de Buffon, desafiando o experiente goleiro ou antevendo que ele sairia para o outro lado, como aconteceu de fato. Em seu cardápio, a bola parada começa a ter mais destaque.

Essa percepção de antever jogadas não é para qualquer um. Quem jogou com Pelé sempre disse isso dele. Neymar vai pelo mesmo caminho. É inventivo. Em 28 dias concentrado e focado na Copa das Confederações, Neymar já recuperou o talento e a alegria dos tempos da Vila. Um drible, uma jogada aguda, um toque diferente, pedaladas e alguns chapéus. Tudo isso Neymar já fez neste torneio. O Brasil se dobrou ao seu futebol.

Os espanhóis estão encantados. O jornalista Joaquim Piera, do Diário Sport, monitora os passos do jogador há tempos, e revela que o torcedor espanhol está “alucinado” com Neymar. “Na Espanha, o Campeonato Brasileiro não é muito difundido. Então, o torcedor catalão não tinha ideia da categoria de Neymar. Mas depois desses primeiros jogos do Brasil na Copa das Confederações, o torcedor está alucinado. Chamou a atenção a forma com que se entrega ao time na parte defensiva e seu repertório de jogadas.”

Toda vez que Felipão se refere a Neymar ele usa a palavra “craque” e ressalta o trabalho de Muricy Ramalho no Santos, principalmente na orientação tática. Essa doação também é motivo de entusiasmo dos espanhóis, porque o europeu sempre diz que jogador brasileiro tem ginga e talento, mas não joga para a equipe porque não tem concepções táticas.

Neymar, aos 21 anos, muda isso. “A jogada que ele fez para o gol de Jô contra o México foi duplamente genial. Primeiro pela forma e facilidade com que se livrou da marcação, de dois, e depois pela solidariedade ao Jô. Ele poderia ter chutado, mesmo sem ângulo, mas preferiu o passe”, diz Piera. O espanhol destaca ainda a personalidade de Neymar de assumir a 10 num torneio em casa e com uma seleção em formação, e sua melhora em alguns fundamentos, como nas cobranças de falta.

Como disse Parreira com entusiasmo de criança, “Neymar é a maior esperança do Brasil na Copa. Ele é diferente de tudo”. Desde que montou seu grupo para a Copa das Confederações, Felipão tira das costas do garoto a responsabilidade de carregar a seleção. Neymar agradece, mas para ele tanto faz. O que ele faz é ser decisivo.

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