Reservas da seleção se dizem desiludidos

Assim que terminou o confronto entre Brasil e Paraguai, na semana passada, pelas Eliminatórias da Copa de 2006, os jogadores titulares, conformados com o fraco nível técnico da partida e o placar de 0 a 0, deram explicações - as mesmas de sempre - e seguiram para seus clubes. Os reservas saíram do Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, inconformados. Não pelo fato de terem sentado no banco, o que é normal, mas por terem ficado com a forte impressão de que dificilmente terão alguma chance no futuro. Os mais aborrecidos são o meia Juninho Pernambucano, do Lyon, e os atacantes Luís Fabiano, do São Paulo, e Adriano, da Internazionale de Milão. Mas por que esse pessimismo? Por causa do estilo excessivamente conservador adotado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, que não se mostra muito adepto a variações, experiências. Os atletas, que não admitem falar sobre o tema publicamente, passaram a ter a sensação durante Brasil x Paraguai. E a argumentação tem lógica. Acreditam que aquele jogo era ideal para que ganhassem uma oportunidade e atuassem por pelo menos 45 minutos, o que não ocorreu. Kaká, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, que formam o chamado trio de ouro, não fizeram praticamente nada e, mesmo assim, não foram substituídos. Os três, pela fama que adquiriram e pelo reconhecido talento, se tornaram praticamente intocáveis na seleção. Só deverão sair por contusão ou suspensão. O meio-campo também não funcionou. Tanto que a equipe não criou nenhuma boa oportunidade de gol. Mesmo assim, Parreira fez apenas uma alteração em Assunção. Pôs, na metade do segundo tempo, Juninho Pernambucano no lugar de Renato. Juninho voltou a Lyon, na França, no jatinho de seu clube, decepcionado. Achava que poderia ter entrado logo após o intervalo. Afinal, na primeira etapa, Renato, Gilberto Silva e Zé Roberto não foram capazes de armar nem sequer uma jogada de impacto, que pudesse pôr Ronaldo, Kaká ou Ronaldinho na cara do gol adversário. Luís Fabiano retornou ao CT do São Paulo desiludido. Chorou as mágoas com os amigos. Nas entrevistas, porém, procurou se controlar. "É melhor não falar muito sobre isso..." Limitou-se a comentar que estava otimista em entrar na equipe. "Principalmente depois que o Adriano foi cortado do banco e eu passei a ser o único atacante na reserva." O ex-flamenguista Adriano não ficou nem no banco e voltou para Milão ainda mais descontente que o colega do São Paulo. A justificativa que Parreira costuma dar para fazer poucas mudanças no time é o pouco tempo de treinamento. Por isso, gosta de usar as partidas para entrosar os titulares, reduzindo bastante as possibilidades dos reservas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.