Nilton Fukuda/Estadão
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Resgate da seleção

O Brasil, de Tite e Neymar, tem neste ano o grande desafio de voltar a jogar bem

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2020 | 04h31

Como muitos de vocês, sou do tempo de parar tudo para ver a seleção jogar. Como jornalista, todas as Copas que cobri, fiquei sempre nos calcanhares do time brasileiro, digamos, o melhor lugar para se estar num Mundial. O Brasil sempre foi sinônimo de bons jogos e de possibilidade de chegar à final, o que todo repórter almeja nessas coberturas internacionais.

Invadimos, no entanto, os primeiros dias de 2020 sem saber nada, ou quase nada, da seleção brasileira. O calendário das partidas do Brasil é seguido com desdém, a confiança em Tite caiu drasticamente, todos os jogadores, principalmente Neymar, são vistos com desconfiança e chegar à Copa do Mundo do Catar – a Fifa levou e parece satisfeita com o torneio naquela região do planeta – não me parece hoje tarefa das mais fáceis dentro da América do Sul. As Eliminatórias começam em março, com a seleção brasileira tendo como primeiros rivais nessa caminhada Bolívia, Peru e Venezuela. Os ossos duros de roer do continente vêm na sequência, como o Uruguai, da dupla Luis Suárez e Cavani, a Argentina, de Messi, e a Colômbia, de James.

Como toda Eliminatória de Copa, o problema da classificação do Brasil diz mais respeito ao próprio elenco e treinador do que propriamente aos adversários. Com quatro vagas destinadas aos dez participantes e mais uma repescagem, sempre se achou muito difícil, quase impossível, a seleção ficar fora, por mais que ela se “esforce” para isso. 

O Brasil nunca deixou de disputar uma Copa do Mundo desde que a Fifa organizou sua primeira edição em 1930, portanto, há quase 100 anos. Mas como este mundo, e também o esporte, anda de pernas para o ar, não duvido que o Brasil de Tite e de 200 milhões de torcedores, alguns mais, outros menos, mas certamente ninguém indiferente, sofra para se garantir, ou mesmo não consiga vaga para 2022. Os tempos são outros e ficamos para trás.

O caminho para não correr riscos passa obrigatoriamente pelos pés dos jogadores do time, todos eles, e pela cabeça de Tite. A choradeira sobre a falta de tempo para treinar, embora legítima, não sensibiliza mais ninguém. As desventuras de Neymar também não. Tirando o atacante do PSG, os outros das últimas listas do técnico, inclusive durante a Copa América vencida em 2019, são todos atletas comuns na seleção. Ovacionados em seus respectivos clubes, a maioria da Europa, não funcionam como se esperava deles defendendo o país pentacampeão do mundo – ainda único. Daí tamanho desinteresse de ver o Brasil jogar. Junta-se a isso, os rivais fracos e “pequenos” escolhidos pela CBF nos amistosos “caça-níqueis” e ninguém para mais diante da TV para ver o Brasil jogar.

Este ano, a seleção também terá a oportunidade de defender seu título na Copa América, a última dessa sequência que banalizou a competição.

Como para o brasileiro o que importa é ganhar, e não competir, o torcedor olha para a seleção de Tite e não vê mais nela grande chance de superar seus principais rivais em uma Copa, por exemplo. Aí ele prefere dar mais atenção às outras tantas coisas boas da vida. Foi-se o tempo em que o futebol da seleção estava numa das principais opções de divertimento e paixão do povo brasileiro.

Mas como sabemos também que o futebol ainda contagia, a exemplo do que fez o Flamengo na temporada passada, é possível que uma seleção bem armada, com sinais de maior competitividade dos atletas chamados e não o tradicional “deboche” em relação aos resultados, consiga se autorresgatar de modo a levar com ela o desanimado torcedor.

O verde e amarelo da seleção brasileira continua respeitado no mundo, apesar de não ganhar um Mundial, o grande termômetro, desde 2002, quando a “Família Scolari” nos encheu de orgulho. Faz tempo

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