Cesar Greco/Agência Palmeiras
Cesar Greco/Agência Palmeiras

'Resolvi que deveria ficar no Palmeiras porque o ano promete'

Remanescente do time do ano passado, atacante diz ter jogado no sacrifício para ajudar a equipe e projeta títulos

Entrevista com

Cristaldo

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 17h02

Cristaldo chegou ao Palmeiras em agosto do ano passado. Em seis meses, viu o time lutar contra o rebaixamento, demitir dois técnicos, fazer uma grande reformulação e sonhar com títulos. Em entrevista ao Estado, o argentino fala sobre o seu momento, as reviravoltas no clube, a rápida harmonia com a torcida, seleção e a pressão para conseguir ganhar uma taça com o Alviverde.

O Palmeiras entra em campo hoje mais tranquilo, após duas vitórias consecutivas?

Sempre estivemos calmos, porque sabemos que é um trabalho a longo prazo. O Paulista é mais para entrosar o time visando o Campeonato Brasileiro, que é mais importante para nós, pois queremos deixar o Palmeiras onde ele merece, que é brigando por título ou vaga na Libertadores.

No começo do ano você teve chance de sair, ficou e hoje parece titular absoluto. Esperava uma mudança tão rápida?

Não acho que sou titular absoluto. Ninguém é, porque temos uns 30 ou 35 jogadores de muita qualidade. Ninguém tem de ficar chateado por sair do time. Quem entra, tem de saber aproveitar.

Por que não quis ir para o River Plate no início da temporada?

Era difícil eu sair do Palmeiras. Cheguei faz seis meses aqui, estava bem com minha família no Brasil e sabia que este ano as coisas seriam diferentes para o Palmeiras. Vamos brigar por coisas grandes e não queria estar longe disso. Resolvi ficar porque este ano promete.

Tantas mudanças em seis meses não mexeram contigo?

Claro. Quando cheguei, não sabia a situação do clube. Foi difícil chegar em um momento tão complicado do clube. Eu ainda vim por indicação do Gareca e joguei pouco com ele até ser demitido. O importante é que o Palmeiras se salvou do rebaixamento e podemos escrever uma nova história.

Quando o Gareca saiu, bateu uma insegurança?

Sempre que um técnico leva um jogador para uma equipe e ele sai, fica um pouco de insegurança. O Dorival, assim que chegou, disse que não tinha diferença alguma comigo e, de fato, tive algumas oportunidades, assim como os outros argentinos. Só o Mouche que não conseguiu jogar tanto.

Qual o segredo para cair nas graças da torcida tão rápido?

Não sei. Já perguntei para todo mundo e ninguém sabe me responder. Meus amigos argentinos, quando assistem jogo do Palmeiras, ouvem a torcida gritando meu nome e me perguntam o motivo, se dou dinheiro ou algo assim. Na rua e nas mídias sociais o carinho é grande também. Acho que é porque brigo muito pela bola, não tenho bola perdida e me identifico com o Palmeiras.

Oswaldo disse que você jogava em posição errada ano passado. Concorda com a análise?

Eu vou jogar onde o treinador quiser. Ano passado eu jogava mais pelas pontas, marcando lateral e isso me desgastava muito, mas eu me sacrificava pelo time. Era um momento difícil e tinha de fazer algo para ajudar. Se o treinador pedisse para jogar de goleiro, eu jogaria, mas gosto mesmo de jogar dentro da área, brigando com os defensores. Falei com o Oswaldo que eu gostava de atuar mais como camisa 9, centroavante. Ele falou que prefere me ver jogando assim mesmo. Agora que tenho oportunidade, preciso que aproveitar para mostrar que realmente mereço ser atacante do Palmeiras.

Por falar em camisa 9, o que acha do Gabriel Jesus. Ele realmente é tudo isso que falam?

Ele é um jogador com muita qualidade. É pequeno, tem que crescer ainda, mas vai dar muitas alegrias ao Palmeiras, pois tem muito recurso. Tem o Leandro (Pereira) também para disputar posição. A briga é boa para jogar.

Sentem-se pressionados por títulos?

O Palmeiras é grande e precisa entrar para ganhar tudo. Nós, jogadores sabemos disso, nem precisamos de cobrança extra. O torcedor pode ficar tranquilo, porque estamos nos entrosando pouco a pouco e acho que esse ano vai dar certo as coisas para o Palmeiras.

Sonha com seleção argentina?

Sim, mas sou realista. Tem Messi, Higuain, Tevez e Agüero na minha posição. Muita gente boa. Já joguei em seleções de base e, quem sabe, se eu fizer coisas boas aqui no Palmeiras, posso, pelo menos, chamar a atenção. Vou trabalhar por isso.

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