PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP
PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP

Respaldado por títulos, Zidane tem carta branca para 'sacudir' o Real Madrid

Missão do novo treinador é resgatar jogadores como Marcelo, Isco e Keylor Navas e levar novos craques a Madri

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 11h59

Zidane reassumiu o Real Madrid na segunda-feira e comandou nesta quarta-feira o seu primeiro treino no clube com um desafio maiúsculo: administrar um final de temporada melancólico após uma sequência de vexames e reconstruir o time para o segundo semestre. O momento do Real é péssimo. O time está 12 pontos distante do líder Barcelona no Campeonato Espanhol, foi eliminado da Copa do Rei pelo arquirrival e deu adeus à Liga dos  Campeões depois de ser goleado em casa pelo Ajax.

A fase atual é bem pior do que quando Zidane assumiu o Real Madrid pela primeira vez, em janeiro de 2016. Após a saída de Rafael Benítez, a situação era ruim no Campeonato Espanhol, mas o time ainda estava vivo na Liga dos Campeões e, inclusive, foi campeão europeu naquele ano.

O problema é que desta vez Zidane não conta com o talento de Cristiano Ronaldo. Nove meses após pedir demissão por entender que os jogadores precisavam de um novo treinador para não se acomodarem, o francês assume agora o risco de colocar em xeque as boas lembranças deixadas durante os dois anos e meio em que comandou o Real entre janeiro de 2016 e maio de 2018 e conquistou três Ligas dos Campeões.

Zidane tem plenos poderes e carta branca para renovar o  elenco do Real sem interferência de dirigentes. Por isso, o técnico francês já teria, segundo a imprensa espanhola, entregue ao presidente Florentino Perez uma lista de reforços para a próxima temporada com os nomes de Kylian Mbappé (Paris Saint-Germain), Eden Hazard (Chelsea), Paul Pogba (Manchester United), Lucas Hernández (Atlético de Madrid) e Sadio Mané (Liverpool).

Com respaldo para tomar decisões, o entusiasmo com o retorno de Zidane ao Real Madrid é enorme. "Ele está encantado de voltar e nós estamos mais felizes do que ele, certamente. Agora é preciso desejar muita sorte a Zidane, embora desejar sorte a quem já ganhou tudo seja complicado", disse o ex-lateral Roberto Carlos, atualmente dirigente das categorias de base do Real Madrid.

Após ser cobiçado por PSG, Chelsea e Juventus, Zidane está com o prestígio em alta. "Ele volta em plena forma, com novas ideias, paixão e motivação enormes", disse o ex-lateral Lizarazu, campeão do mundo em 1998 com Zidane, ao canal RTL.

Com contrato até junho de 2022, os projetos de Perez para Zidane no Real Madrid são a longo prazo, mas há questões urgentes a serem resolvidas. Além de dar novo ânimo a um elenco em baixa, será missão de Zidane "sacudir o vestiário" e resgatar jogadores como Marcelo, Isco e Keylor Navas, que foram pouco utilizados pelo técnico Santiago Solari. Resgatar Marcelo significa evitar a iminente saída do lateral-esquerdo brasileiro para a Juventus. Outra questão será lidar com Gareth Bale, com quem não tem uma boa relação.

Terceiro colocado do Espanhol restando 11 rodadas para o fim do campeonato, Zidane tem como primeira missão não deixar que o abatimento pelos últimos resultados faça o time despencar ainda mais na tabela de classificação. O mínimo é ficar entre os quatro primeiros para garantir a vaga na Liga dos Campeões da próxima temporada. O primeiro dos 11 próximos passos de Zidane será sábado, contra o Celta.

No Santiago Bernabéu, Zidane está em casa. Amado pela torcida, três de seus quatro filhos jogam no Real: Luca, de 20 anos, é o terceiro goleiro da equipe principal; Theo, de 16, joga no Juvenil; e Elyaz, de 12, está no Infantil. O filho mais velho, Enzo, de 23 anos, joga no Lausanne-Sport, da Suíça.

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