Robert Ghement/EFE
Robert Ghement/EFE

'Resultados dos testes de calor são assustadores', diz fisiologista

Sindicato mostra resultados que são a base científica para pedido de alteração do horário dos jogos da Copa

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2014 | 13h59

SÃO PAULO - A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) divugou nesta sexta-feira os resultados de um estudo científico realizado no ano passado que comprova os malefícios das altas temperaturas sobre o organismo dos atletas. O estudo foi motivado pela tabela da Copa, que prevê a realização de jogos às 13 horas e às 15 horas, por exemplo. "Os resultados são assustadores", diz o fisiologista Turíbio Leite de Barros, um dos mais renomados especialistas brasileiros em Fisiologia do Exercício e coordenador da pesquisa. "Não é terrorismo dizer que existe o risco de os jogadores terem uma lesão neurológica, como o coma ou acidente vascular cerebral (AVC), nas partidas realizadas às 13 horas", afirma Turíbio.  

Com base nesse estudo, a entidade vai entrar com uma ação judicial na segunda-feira na Justiça do Trabalho de São Paulo pedindo o adiamento dos jogos realizados nesse horário. Eles seriam remarcadoas para 17 horas. Ao todo, 24 jogos seriam modificados. Como alternativa, a entidade propõe a reidratação obrigatória durante os jogos. "É nossa obrigação zelar pela saúde dos atletas. Gostaríamos de resolver a questão amigavelmente, mas a Fifa não nos atendeu", afirma Rinaldo Martorelli, presidente do sindicato.  

O estudo no qual se baseia a ação judicial foi realizado entre junho e julho (mesmo período da Copa). Foram realizados quatro jogos-teste com atletas profissionais em Manaus, Brasília, Fortaleza e São Paulo às 13h e 15h. Os atletas ingeriram uma cápsula com um sensor térmico e um aparelho media a temperatura corporal em diversos momentos do jogo. Os organizadores afirmam que é o primeiro estudo do gênero realizado no futebol mundial. Na maioria das situações, os jogadores apresentaram uma temperatura central (temperatura do sangue)  próxima a 40º, o que representa risco iminente para os atletas. "Os sintomas são a sensação de mal-estar, vômito e desmaios. E, em situações extremas, pode levar à morte. Na maioria das vezes, é um perigo silencioso", disse Turíbio.

Durante a Copa das Confederações, as duas seleções europeias - Itália e Espanha - sofreram muito com as condições climáticas. Na Espanha, que atuou no Recife, Rio de Janeiro e Fortaleza, a sensação era de que não haverá como alterar muita coisa para a Copa. "Tentamos nos recuperar da melhor forma possível entre uma partida e outra, mas não temos como mudar o clima. A temperatura não é a melhor para a gente, mas é igual para todos", disse o volante Busquets. O goleiro italiano Buffon foi irônico ao comentar os jogos no início da tarde. "Foi bom, é um horário inteligente para se jogar."

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