Alex Silva/Estadão
Dunga não é unanimidade na cúpula da CBF Alex Silva/Estadão

Resultados deixam Dunga vulnerável no comando da seleção

Equipe está em sexto lugar após dois empates

Daniel Batista - Enviado Especial - Assunção, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

O empate diante do Paraguai serviu para amenizar o prejuízo da seleção brasileira, que terminaria a rodada em sétimo, mas ficou em sexto nas Eliminatórias, mas a situação do técnico Dunga no comando da equipe continua bastante delicada e a pressão nos dirigentes para mudar a comissão técnica é grande. 

Uma pessoa ligada a CBF confidenciou ao Estado que Dunga correu grande risco de ser demitido caso tivesse perdido para o Paraguai. O sentimento na cúpula dos membros da entidade é que o treinador não está conseguindo obter tudo que pode da equipe e tem tido algumas posturas equivocadas. O relacionamento com o atacante Neymar também é algo que tem incomodado e a mudança de comando poderia fazer todos “acordarem”, além de ser uma forma de conseguir recuperar parte do apoio da torcida, perdido até mesmo no Nordeste, onde a seleção sempre gozou de muito prestígio. As vaias ao final do jogo com o Uruguai, na Arena Pernambuco, surpreendeu muita gente na entidade.

O ponto fundamental para manter Dunga no comando é a amizade com Gilmar Rinaldi, coordenador de seleções. O ex-goleiro é defensor ferrenho do capitão do tetra e por isso não cogita a possibilidade de dispensá-lo. A visão da comissão técnica é que o Brasil vive um momento de instabilidade em decorrência da boa forma das outras seleções e não por problemas do time.

A demissão de Dunga teria que passar por Gilmar. A única exceção seria se ele também deixasse o cargo, algo que parece, por enquanto, algo distante. O fato de terem escolhido o Hotel Vila Ventura, onde o zagueiro Lúcio é um dos sócios, também criou uma saia justa já que o defensor atuou como membro pontual da comissão técnica nos jogos com Uruguai e Paraguai.

Outro ponto desfavorável para o treinador é o relacionamento com os jogadores. Alguns atletas não aprovam a forma da seleção jogar e as opções táticas feitas pelo treinador. Entretanto, ninguém dentro do grupo admite que exista qualquer complô para tentar derrubar o treinador, mas sim, divergências naturais de um trabalho.

O lateral-direito Daniel Alves, um dos líderes do grupo, afirmou após o jogo com o Paraguai, que o momento não é de analisar se o jogador está contente ou não com o treinador. “Temos outra filosofia e outro estilo de jogo onde temos que nos adaptar. Não se trata de estar contente ou infeliz. Se a gente está aqui, temos que abraçar a causa, o treinador e a comissão técnica. Para evoluir, precisamos abraçar a causa, pois se acharmos que nada presta, não sairemos do lugar”, alertou o jogador do Barcelona.

O relacionamento entre Dunga e Neymar, por exemplo, já foi mais intenso e por conta dos últimos acontecimentos, está o mais frio desde o retorno do treinador ao comando da seleção, após o Mundial de 2014. Existe um consenso na CBF de que o atacante não tem se dedicado tudo que pode na seleção e Dunga, embora precise muito do jogador e tenha a fama de ser rígido, poderia exercer maior autoridade sobre o garoto.

O fato de ter sido flagrado em uma balada em Florianópolis, horas depois de ter levado um cartão amarelo evitável diante do Uruguai, que o suspendeu do jogo com o Paraguai é um exemplo do quanto o atacante parece estar disperso, quando o assunto é seleção. Vale lembrar, porém, que ele e David Luiz foram dispensados por não terem condição de jogo, mas os dirigentes da CBF esperavam uma atitude diferente do astro do Barcelona.

Quando perguntado sobre o assunto, Dunga desconversou e disse que não poderia cobrar de seus atletas a mesma postura que ele tinha quando era jogador, dando uma leve alfinetada no jogador.

Aos trancos e barrancos, Dunga permanece no comando da seleção, mesmo o cenário dando a impressão de que o problema está apenas sendo adiado. Até a Copa América, o treinador terá que ter jogo de cintura para aparar arestas e conseguir colocar a seleção na linha dentro e fora de campo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Daniel Alves e Alisson ganham espaço para a Copa América

Luiz Gustavo, Fernandinho e Filipe Luís podem perder o lugar

Daniel Batista - Enviado Especial - Assunção, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

Dunga não terá mais qualquer teste antes de convocar a seleção brasileira para a Copa America. Por isso, os jogos contra Uruguai e Paraguai pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2018 serviram como a última oportunidade para o treinador passar algum tempo com seus jogadores. Essas duas partidas e o período de treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis, e Viamão, no Rio Grande do Sul, fizeram com que ele firmasse convicções. Alguns jogadores ganharam pontos, outros perderam.

O jovem goleiro Alisson, de 23 anos, saiu dos dois confrontos com crédito ainda maior com Dunga. O técnico valoriza não só o que o jogador faz dentro do campo, mas também como se comporta fora dele. Embora tenha levado um gol defensável diante do Uruguai, o jogador do Internacional fez defesas importantes nos dois jogos e mostrou personalidade.

Se o jovem Alisson foi bem, a grande estrela da seleção esteve no extremo oposto. Neymar teve atuação apagada no empate com o Uruguai, no Recife, foi suspenso por cartão amarelo e, mais uma vez, desfalcou a seleção em momento decisivo. Claro que Dunga nem pensa em abrir mão do craque. Mas o atacante ficou no mínimo com a imagem arranhada.

Enquanto isso, o lateral-direito Daniel Alves ganhou ainda mais espaço, graças ao seu comportamento. Experiente, é respeitado no grupo e figura certa na Copa América. O gol marcado contra o Paraguai, no último minuto, só reforçou a ideia de Dunga de contar com atletas mais preparados para momentos de adversidades. As falhas de posicionamento em Assunção foram atenuadas.

Willian e Douglas Costa dificilmente chamam a atenção individualmente, mas são fundamentais para o esquema do treinador e também estão em alta. São, inclusive, nomes especulados na lista de possíveis convocados acima de 23 anos para a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, principalmente o jogador do Chelsea.

Ricardo Oliveira, apesar dos 35 anos, ainda é um dos melhores centroavantes do País. Dificilmente irá à Copa de 2018, mas, para um momento em que o mais importante para o time brasileiro é vencer, sua presença também é importante.

O caso mais curioso é de Renato Augusto. O meia chegou sob muita desconfiança por ter ido para o futebol chinês, mas surpreendeu positivamente. Além de ter marcado um bonito gol contra o Uruguai, apareceu bem e mostrou frieza mesmo nos momentos de maiores dificuldades nos dois jogos. No seu caso, a dúvida está se ele vai conseguir manter o padrão atuando no outro lado do mundo. Alguns jogadores não conseguiram render o esperado e vão merecer atenção maior de Dunga. Na lateral-esquerda, Filipe Luís fez com que Marcelo volte a ter boas chances de ser lembrado novamente.

Volantes e zagueiros parecem ser a pedra no sapato de Dunga. Luiz Gustavo e, principalmente, Fernandinho, estiveram muito abaixo do esperado. O jogador do Manchester City teve dificuldades para atuar como segundo homem no meio de campo. Contra o Paraguai, cometeu tantos erros que foi sacado já no intervalo. Luiz Gustavo parecia disperso em determinados momentos e a falta de qualidade técnica para sair jogando atrapalhou.

Na zaga, David Luiz teve uma atuação desastrosa contra o Uruguai e ainda foi suspenso para o confronto com os paraguaios. Miranda e Gil, bons tecnicamente, tiveram graves problemas de posicionamento e, embora o zagueiro da Internazionale tenha dito que não teria problema em jogar no lado esquerdo, claramente sentiu dificuldades diante do Paraguai. Lucas Lima, Hulk, Phillipe Coutinho e Jonas tiveram pouco tempo para mostrar serviço e por isso mantiveram a média. Assim como Diego Alves, Marcelo Grohe, Marquinhos, Danilo, Alex Sandro e Oscar, que não jogaram.

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.