Retranca e  'caldeirão' do Once Caldas são desafios ao Corinthians

Rival da Pré-Libertadores, equipe colombiana costuma jogar bem fechada em suas visitas e fazer a diferença na altitude de Manizales

Fábio Hecico e Vanderson Pimentel, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2014 | 17h34

A vida corintiana não será fácil na Pré-Libertadores. O time vai encarar o Once Caldas, equipe com forte poder defensivo e que faz do Estádio Palogrande, com 2.160 metros acima do nível do mar, um verdadeiro "caldeirão". Os jogos serão dia 4, no Itaquerão, e 11, em Manizales. Invicto há 17 jogos no Itaquerão, o Corinthians vai precisar muito de seu estádio. O rival colombiano de forte marcação e defesa sólida tem excelente desempenho quando joga em Manizales pela competição intercontinental, mas seu desempenho é fraco como visitante.

Diante do Tolima, em 2011, também sob o comando de Tite, o Corinthians não fez o dever de casa no 0 a 0 no Pacaembu e pagou com a eliminação. Agora, a história terá de ser diferente, já que o Once Caldas costuma lotar o estádio Palogrande (capacidade de 35 mil pessoas) e sufocar seus oponentes. Em 27 jogos sob seus domínios na Libertadores, o Once Caldas venceu 13, empatando outros 11. Só perdeu 3 vezes, duas com escalação 'mista.'

"Contra o Tolima, eu olhava para os refletores e a cabeça ficava assim (inchada). Não era possível, primeira derrota logo na chegada. Eu pensava: não devia ter sido assim, tínhamos de ter passado. Essa lição vamos levar agora e não podemos repetir os erros", disse o técnico Tite, confiante na classificação para a fase de grupos da Libertadores. Campeão em 2004, o Once Caldas caiu muito de produção nos últimos anos por causa de grave crise financeira. Se reergueu com a chegada de um patrocinador forte, mesmo assim ainda não forma equipes com estrelas.

O atual time, por exemplo, tem como maior nome seu goleiro, José Fernando Cuadrado, convocado algumas vezes para a seleção colombiana. A força defensiva é sua arma. Melhor defesa no Campeonato Colombiano, com a terceira campanha, o Once Caldas adora jogar fechadinho e buscar os contragolpes. Foi assim que conseguiu surpreender a todos e levantar a taça de 2004, deixando pelo caminho Santos, São Paulo e o temido Boca Juniors na final da Libertadores.

Naquela campanha, após três vitórias em seus domínios na primeira fase, o Once Caldas apostou em sua retranca para caminhar firme. Na fase de mata-mata, empatou todos os jogos como visitante: 0 a 0 contra o Barcelona, em Guayaquil; 1 a 1 na Vila Belmiro; 0 a 0 no Morumbi; e 0 a 0 em La Bombonera (levou o título nos pênaltis). 

A estratégia será mantida para 2015. A ordem é se fechar e fazer a bola chegar em boas condições no ataque, com destaque para Arias e o 'bad boy' Arango, que já foi cortado de um jogo por chegar ao treino bêbado. De acordo com a imprensa local, o volante Elkin Soto, um dos principais jogadores da equipe que ganhou do Boca Juniors nos pênaltis em 2004, é cotado para assinar com o time novamente. Aos 34 anos, o atleta joga pelo Mainz e fez 26 partidas com a camisa da seleção colombiana.

PEDRA NO SAPATO

Na Colômbia, dizem que o Once Caldas "adora" jogar contra equipes grandes, principalmente se ela for brasileira. Além de deixar Santos e São Paulo para trás em 2004, foram outros três encontros com brasileiros em mata-mata da Libertadores. Em 2011, o Cruzeiro fez campanha perfeita na primeira fase e nas oitavas carimbou 2 a 1 em Manizales.

Tudo levava a crer que a zebra não passearia na Arena do Jacaré. Mas os colombianos foram valentes e aproveitaram bem a expulsão do meia Roger, ainda no primeiro tempo, para marcar 2 a 0 e derrubar os favoritos. Na fase seguinte, novo brasileiro pela frente: o Santos. E a história quase se repete. Depois de perder em casa por 1 a 0, o Once Caldas deu enorme trabalho no Pacaembu no empate por 1 a 1. O time pressionou até o apito final e deixou os santistas calados em vários momentos do encontro.

Já em 2012, diante do Internacional na Pré-Libertadores, o Once Caldas levou 1 a 0 no Sul e só empatou por 2 a 2 em Manizales, apesar de mandar na partida.

DESEMPENHO NA LIBERTADORES

1999 - Quarto colocado do grupo na primeira fase

2002 - Terceiro lugar da chave na primeira fase

2004 - Campeão

2005 - Eliminado nas oitavas de final diante do Tigres (1 a 1 e 1 a 2)

2010 - Eliminado nas oitavas de final pelo Libertad (0 a 0 e 1 a 2)

2011 - Eliminado nas quartas de final para o Santos (0 a 1 e 1 a 1)

2012 - Caiu na Pré-Libertadores diante do Internacional (0 a 1 e 2 a 2)

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