Hélvio Romero/Estadão
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Retrato do campeonato

Se for tetracampeão, o time do Corinthians estará à altura desse fraquíssimo Paulistão

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2020 | 05h00

Se contra o Red Bull Bragantino o gol aos 27 segundos abriu o caminho da vitória, da classificação e a atuação do Corinthians foi bem aceitável, diante do Mirassol, em Itaquera, o time de Tiago Nunes voltou a fazer mais uma apresentação bem fraca. Venceu, chegou a mais uma final paulista, pode ser tetracampeão do Estado, mas o futebol apresentado, como em quase todos os jogos da equipe em 2020, ficou muito aquém do que se espera. Não se viu evolução entre quinta-feira e domingo.

No jogo da fase anterior, no Morumbi, Raphael Claus foi o árbitro. Ele não expulsou Fágner pelo chute nos 'Países Baixos' do adversário, sequer foi chamado pelo VAR e, consequentemente, ignorou o monitor à beira do campo, que poderia ter lhe proporcionado uma visão melhor do que se passara. No domingo, estava no vídeo e, exageradamente, convocou o apitador Vinícius Gonçalves Dias Araújo. Então ocorreu a expulsão de Juninho, 12 minutos antes do gol único do confronto.

Lance capital para o desfecho de mais uma vitória do Corinthians jogando pouco e agradecendo a generosidade do goleiro adversário. Se Júlio César, do Bragantino, engoliu um frango a 27 segundos de peleja, Kewin, do Mirassol, não ficou muito atrás ao 'aceitar' chute de longe do mesmo Éderson que também abrira o placar na quinta-feira. Se for tetracampeão, o time corintiano estará à altura desse fraquíssimo Campeonato Paulista.

O grande clube há mais tempo sem erguer um troféu de campeão proporcionou nova frustração à sua torcida ao ficar pelo caminho no Campeonato Estadual. Além da eliminação do São Paulo diante do Mirassol, um time remendado após a parada forçada pela pandemia do novo coronavírus, chamou a atenção a passividade após o vexame. Um dos elencos mais caros do futebol brasileiro batido e desclassificado por uma equipe que ficara esfacelada nos meses sem futebol.

O Mirassol perdeu nada menos que 18 jogadores e se viu forçado a puxar 11 garotos das divisões de base, fez um ponto em seis possíveis nas duas rodadas disputadas quando o certame recomeçou e se classificou graças a tropeços de rivais. Zé Roberto, inscrito no Paulistão na véspera do jogo disputado no Morumbi, fez dois gols na vitória por 3 a 2 sobre os são-paulinos. Ele passara cinco meses no Baniyas, dos Emirados Árabes, e treinava no Mirassol para manter a forma.

Vergonhoso e constrangedor, como foram as reações de dirigentes tricolores depois do papelão em campo. “O trabalho continuou muito bom, dia a dia, resultado é outra coisa, que a gente tem de buscar melhorar. Mas perdemos dentro de campo, não perdeu na área técnica, nos treinos, na condição física ou na estratégia desde que voltamos”, resumiu, de maneira confusa e contraditória, o gerente executivo de futebol do São Paulo, Alexandre Pássaro. Mas será que o trabalho era bom?

Os dois jogos do São Paulo antes da parada do futebol deixaram uma imagem positiva. O time venceu a LDU (3 a 0), pela Libertadores, e o Santos (2 a 1), ambos no Morumbi, depois as competições foram interrompidas. Mas, antes, perdeu para o fraquíssimo Binacional (2 a 1), na altitude, pelo certame sul-americano, e para o Botafogo de Ribeirão Preto (1 a 0). Com os resultados mais recentes, são quatro derrotas nos sete últimos compromissos do time comandado por Fernando Diniz.

Não se trata de caça às bruxas, de mandar profissionais embora para dar satisfação aos torcedores, mas não é razoável que o São Paulo protagonize papelões seguidos, o time não jogue o que dele se espera e os problemas sejam minimizados com declarações que passam longe da realidade. 

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