Rena Laverty/AFP
Rena Laverty/AFP

Retrospectiva 2018: Relembre as 10 maiores polêmicas do esporte

Ano teve escândalos sexuais em várias modalidades

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2018 | 04h30

O ano de 2018 foi marcado por escândalos sexuais em diversas modalidades. Nos Estados Unidos, o médico Larry Nassar foi condenado a 125 anos de prisão por abusar de ginastas da seleção. Uma delas foi Simone Biles, dona de quatro medalhas de ouro e uma de bronze nos Jogos do Rio. No Brasil, fato semelhante levou o ex-técnico da seleção brasileira masculina de ginástica artística, Fernando de Carvalho Lopes a uma suspensão de 1500 dias. O vôlei feminino do Brasil teve sua primeira atleta transexual, Tiffany, do Bauru. O Estado destacou dez fatos polêmicos que marcaram o esporte.

Escândalos na ginástica

O ex-médico da seleção de ginástica dos Estados Unidos, Larry Nassar, foi condenado a 125 anos de prisão por abusar de 350 garotas e garotos. Nassar foi chefe do departamento médico da federação de ginástica entre 1994 e 2016, período que ocorreram os abusos. Uma de suas vítimas foi a ginasta Simone Biles, vencedora de quatro medalhas de ouro e uma de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O escândalo chocou o mundo esportivo. Com o escândalo, a Federação de Ginástica dos EUA pediu falência. O Brasil também viveu drama semelhante. Em maio de 2018, o ex-técnico da seleção brasileira masculina de ginástica artística, Fernando de Carvalho Lopes, foi acusado de abusar sexualmente de 40 atletas e ex-atletas. O caso veio à tona em reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo. No início de novembro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) anunciou a punição de Fernando. O treinador ficará suspenso por 1.500 dias e terá de pagar uma multa de R$ 300 mil à entidade nacional. Caso parecido aconteceu em 2017, nos Estados Unidos.

A final (quase) sem fim da Libertadores

A Libertadores 2018 foi sem dúvida a mais polêmica de sua história. O ápice aconteceu na final entre Boca e River, que se tornou a mais longa da história. Chamada de "a final do mundo" em função da rivalidade dos dois clubes, a decisão começou bem com um empate eletrizante por 2 a 2 na casa do Boca Juniors. Os problemas começaram no segundo jogo, quando o ônibus do Boca foi apedrejado por torcedores do River na chegada ao estádio. Alguns jogadores se feriram, entre eles, o volante Pablo Perez. O jogo foi adiado. A Conmebol anuncia que a final seria fora da Argentina e anunciou Madri, capital espanhola, como sede do segundo jogo. Os dois times criticaram. Mesmo contrariados, eles jogaram no estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabéu. O fortíssimo esquema de segurança garantiu um jogo pacífico. No final, o River se sagrou vencedor após vitória por 3 a 1 na prorrogação.

Final do Campeonato Paulista

A final do Campeonato Paulista de 2018, em maio, rendeu quatro meses de polêmica. Na partida de volta entre Palmeiras e Corinthians, no Allianz Parque, o juiz Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza apitou um pênalti de Ralf em Dudu. Após uma pausa de oito minutos, o árbitro voltou atrás. Com o empate, a partida foi decidida nas penalidades máximas e o Corinthians sagrou-se campeão. O alviverde entrou com recursos na Justiça para anular a final baseado em acusações de que houve interferência externa na decisão da arbitragem. Vídeo de monitoramento do Allianz Parque foi mostrado como prova, além de mensagens de texto e celular de integrantes da arbitragem. Porém, em setembro o STJD rejeitou o pedido de impugnação da final do Paulistão 2018 e o Palmeiras anunciou que não iria mais recorrer. Toda a situação causou mal estar do clube com a Federação Paulista de Futebol – FPF e o relacionamento entre ambos está cortado.

Abuso sexual na Copa da Rússia

A Copa do Mundo da Rússia foi marcada por casos de abuso sexual contra mulheres. Segundo a Fare, entidade aliada da Fifa no controle de discriminações, 45 casos foram registrados no período da Copa. Grande parte das queixas de assédio partiu de jornalistas esportivas que cobriam o evento. O caso de um grupo de brasileiros assediando uma mulher russa teve enorme repercussão. De acordo com a Fifa, os envolvidos em atos sexistas foram impedidos de entrar nos estádios russos.

As quedas de Neymar na Copa

As frequentes quedas de Neymar nos gramados russos (sofrendo faltas claras ou não) foram muito criticadas, principalmente por estrangeiros. Teve reclamação de ex-jogadores, técnicos, jogadores rivais e até ator de cinema. As crianças imitaram as quedas, que chegaram até a ser analisadas por professores de teatro em Nova Iorque. A observação do ex-atacante inglês Gary Lineker, que falou que o brasileiro “é o mais sensível à dor” no Mundial, foi uma das mais comentadas nas redes sociais. Após o Mundial, o estafe do jogador preparou um plano para recuperar a imagem do atacante do PSG. 

Tiffany, pivô de discussões no vôlei feminino

A ponteira Tiffany Abreu, primeira atleta transexual do vôlei brasileiro, foi contratada pelo Vôlei Bauru quando a FIVB (Federação Internacional de Voleibol) e a CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) deram aval a partir de premissas criadas pelo COI (Comitê Olímpico Internacional). Sua presença iniciou um grande debate sobre a presença de atletas transexuais nascidos homens nos esportes para mulheres. A polêmica deve se estender, pois o COI pretende discutir o tema novamente após os Jogos Olímpico de Inverno, que serão disputados em fevereiro.

VAR na Copa e no futebol brasileiro

O árbitro assistente de vídeo foi a maior novidade da Copa do Mundo. E rapidamente se tornou alvo de críticas e elogios. Em alguns lances, o replay permitiu acertos, como pênaltis marcados ou cancelados com base no vídeo. O número das penalidades máximas aumentou. Também houve momentos em que o árbitro ignorou o vídeo. O uso da tecnologia foi uma das causas do aumento em até quatro minutos no tempo de jogo na Copa. No Brasil, a CBF escolheu as quartas de final da Copa do Brasil para adotar o auxílio eletrônico aos juízes de campo. 

Cristiano Ronaldo é acusado de estupro nos Estados Unidos

No fim de setembro, a revista alemã Der Spiegel publicou uma denúncia de estupro contra o português Cristiano Ronaldo. O caso teria acontecido em 2009, em Las Vegas, e o jogador teria pago para que a vítima não falasse sobre o ocorrido. A ex-modelo Kathryn Mayorga procurou a publicação alemã. Diversas matérias foram divulgadas com documentos oficiais do processo, revelando os acordos e o valor de 375 mil dólares pelo silêncio. Cristiano Ronaldo foi a público para dizer que as informações eram falsas. Ele foi defendido pela Juventus, seu atual time. 

Doping na Rússia

Após escândalos de doping, o esporte na Rússia voltou a estar sob suspeita na Copa do Mundo. A seleção anfitriã foi a que mais correu na competição, o que levantou suspeitas pelo histórico em outras modalidades. Denúncias e questionamentos foram feitos, como no caso da Agência Nacional Antidoping dos EUA (Usada). O tema se transformou em uma pergunta incômoda para o técnico russo Stanislav Cherchesov, que se recusou a responder sobre o assunto.

Apoio políticos dos atletas

A polarização política das eleições, especialmente no segundo turno da eleição presidencial, também chegou ao esporte. Manifestações dos jogadores de futebol na última rodada do Campeonato Brasileiro e dos atletas de vôlei levaram os clubes a se posicionarem. Foi o caso do Palmeiras, que emitiu nota oficial depois de o volante Felipe Melo ter dedicado, durante uma entrevista, o gol marcado no empate por 1 a 1 com o Bahia, em Salvador, ao então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). Suposta manifestação de apoio a Bolsonaro de dois jogadores da seleção masculina, após vitória sobre a França, durante o Mundial, fez com que a Confederação Brasileira de Vôlei proibisse expressões políticas na equipe. 

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