Fabio Menotti/SE Palmeiras
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Revelações do Palmeiras poderiam bancar uma década de investimento nas bases do clube

Clube já recusou oferta por jogadores que surgiram nas categorias inferiores e atualmente estão no time principal com Abel Ferreira, como Patrick de Paula e Gabriel Menino: opção da diretoria foi mantê-los. Geração campeã da Copinha começa a se apresentar

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2022 | 11h00

Nenhum garoto das bases é vendido pela moeda brasileira. Todas as conversas nesse sentido são baseadas em dólar ou euro. O Palmeiras, campeão da Copinha, por exemplo, já recusou a moeda da Europa por uma série de jogadores forjados nas categorias de baixo. A maioria deles faz parte do elenco de Abel Ferreira atualmente. Essas são as duas razões de formar jogadores nos clubes: usar no time de cima e fazer dinheiro. É o DNA do futebol do Brasil. A nova safra começa a despertar interesse dos times europeus. O garoto Endrick teve sua foto estampada na capa do jornal espanhol Marca, que informa o interesse do Real Madrid. O clube estaria disposto a pagar R$ 154 milhões. Endrick tem 15 anos e ainda não fez contrato com o Palmeiras, o que deverá acontecer apenas em 21 de julho, pelas leis trabalhistas de menor de idade. 

O Palmeiras tem feito bem esse trabalho nas bases. E vai recebendo ofertas. Gabriel Veron não sai por menos de 25 milhões de euros (R$ 153 milhões). É bem verdade que o atacante surgiu como um tsunami e perdeu forças devido a uma série de contusões e talvez esse valor tenha caído. Esse dinheiro era o que o Palmeiras queria pelo jogador. Não queria vender, mas havia um preço fixado na cabeça dos dirigentes. Danilo, que também está no time principal, não sai da Academia por menos de 15 milhões de euros, o equivalente a R$ 91 milhões. E assim a base vai dando frutos para a instituição.

Gabriel Menino foi avaliado antes de ganhar a Libertadores de 2021 por 20 milhões de euros (R$ 122 milhões). Patrick de Paula, entre 15 milhões e 20 milhões de euros. Por isso que o Palmeiras é exemplo de uma base bem acabada, bem gerida, com investimento e resultados. Resultados de campo e resultado financeiro se o clube se interessar em negociar alguns dos seus garotos. Os dois caminhos são naturais. E inevitável. Há clubes que preferem vender a revelação antes mesmo de ela subir ao profissional. É uma opção legítima. Os clubes estão sempre passando o pires.

No caso Endrick, de 15 anos e principal jogador da Copinha com o Palmeiras, há dois caminhos: mantê-lo no clube e fazendo-o crescer ou repassá-lo depois dos 16 anos, quando ele poderá ter seu primeiro contrato de trabalho. Se isso acontecer, pelas leis de menor de idade, o Palmeiras fica com ele até os 18 anos. Ele e sua família já disseram que vão permanecer no clube paulista.

Aqui vale fazer uma ressalva de todos os sentimentos envolvidos entre menino e clube, como gratidão e respeito. Sua família também é grata ao Palmeiras. Mas na concepção da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), esse tipo de sentimento não existe. O Cruzeiro, de Ronaldo, se desfaz de atletas com muita história no clube. É assim que funciona. O restante é discussão de bar. Fica. Sai. Sobe. Vai para o Mundial. Disputa o Estadual. Registra no Brasileirão. Vende. São decisões tomadas por quem deve comandar o clube, pagar as contas e manter a entidade em dia financeiramente. Assim é a SAF.

De modo geral, os clubes do Brasil tratam bem as categorias de base há algum tempo. Pelo menos os mais conscientes, que enxergam nas bases o melhor caminho para melhorar seus times de cima a cada temporada. É preciso ter investimento, boa gestão, paciência e comprometimento para que os resultados apareçam. Entende-se aqui por resultados a revelação de garotos para o grupo profissional, principalmente. Voltando para o Palmeiras, o clube subiu vários deles nas últimas temporadas. E agora, após ganhar a Copinha, pode ter outros mais dando o ar da graça nas divisões principais.

Alguns podem ser emprestados para ganhar experiência jogando. O fato é que há um projeto nos clubes para todos eles, e se nem todos pensam assim, deveriam começar a rever alguns conceitos. Não dá para pular etapas. Ganhar ou perder a Copinha tanto faz. Claro que é melhor ganhar, mas o propósito desses meninos é muito mais do que isto. Alguns desses moleques que estão com Abel Ferreira jogaram a Copinha e não venceram, mas já têm no currículo o troféu da Libertadores. Entende?

E cada um deles que deixam o Palmeiras com destino à Europa, por exemplo, devolve ao clube todo o investimento feito em sua formação. Com sobras, muitas sobras. Uma única venda pode pagar o investimento nas bases de uma temporada inteira, ou até mais de uma. O Palmeiras investiu perto de R$ 100 milhões nos últimos três anos da gestão de Maurício Galiotte nas categorias inferiores do clube. E assim vai seguir com Leila Pereira, segundo promessa de campanha.

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