Alexander Zemlianichenko/AP
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Reverenciado por Fifa, Putin diz que Copa vai mudar imagem da Rússia

Apesar de permanecer por menos de dez minutos no local, com mais de mil dirigentes esportivos, Putin foi a principal atração do encontro

Jamil Chade, enviado especial/Moscou, Estadão Conteúdo

13 Junho 2018 | 06h09

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, garante que a Copa do Mundo que começa nesta quinta-feira, em Moscou, vai ajudar a mudar imagem do país. Num discurso durante o Congresso da Fifa, o chefe do Kremlin foi reverenciado pelos cartolas e aplaudido de pé. 

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Apesar de permanecer por menos de dez minutos no local, com mais de mil dirigentes esportivos, Putin foi a principal atração do encontro.

Mas deixou claro que a Copa não é um aspecto apenas esportivo para ele. "O esporte vai além da política", insistiu. "Não se trata apenas de um espetáculo. Mas serve para que o mundo conheça uma nação, entender que os países também são gentis e abertos e que querem viver em paz", declarou. 

Com uma imagem negativa nos últimos anos no Ocidente por conta da invasão da Crimeia e polemicas sobre o envolvimento nas eleições americanas, a aposta de Putin é de que a Copa mude essa percepção. "O objetivo é que todos sintam a hospitalidade de nossa nação e entender nossa cultura única e o nosso caráter", insistiu Putin.  

Ele, porém, deixa claro que a preparação para sediar a Copa foi "um grande teste" para a Rússia. "O nosso país está preparado. Foi um longo e complicado caminho até a Copa", disse, que aposta em um Mundial "inesquecível e perfeito". 

Putin ainda elogiou a Fifa e seu presidente, Gianni Infantino, por manter "um sentimento positivo com a Russia". "Ele assumiu a Fifa em um momento complicado. É um lutador real", completou.

A relação entre Putin e a Fifa não tem qualquer semelhança entre o governo brasileiro de Dilma Rousseff e Joseph Blatter. Em 2014, no Congresso da Fifa que ocorre um dia antes do início do Mundial, a então presidente brasileira sequer foi ao evento do futebol. Naquele momento, os escândalos de corrupção envolvendo os dirigentes começam a dar sinais do que poderia ocorrer, meses depois com suas prisões.

Blatter, naquele momento, criticou internamente a ausência da brasileira, que também era questionada pelos gastos públicos com a Copa. 

Nesta terça-feira, Putin permaneceu por menos de dez minutos no local. Mas entre os delegados da Fifa, o sentimento era o de reverência diante do czar. Durante a abertura do Congresso da entidade, em Moscou, o presidente da entidade, Gianni Infantino, não poupou elogios aos russos. "Essa será a Copa mais bonita que o mundo já viu", disse em duas ocasiões diferentes. 

"Do fundo do coração, um enorme agradecimento a sua paixão e compromisso", disse Infantino à Putin, diante de todos. 

 

Alexey Sorokin, CEO da Copa, tampouco deixou dúvidas. "Estamos prontos. A Rússia está pronta", disse. Segundo ele, 170 locais onde estarão seleções ou torcedores contam com uma forte segurança. Apenas em agentes privados, 21 mil pessoas serão usadas, além de 17 mil funcionários internos nos estádios e um número não revelado de soldados. 

 

 

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