Ricardinho e Kléber têm condição para volta

Se Ricardinho e Kléber quiserem ficar no Corinthians terão de baixar - e muito - os seus padrões de vida. A diretoria já decidiu que não aumentará o teto salarial no Parque São Jorge. Independente das necessidades do time e do desespero de Oswaldo de Oliveira por reforços. O clube continuará pagando no máximo R$ 90 mil mensais. "O Corinthians é um clube que só age dentro das suas possibilidades. Estamos no Brasil e não na Europa. Infelizmente arrecadamos em reais e também pagamos em reais. Quem vier atuar aqui já sabe que pagamos de acordo com as nossas possibilidades. Não fazemos como vários clubes que prometem milhões e só dão calote. Nós temos os nossos limites e acabou", avisa o vice presidente Roque Citadini.O recado é claro. Ricardinho ganhava no ano passado R$ 240 mil entre salários e luvas do São Paulo. No Middlesbrough o meia já teve de baixar um pouco. Nos três meses nos quais apenas treinou no time inglês - não ficou sequer no banco de reservas --, ganhou R$ 200 mil mensais.Kléber também está acostumado com outros parâmetros financeiros. No seu empréstimo ao Hannover que está no último mês, ele ganha cerca de R$ 160 mil. Mesmo se o Corinthians não estivesse mergulhado em grave crise financeira, a diretoria não iria pagar os mesmos salários aos atletas que Oswaldo implora para ser contratados. Haveria um choque entre os jogadores que já estão no Parque São Jorge.Rogério e Fábio Costa são os que recebem o teto salarial de R$ 90 mil. Marcelo Ramos, Gil e Rodrigo ganham R$ 60 mil. Rincón acertou por R$ 50 mil. Se Ricardinho e Kléber viessem ganhando o dobro haveria o enorme desconforto com a disparidade.Os dirigentes sabem que ou aumentam os recebimentos dos outros atletas ou terão de correr o risco de boicote. Exatamente como aconteceu no São Paulo, quando alguns atletas durante as partidas difíceis nas quais Ricardinho estava em campo, costumam gritar por pura provocação: ?passa a bola para os 300 mil que ele resolve?. O meia tinha o significativo apelido de "300 mil" em referência ao seu salário.Os cartolas do futebol brasileiro quando estão reunidos conversam muito. Tanto que o teto salarial corintiano já chegou aos ouvidos da cúpula do Atlético Paranaense. Dispostos a investir bem mais em Ricardinho que o clube paulista, o Atlético propôs aos representantes do meia salários de R$ 150 mil para que ele dispute o Campeonato Brasileiro. A favor além do dinheiro está o fato de toda a família de Ricardinho ser de Curitiba.Desafio - Do outro lado existe a vontade do jogador em dar a volta por cima nos gramados paulistas. Ele ainda não se esquece do fracasso que foi no São Paulo. Pretende mostrar que o problema estava no clube do Morumbi e os seus insistentes atrasos de salário. Citadini e Oswaldo de Oliveira fazem o possível para seduzi-lo na aposta da volta. Acenam que se o time começar a ganhar, os salários irão subir.Não há o mesmo esforço em relação a Kléber. "Se o Corinthians conseguir uma equipe européia que deseje o seu empréstimo por mais um ano, vamos negociá-lo", revela Citadini. O problema é que Kléber tem apenas mais um ano de contrato. Depois estará livre para atuar onde quiser. O clube paulista pretende ganhar o ?máximo que puder? com ele, antes de liberá-lo. Só se não houver proposta, ele retornará.A grande aposta de Oswaldo de Oliveira para o ataque já não existe mais. Reinaldo continuará no Paris Saint-Germain. Além de não aceitar reduzir seus salários de R$ 180 mil pela metade, o clube francês pediu R$ 10 milhões para liberar o atleta. Piada de mau gosto diante da triste situação financeira corintiana.

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