Ricardinho não tem grandes opções

Ricardinho terá de se acostumar a ficar fora da vitrine, depois de mais de cinco anos de fama. Desde 1998, quando chegou ao Corinthians ainda com pouco destaque, até o fim do ano passado, no São Paulo, o meia sempre esteve entre os principais jogadores do futebol brasileiro - tanto que participou da conquista do Mundial de 2002. Agora, porém, seu tio e procurador, Rubens Pozzi, tenta definir sua transferência para clubes considerados médios da Europa, que não têm tanta repercussão nem pagam os mesmos valores que recebia no Morumbi.É o preço pelo fraco desempenho em quase 1 ano e meio no São Paulo, onde não conquistou título e marcou apenas cinco gols. Para onde vai Ricardinho? O empresário mantém sigilo. "Não quero especulações", diz Rubens Pozzi. Mas ele já negocia e pode definir o rumo de seu sobrinho em poucos dias. O Panathinaikos, da Grécia, é um dos fortes candidatos e já fez contato, segundo pessoas próximas ao atleta. Clubes do futebol coreano também têm interesse, mas seu destino mais provável é a Europa."O Ricardinho tem mercado na Inglaterra", opina Dick Law, ex-executivo da Hicks Muse. O norte-americano atualmente intermedia negociações, principalmente com o futebol inglês, embora não participe desse caso. Apesar de não dizer publicamente, Dick Law admite que, no momento, Ricardinho pode atuar por times médios, como o Everton, e não de primeiro nível, como Arsenal, de Gilberto Silva e Edu, ou Manchester United, de Kleberson."Só que a faixa salarial mudou drasticamente nos últimos dois anos na Inglaterra", afirma Dick Law. Ele quis dizer que, mesmo jogando na Europa, Ricardinho não vai conseguir ter os mesmos vencimentos dos tempos de São Paulo: R$ 270 mil mensais (incluindo direito de imagens e luvas) ou R$ 3,24 milhões por ano. No Velho Continente, deverá ganhar, no máximo, a metade dessa quantia.Não é 100% descartada a possibilidade de o jogador permanecer no Brasil, mas as chances de isso ocorrer são remotas. Ninguém, pelo menos por enquanto, mostrou disposição em pagar caro para levá-lo.No acordo feito entre São Paulo e Corinthians, na ocasião de sua contratação, em 2002, havia uma cláusula que previa que o clube de Parque São Jorge teria direito a 20% do valor total de uma eventual negociação com o exterior até 30 de junho de 2004. O São Paulo ficaria com a maior parte. Antonio Roque Citadini, vice de futebol corintiano, chegou a questionar a situação e a perguntar como ficaria o seu clube nessa história. Ninguém no Morumbi levou a sério as declarações de Citadini. Como o contrato de Ricardinho foi rescindido e o São Paulo não vai receber nada, o Corinthians também ficará sem nada, pois não há nenhuma outra cláusula que proteja a agremiação. O próprio Citadini sabe disso e vai esquecer o caso.

Agencia Estado,

13 de janeiro de 2004 | 20h14

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