Ricardinho terá bônus do Corinthians

O fracasso nas negociações para a transferência de Ricardinho para o São Paulo teve o efeito de uma conquista de título no Parque São Jorge e o jogador pode até receber uma compensação financeira pelo dinheiro que vai deixar de ganhar com a mudança de clube. Porém, esse é um assunto para o futuro porque ainda há a possibilidade de o meia, que tem passaporte italiano, ir para um clube europeu. A venda do ídolo para o exterior é vista com naturalidade, ao contrário da ida do jogador para o Morumbi, que seria interpretada como um sinal de fragilidade econômica em relação a um dos principais rivais no futebol paulista. Os dirigentes corintianos confirmam que o tio e procurador de Ricardinho, Rubens Pozzi, recebeu três propostas internacionais, porém se recusam a falar até mesmo de quais países são os clubes interessados e muito menos se já foram feitos contatos oficiais. De acordo com o vice de Futebol, Antônio Roque Citadini, a estratégia financeira do departamento não terá que passar por nenhuma alteração para manter Ricardinho, mesmo se houver um reajuste salarial. A explicação é que já estava decidido que a contenção de despesas seria a partir das novas contratações - Carlos Alberto Parreira está pedindo mais um meia armador e dois atacantes prontos para entrarem no time, se necessário, além da prorrogação do empréstimo de Dida. A idéia é obter reforços a custo zero, com trocas ou parceria com empresários e fazer contratos com os novos jogadores dentro da realidade do futebol brasileiro. O que deixa o Corinthians numa situação menos aflitiva quanto à folha de pagamento é que com a saída de Luizão o clube passou a economizar R$ 418 mil mensais e se Dida não continuar, serão mais R$ 230 mil. Além disso, o clube é credor da CBF, que está devendo as cotas da Copa do Brasil e o ressarcimento dos salários de Dida, Vampeta e Ricardinho referente ao período em que os três ficaram na seleção brasileira. "As receitas do futebol estão caindo continuamente e a política do Corinthians é adaptar as despesas às receitas. Isso vale para Ricardinho ou para qualquer outro jogador. É evidente que alguns justificam salários diferenciados. A principal mudança é quanto aos contratos dos reforços que deverão ser adquiridos", afirma Citadini, que embora se negue a falar sobre valores, deu a entender que realmente poderá haver uma compensação para Ricardinho caso não se confirme a sua saída para o exterior. "Nunca tivemos a menor dificuldade para negociar com Ricardinho. Longe de ser um problema, a permanência dele é uma solução porque o time precisa de ídolos, principalmente para disputar a Libertadores da América, no ano que vem." Enquanto Parreira não se cansa de enaltecer as virtudes técnicas de Ricardinho, o meia comportou-se nesta quinta-feira como quem pretende se esquecer de uma situação incômoda. Terminado o treino técnico da tarde, no Parque São Jorge, ele se colocou diante das câmeras e microfones e cinco vezes repetiu a resposta. "Não tenho mais nada a comentar." Depois, ele passou a falar que o seu objetivo é continuar o seu trabalho. "Tenho contrato com o clube e estamos nos preparando para o Campeonato Brasileiro, algo que já vem sendo feito. Acho fundamental começar bem o campeonato para depois não termos problemas de classificação na reta de chegada." Ricardinho passou a falar sobre outros assuntos, para evitar que o assunto São Paulo fosse retomado. Falou que teve apenas dois contatos, por telefone, com Dida após a Copa do Mundo. "O primeiro foi quando eu estava em Curitiba e o outro acho que na semana passada, mas não falamos sobre a situação dele. Primeiro quis saber se eu tinha visto a mala dele que foi extraviada na viagem de volta ao Brasil e respondi que sim e que ela estava com a Varig. E só. É claro que seria bom que ele permanecesse com a gente porque além de ser goleiro da seleção, é um grande amigo."

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