Ricardo Gomes fica empolgado com seleção

A atuação que os meninos da seleção Sub-23 tiveram quarta-feira contra os Estados Unidos, na semifinal da Copa Ouro, deu ao técnico Ricardo Gomes mais convicção ainda de que tem um grupo especial nas mãos. Depois de jantar, já na madrugada de quinta-feira, ele desceu para o saguão do hotel em Miami e mostrou que está cada vez mais impressionado com o que os garotos podem fazer. "A partida que eles fizeram contra os Estados Unidos chegou a ser surpreendente. O time não se desorganizou quando ficou em desvantagem, continuou atacando, empatou a dois minutos do final e foi para cima na prorrogação. Pelas circunstâncias do jogo, foi a vitória mais marcante do trabalho que começou em janeiro no Torneio do Catar. Esses meninos jogam muito, com muita confiança. E têm maturidade", elogiou Ricardo Gomes.O treinador acredita que o time está mostrando que é possível aliar disciplina ao estilo brasileiro de jogar, com ofensividade e alegria. "Queria uma equipe organizada, mas que não ficasse amarrada pelo esquema. E é isso que temos. O time se posiciona bem e, quando tem a bola, vai para cima com coragem e técnica. Temos um grupo forte psicológica, tática e fisicamente, mas não seria o time que é se não fosse a técnica desses jogadores."Independentemente do resultado da final de domingo, o treinador se considera satisfeito por ter conseguido formar um grupo que poderá fazer bonito no Pré-Olímpico de janeiro, no Chile. "O pessoal que veio para a Copa Ouro leva uma vantagem enorme na briga para estar no grupo que irá ao Chile. Não só pelo que fez em campo, mas também pela maneira como se relacionou na concentração. É sacanagem o que esses meninos se querem bem, o tanto que eles se entendem", revelou Ricardo Gomes.Como ex-jogador, Ricardo Gomes identifica em pequenos detalhes os sinais de que o grupo se entrosou. "Vou dar um exemplo: não existe assunto que não interesse a pelo menos quatro ou cinco jogadores. Sempre tem uma rodinha, você nunca vê ninguém sozinho. E isso aconteceu naturalmente, sem ninguém forçar a barra", contou.A confiança que tem nos meninos é tão grande que ele tem certeza de que não é preciso vigiar ninguém para coibir eventuais excessos. Por isso, deu o domingo inteiro de folga para o time depois da vitória sobre a Colômbia nas quartas-de-final e liberou os jogadores das 10h às 18h desta quinta-feira para passear por Miami e fazer compras. "Sei que ninguém vai beber nem se desgastar. Dei essas folgas porque não dá para levar os garotos a ferro e fogo, é preciso dar espaço para eles extravasarem um pouco depois de uma grande vitória."O comportamento dos jogadores fora de campo agrada muito ao treinador, mas é o que eles fazem quando calçam chuteiras que mais o deixa feliz. Ele abriu um sorriso quando soube que o técnico e os jogadores norte-americanos rasgaram elogios para o time que dirige, especialmente para Kaká e Diego. "Esses dois são demais. Contra os Estados Unidos mostraram que são as referências desta geração. Vou dizer uma coisa: deve ser uma delícia ser atacante num time que tem o Kaká e o Diego, porque eles sempre dão um jeito de fazer a bola chegar redonda na frente. E eles poderiam ter produzido até mais se o juiz não permitisse que apanhassem tanto. Numa Copa do Mundo, com a arbitragem mais rigorosa, eles teriam mais liberdade para jogar", afirmou Ricardo Gomes.

Agencia Estado,

24 de julho de 2003 | 19h24

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