Ricardo Gomes vai escalar Kaká no ataque

O Brasil estreou na Copa Ouro perdendo por 1 a 0 para o México hoje à tarde no Estádio Azteca e terá pelo menos uma mudança na escalação para o jogo de vida ou morte terça-feira (23h, horário brasileiro) contra Honduras. Não que o técnico Ricardo Gomes não tenha gostado do time. Mas ele quer mudar a característica do ataque e por isso já anunciou hoje mesmo que Kaká começará jogando mais avançado - no lugar de Ewerthon - e alguém entrará no meio-de-campo. "Nosso melhor período na partida de hoje foi quando o Kaká jogou na frente e o Thiago Motta no meio. Como não tenho um homem de área, o Kaká é a melhor opção para servir de referência no ataque." Os elogios a Thiago Motta não significam que o meia do Barcelona está garantido no time. Ricardo Gomes disse que ele ainda não tem condição para jogar os 90 minutos - estava de férias desde que o seu time encerrou a temporada e só voltou a treinar terça-feira - e por isso vai pensar se o colocará desde o início ou guardá-lo para o segundo tempo. O fato de o jogo contra Honduras ser à noite - o de hoje começou às 12h, com sol a pino - pode ajudá-lo a se decidir por Motta. "Vou pensar nisso amanhã." A outra opção é Carlos Alberto, do Fluminense. A adaptção de Kaká como atacante é a maneira que ele encontrou para tentar suprir a ausência de Adriano, o homem de área que será titular no Pré-Olímpico de janeiro, no Chile, e que só não está no México porque disputou a Copa das Confederações pela Seleção principal e ganhou férias para se apresentar bem ao Parma. Na opção com dois atacantes rápidos e que jogam abertos, como Ewerthon e Robinho, o time precisa ter uma movimentação e um entendimento que ainda não teve tempo para conseguir. "Às vezes um jogador acabava ficando isolado e tinha de tentar o lance individual. Foi por isso que gostei mais do time quando o Kaká foi para a frente. Ficamos mais equilibrados." Mas apesar da derrota, Ricardo Gomes gostou do que viu hoje. "Mesmo com pouco tempo de treino, dominamos o México a maior parte do tempo e criamos muito mais chances para marcar. Eles ganharam porque o Borgetti é muito eficiente nas bolas altas e soube aproveitar a única chance que teve para cabecear. Mas estou tranqüilo, porque se jogarmos assim de novo contra Honduras vamos ganhar. Estamos tristes, mas de cabeça erguida e com confiança." A única crítica do treinador foi com relação a uma decisão do árbitro salvadorenho Rodolfo Sibrian. Ele reclamou da não marcação de uma falta clara do goleiro Oswaldo Sanchez sobre Kaká, aos nove minutos do segundo tempo. "Na minha opinião, ali foi falta e o goleiro deveria ter sido expulso. O jogo estava 0 a 0 naquele momento e por isso fomos prejudicados." Quando um jornalista mexicano lhe perguntou se o Brasil havia perdido por causa da juventude de seus jogadores ou dos efeitos da altitude (2.300m acima do nível do mar), o treinador foi claro: "Só nos faltou um pouco mais de sorte. Como já disse, nós tivemos muito mais chances do que o México."

Agencia Estado,

13 de julho de 2003 | 20h11

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