Ricardo Guimarães, do banco BMG, que patrocina alguns clubes brasileiros, é condenado pelo mensalão

Seu banco tem o patrocínio de 28 clubes de futebol no Brasil e o direito contratual de dezenas de jogadores: sua pena é de sete anos de prisão

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

28 Outubro 2012 | 15h52

RIO - Ele é um dos homens mais influentes do futebol brasileiro. Dono e presidente do Banco BMG – o maior patrocinador de times no País –, o mineiro Ricardo Guimarães foi condenado no último dia 15, pela Justiça Federal em Minas Gerais, a sete anos de prisão por participar do esquema do mensalão. Seu poder não se limita ao patrocínio de camisas. Só em 2011, alguns dos principais clubes terminaram o ano devendo pelo menos R$ 253 milhões ao banco em empréstimos. Atletas como Paulinho, Dedé e Montillo têm parte de seus direitos vinculados ao fundo de investimentos do BMG, o Soccer BR1.

O atual camisa 10 da seleção brasileira, Oscar, também fazia parte do portfólio do grupo, que lucrou com a venda do meia para o Chelsea – a segunda maior transação da história do futebol brasileiro, no total de 30 milhões de euros (cerca de R$ 80 milhões). O Soccer BR1, no entanto, não revela qual era o porcentual.

Guimarães, de 51 anos, é mineiro de Belo Horizonte e já nasceu herdeiro de banco. O Banco de Minas Gerais (só passou a adotar a sigla BMG em 1963) foi fundado pelo avô de Ricardo, Antônio Mourão Guimarães, em 1930. O acionista majoritário do banco é o filho de Antônio e pai de Ricardo, Flávio Pentagna Guimarães, de 84 anos – também condenado pela Justiça Federal em Minas, mas a 5 anos e seis meses de prisão, por participar do mensalão.

Da família, Ricardo herdou um império – os Pentagna Guimarães têm negócios que vão do agropecuário ao imobiliário. Um dos metros quadrados mais valorizados de Belo Horizonte, o bairro Belvedere foi loteado e ocupado pela família. No aniversário de 15 anos da filha, Ricardo contratou para a festa a banda predileta dela, o grupo de axé Jammil e Uma Noites, autor do hit adolescente “Sou Praieiro”.

A paixão pelo futebol transmitiu ao filho, Flávio Pentagna Guimarães Neto, também atleticano (e conselheiro do clube), que o acompanha em agendas do Soccer BR1 e BMG. Em julho, durante treino da seleção olímpica na Gávea, no Rio, Ricardo e o filho circulavam com liberdade e naturalidade entre os atletas, como se fossem altos dirigentes da CBF. No entanto, o braço direito de Guimarães, Hissa Elias Moysés, diretor geral esportivo do fundo, nega qualquer ligação com a entidade.

Os dois se conheceram em 1999, no Atlético-MG. Foram diretores do clube. Entre 2001 e 2006, Guimarães foi presidente. Em sua gestão, o Galo caiu para a Série B do Brasileiro, em 2005, e voltou, no ano seguinte. Hoje, o Atlético-MG deve a Guimarães mais de R$ 90 milhões, dívida adquirida no “dia a dia”, segundo Moysés. “Como todos os clubes devem, o Atlético-MG também devia. Mas, antes de recorrer a bancos, recorreu a ele”, disse.

Já fora do Galo, o banqueiro começou a apostar no patrocínio de camisas em 2007. Quando marcou seu milésimo gol (nas suas contas), em 2007, Romário vestia a camisa do Vasco – estampadas nela, as letras na cor laranja do logotipo do banco. Em 2010, o BMG patrocinou o Atlético-MG, mas o boom veio em 2011, quando esteve presente em 39 camisas do futebol brasileiro, nove da Série A. Conseguiu tornar a marca mais conhecida e diminuiu o patrocínio em 2012: 28 times.

No fim de 2009, criou o Soccer BR1, nos moldes de outros como Traffic e Sonda. Como filosofia, a prioridade aos atletas com menos de 30 anos. Desde 2009, quando foi registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Soccer BR1 aumentou seu patrimônio líquido em 500%, passando de R$ 8,35 milhões para R$ 50,42 milhões.

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