Ricardo Saybun/AGIF
Ricardo Saybun/AGIF

Ricardo Oliveira diz que ainda não foi procurado para renovar

Atacante tem vínculo até o fim do Campeonato Paulista

SANCHES FILHO, O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 20h02

A dois meses de completar 35 anos de idade, Ricardo Oliveira, não pensa em aposentadoria e se nega a projetar o futuro. "Prefiro manter o foco no meu trabalho no momento". Se a decisão fosse apenas dele, ao fim o atual contrato por produtividade, dia 4 de maio, faria um novo, bem mais longo e, certamente, para ganhar bem mais do que os R$ 50 mil que recebe por mês, mas não sabe quais são os planos do Santos para ele.

"Ainda não vieram falar comigo. Não tivemos nenhum tipo de conversa. É uma coisa que não me preocupa. Estou muito feliz, independentemente se vou ficar ou não", afirmou, sem descartar a possibilidade de jogar por outro brasileiro. "Estou muito feliz de retomar a carreira aqui, me sentir importante e, novamente, um atleta. Já deixei isso muito bem claro. Estou muito mais feliz por estar recompensando dentro de campo. Eu não vim aqui para deixar as coisas acontecerem. Vim para fazer as coisas acontecerem, com muita dedicação, muito respeito, compromisso, honrando essa camisa, porque o Santos é um clube mundialmente reconhecido. Sou grato ao clube que me abriu as portas para voltar a jogar no Brasil e minha prioridade é ficar no Santos, mas não depende só de mim".

Na relação custo-benefício, Ricardo é o jogador mais barato do time do Santos no momento. Nos cinco últimos jogos, ele deu assistência para cinco gols e marcou três, situação muito diferente à de Leandro Damião, no ano passado. O ex-artilheiro do Internacional ganhava R$ 600 mil por mês, não correspondeu como goleador, atrasou a evolução de Gabriel e poderá se transformar numa ''aventura'' de mais de R$ 50 milhões aos cofres santistas se o grupo maltês de investimentos no futebol Doyen Sports não conseguir colocá-lo no futebol europeu nas próximas janelas de transferências.

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"Eu sempre destaquei que era importante ajudar coletivamente. Nós somos muito exigentes, nossa cultura é assim mesmo. Quando falam de Romário, Adriano, Ronaldo, não tinha como jogar (na seleção brasileira). Temos grandes jogadores, números 9 no Brasil, mas pode ser que estes grandes jogadores não estejam vivendo bons momentos", desconversou ao ser questionado se já se considera um dos mais importantes atacantes em atividade no futebol brasileiro. "Acho que é mais em razão de as coisas estarem sendo bem feitas no Santos. Agradeço pelo privilégio de poder vestir essa camisa mais uma vez".

No começo do ano, quando os principais titulares do time de 2014 começaram a entrar na Justiça em busca da liberação por falta de pagamento de salários, a primeira sugestão que a nova diretoria ouviu, até de Pelé, foi para outra vez recorrer à inesgotável base santista. Àquela altura ninguém poderia imaginar que a solução no aproveitamento de jogadores que tinham feito sucesso nos primeiros anos do novo século, como Renato, titular absoluto do meio de campo, e Robinho e Ricardo Oliveira, que foram a que começa a despontar como a mais eficiente dupla de atacantes do futebol brasileiro.

"O Santos atual é uma mescla de jogadores experientes com garotos. Esse contraste é legal, mas o Santos não deixa de ser um clube formador. Nenhum clube dá tanta oportunidade para os garotos", disse.

Sem perder de vista a promessa de ser o artilheiro do Campeonato Paulista, que fez ao ser apresentado como um dos menos votados dos sete reforços do início de temporada, Ricardo diz que um dos segredos para se manter bem, mesmo já tendo passado dos 30, é sempre se cobrar.

"E não sou apenas eu. Tem também o filho, que é santista e me dobra muito. Depois do jogo contra o Palmeiras, quando cheguei em casa e a minha esposa me falou que o Anthony (tem 11 anos de idade) não tinha dormido ainda. E eu perguntei por que, é a resposta foi que ele disse que estava muito feliz pelo resultado (do clássico), pelo gol que eu fiz, e que ele não conseguia dormir. Ele estava em uma alegria tão grande que não conseguia dormir. E hoje eu pude ver que ele realmente não dormiu, porque tive muito trabalho para acordá-lo para ir para a escola".

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