Ricardo Teixeira e CBF na mira da PF

Três anos e meio depois de encerrada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol no Senado, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e seu presidente, Ricardo Teixeira, passam novamente a ser alvos de investigação da Polícia Federal. Inquérito aberto na Delegacia de Polícia Fazendária da PF apura se a entidade encobre irregularidades no pagamento dos salários de seus dirigentes e funcionários.Há suspeitas de que dirigentes da CBF tenham cometido crimes de sonegação fiscal e previdenciária. "Fiz uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) após obter informações e comprovantes de dentro da CBF sobre ?erros? no pagamento desses salários", disse o deputado federal Doutor Rosinha (PT-PR). Por meio de determinação do MPF, a PF instaurou o inquérito. "Essa investigação tem de ser extensiva à declaração à Receita dos valores em dinheiro oferecidos pela CBF como premiação pela conquista do Mundial de 2002", afirmou Doutor Rosinha.O secretário-geral da CBF, Marco Antonio Teixeira, tio de Ricardo, e o tesoureiro da entidade, Ariberto Pereira Filho, serão chamados para depor, possivelmente em maio.Já Ricardo Teixeira está mais uma vez sob a mira da Polícia Federal por causa da reabertura de outro inquérito, de responsabilidade da Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros (Delefin) da PF, que vai investigar suspeita de crime de evasão de divisas e lavagem de dinheiro numa empresa de propriedade do dirigente, a RLJ Participações.Quem determinou a reabertura do inquérito na Delefin foi o procurador federal Marcelo Freire. Ele entendeu haver indícios claros de delito no caso e não aceitou o arquivamento do mesmo inquérito, no final do ano passado. Marcelo Freire revelou que só vai se pronunciar sobre o assunto depois da conclusão das investigações, em três meses. O procurador teve atuação importante na CPI do Senado e não conseguiu explicação para as relações estreitas entre a RLJ Participações e a Sanud Etablissment, empresa com sede no paraíso fiscal de Liechtenstein e que numa única operação havia depositado R$ 2,9 milhões na conta da RLJ.Para o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP), há farta documentação em poder da Justiça "com evidências" sobre irregularidades cometidas por Ricardo Teixeira e a CBF. "A Polícia Federal demorou muito para concluir que deveria arquivar vários inquéritos. Mas a persistência de jovens procuradores e delegados pode esclarecer muitas coisas, para o bem do futebol", contou Silvio Torres, relator de outra CPI, na Câmara, encerrada também em 2001, sobre o contrato da CBF com a Nike.A Agência Estado tentou em vão contato com Marco Antonio Teixeira. O presidente Ricardo Teixeira estava em Assunção, em evento da Confederação Sul-Americana de Futebol.

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