André Dusek/AE
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Ricardo Teixeira não desmente boatos de sua saída do comando da CBF. Decisão pode ser anunciada no carnaval

A mulher e a filha do dirigente já estão morando em Miami, nos Estados Unidos

Luiz Antônio Prósperi, estadão.com.br

15 de fevereiro de 2012 | 23h45

SÃO PAULO - Ricardo Teixeira não quis desmentir até a noite de quarta-feira nenhum dos boatos dos últimos dias sobre a sua eventual saída da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Teixeira, segundo fontes próximas ao dirigente, deve anunciar sua decisão no carnaval. Nesta quarta, após várias reuniões no Rio, o presidente da CBF decidiu indicar mais dois nomes para o conselho do Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014: o ex-atacante Bebeto, tetracampeão do mundo em 1994, e seu vice na CBF, José Maria Marin.

Nos bastidores da CBF a especulação é de que o presidente vai se licenciar do cargo por pelo menos dois meses, enquanto prepara terreno para sua sucessão. Não estão descartadas também a renúncia ou até mesmo sua permanência no trono.

Teixeira não revela nem mesmo a interlocutores mais próximos qual vai ser sua decisão. Eles dizem que o dirigente “está silencioso”. Ele passou boa parte do dia em sua casa no Rio, com alguns assessores.

O afastamento iminente do comando da CBF, sempre segundo fontes próximas ao presidente, não está ligado à série de denúncias por parte da Fifa contra ele. Nem mesmo por questões políticas ou judiciais. Até esta quarta não havia nenhum processo em andamento contra o presidente da CBF e nenhuma condenação judicial no País.

Seja qual for a decisão, Ricardo Teixeira vai levar em conta o bem-estar de sua família. A sua mulher e a filha de 9 anos já estão morando em Miami (EUA) há pelo menos 15 dias. Este também seria o destino do dirigente, que está no comando da CBF desde 1989. E ficaria até o fim da Copa do Mundo de 2014.

A gota d’água para Teixeira mandar a família para Miami foi o constrangimento que a filha passou na escola, no Rio de Janeiro, ao ouvir acusações de corrupção contra seu pai.

PRESSÃO POLÍTICA

Nos últimos meses, a Polícia Federal tem acompanhado os passos do presidente, sempre segundo fontes próximas a Teixeira. As relações com o governo federal também não são boas. A presidente Dilma Rousseff não gostaria que Teixeira permanecesse na presidência do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014.

A saída do COL não seria tão simples assim. Teixeira é um dos sócios do comitê e teria de desmanchar a sociedade para que fosse constituída uma nova empresa sem a sua participação. Apesar dessas implicações jurídicas, o governo federal faz forte pressão pela saída de Teixeira do COL e se manifesta satisfeito com a presença de Ronaldo Fenômeno no comitê. Até gostaria que ele ganhasse mais poder.

A nomeação de Bebeto e Marin será anunciada hoje pela CBF. Os dois novos integrantes do COL vão dividir tarefas com Ronaldo. Um dos objetivos de Teixeira, segundo pessoas ligadas ao órgão, seria acomodar Marin e afastá-lo da disputa pela sucessão no comando da CBF.

Do lado da Fifa, a eventual queda do presidente da CBF é tratada com muita euforia, em especial por Joseph Blatter, presidente da entidade.

Blatter tem travado batalha acirrada contra o dirigente brasileiro, que tinha a pretensão de dirigir a Fifa a partir de 2015 na sucessão de Blatter. Com os boatos da saída de Ricardo Teixeira da CBF, os bastidores nas principais federações estaduais entraram em ebulição.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) evita entrar no assunto. Entre os dirigentes dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro o caso é tratado com muita cautela. COLABORARAM WAGNER VILARON E ALMIR LEITE

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