Ricardo Teixeira quer que Parreira fique depois da Copa

Avesso a entrevistas, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, aceitou conversar com a Agência Estado e não fugiu das perguntas sobre a preparação da seleção para a Copa do Mundo na Alemanha, sobre a possibilidade de Vanderlei Luxemburgo ser o técnico da equipe a partir do segundo semestre e até sobre os políticos que o investigaram na CPI da CBF/Nike e do Futebol, a quem classificou de ?mentirosos?.O dirigente revelou também o seu lado centralizador, ao confessar que estabelece, sem conversar com os atletas, os valores da premiação em caso de conquista do Mundial, ainda ameaçou deixar de fora Rio de Janeiro e São Paulo das cidades-sede da Copa de 2014, que pode ser no Brasil, e prometeu a construção da sede própria da CBF até 2008.?Em 2002, o acumulado para cada atleta pelo título chegou perto de 200 mil dólares (contando com o direito de imagem a que tinham direito). Podem ficar certos: a quantia não vai ser inferior à de 2002?, disse Ricardo Teixeira.Agência Estado - Esta será a sua quinta Copa à frente da CBF. Considera ter montado a estrutura ideal para a seleção? O que há de diferente?Ricardo Teixeira - Estive com Beckenbauer (presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2006) há poucos dias e ele acha que conseguimos a melhor concentração. Vamos ficar próximos a Frankfurt, perto de tudo. A diferença é que vai ser a primeira vez que a seleção não vai se preparar no Brasil, por uma decisão técnica. Jogaremos na Europa, com cinco horas de fuso e é necessário um dia para recuperar cada hora, explicam os médicos. Então, estamos economizando teoricamente dez dias na preparação. Se trouxéssemos a seleção para cá, com as cinco horas de fuso, perderíamos cinco dias para a adaptação ao horário brasileiro. E ainda teríamos perda de mais cinco dias quando voltássemos para a Europa.AE - Como são as negociações sobre a premiação com os jogadores, em caso de título da seleção? Ricardo - A seleção já chega a uma competição com tudo definido. O Américo (Faria, supervisor) coloca no quadro os valores referentes aos jogos. Desde 1994 não existe discussão de prêmio (com os atletas). Na minha cabeça, a premiação para a Copa da Alemanha já está mais do que definida. Em 2002, o acumulado para cada atleta pelo título chegou perto de 200 mil dólares, contando com o direito de imagem a que tinham direito. Podem ficar certos: a quantia não vai ser inferior à de 2002.AE - A questão do técnico pós-Copa da Alemanha...Ricardo - (Interrompendo) Esse assunto não existe. Não passou e nem passa na minha cabeça!AE - Então, esquecemos o pós-Copa. Qual o perfil ideal para alguém que deseja ser o treinador da seleção?Ricardo - Parreira (atual técnico da seleção).AE - Sem citar nomes. Mas o perfil de comportamento?Ricardo - É o do Parreira. Vamos ser objetivos, eu tive a opção de escolher o técnico e se o escolhido foi o Parreira é porque ele tem o perfil que eu quero. Não adianta ficar cara querendo plantar técnico na seleção com notícia de jornal porque não vai conseguir.AE - Quais as características do Parreira que o senhor mais gosta?Ricardo - Todas.AE - Então já é possível afirmar que Parreira não deixará a seleção após a Copa?Ricardo - Para mim, o Parreira não sai! E ele só saiu depois da conquista de 1994 porque quis. Da mesma maneira que o Zagallo. Vai lá na contabilidade e tem um item chamado móveis e utensílios (risos) e o Zagallo está lá. Ele é nosso sempre.AE - O passado condena um futuro técnico da seleção?Ricardo - Não, acho que não. Obviamente, há alguns livros que você lê, não gosta, e coloca na estante. E alguns foram colocados na estante. No caso de outros, eu parei no meio do livro e não consegui chegar ao final.AE - Na sua estante o senhor guarda algum livro de Ingo Ostrowski (gerente de comunicação da Nike, que escreveu em parceria com o técnico Vanderlei Luxemburgo ´Profissão Campeão - Como o Santos F.C. ganhou o Campeonato Brasileiro de 2004´)?Conseguiu chegar ao final?Ricardo - (Risos) Provavelmente... (seguido de novas gargalhadas e um pedido de café).AE - O senhor tem a certeza de que a Copa do Mundo de 2014 vai ser realizada no Brasil. Rio de Janeiro e São Paulo serão as principais cidades da disputa?Ricardo - Neste ano, vamos fazer a inscrição na Fifa para a Copa de 2014. A decisão final será em maio de 2008 e só podemos perder para nós mesmos essa chance. As sedes têm de ser escolhidas para serem enviadas à Fifa. Mas esse item é protocolar. Podemos mudar depois algumas sedes. Agora, se a gente não conseguir construir ou reformar um estádio no Rio ou em São Paulo, não se pode escolher Rio e São Paulo. Temos de escolher dez cidades teoricamente para ter reservas. Hoje, certa mesma, só existe uma sede: Minas Gerais, de quem já recebi a promessa do governador Aécio Neves de que haverá estádio preparado para a Copa.AE - Mas arrecadar recursos na iniciativa privada para construir estádios em grandes centros, como Rio e São Paulo, não será um problema. O senhor já está se mobilizando neste sentido?Ricardo - Tenho conversado com vários empresários. No último final de semana me reuni com o presidente da Vale do Rio Doce, Roge (Agnelli), que se mostrou disposto a entrar neste processo de Copa do Mundo. AE - Da mesma maneira que precisa construir estádios, também é preciso construir uma sede própria para a CBF, que nunca saiu do papel...Ricardo - Já estamos escolhendo o terreno e pretendo que a nova sede esteja pronta até o anúncio do Brasil como a sede da Copa do Mundo de 2014, em maio de 2008. Vai ser aqui na Barra da Tijuca (RJ).AE - As federações estaduais de futebol acabaram de modificar o estatuto da CBF, o que permite sua perpetuação no cargo até 2014. Isso não atrapalhará seus planos em ser presidente da Fifa?Ricardo - Não sou candidato à presidência da Fifa. Apóio a reeleição de Joseph Blatter em 2007 e não existe nenhum problema entre nós. Nos últimos meses, eu estive uma vez por semana com Blatter e conversamos sobre vários assuntos. Já tínhamos abordado a questão da falta de estádios, hoje, no Brasil, para que o País seja sede do Mundial.AE - Ter sido investigado pelas CPIs da CBF/Nike, na Câmara dos Deputados, e do Futebol, no Senado, ainda é um episódio que o incomoda?Ricardo - Dos episódios das CPIs ficaram muitos ensinamentos para mim. É inacreditável a capacidade de se mentir nesse País. As coisas que eu detectei como sendo defeitos da CBF, nós corrigimos ou procuramos corrigir. Todos mentiram no processo, dos envolvidos nas CPIs à parte da imprensa. Plantava-se uma coisa nos jornais para se colher no dia seguinte. Havia muitos interesses políticos, de se empanar alguns problemas que existiam no governo federal, na época. As CPIs do futebol empanaram outras que estavam por surgir.

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