Fabio Motta/Estadão<br>
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Ricardo Teixeira recebe 'bolada' da Fifa e corta todos os vínculos

Ex-presidente da CBF embolsa quantia milionária de uma vez por cláusula que lhe dava direitos a obter aposentadoria até 2030

Jamil Chade - Correspondente, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2014 | 09h02

Num esforço para se afastar da Fifa e evitar um processo, o ex-cartola Ricardo Teixeira rompe todos os vínculos financeiros com a entidade. O ex-presidente da CBF era membro do Comitê Executivo da Fifa até 2012, o que lhe dava direitos a receber aposentadoria até o ano de 2030. Mas um acordo foi fechado e Ricardo Teixeira recebeu um pacote de benefícios em uma só parcela milionária.

"Ricardo Teixeira faz parte do passado", declarou ao Estado o chefe do Comitê de Auditoria da Fifa, Domenico Scala, que confirmou a "bolada" recebida pelo brasileiro. Ele, porém, não aceitou revelar o valor. Pelas regras da entidade, todos os cartolas têm o direito de receber a aposentadoria. Em 2013, o brasileiro teria em tese uma pensão da Fifa de cerca de R$ 60 mil, valor que entraria em sua conta até ele completar 82 anos. O dinheiro era uma retribuição aos serviços prestados ao futebol.

A Fifa reservou US$ 16,8 milhões para as pensões dos 24 membros de seu Comitê-Executivo, um "pé de meia" que eles mesmos criaram em 2005. Com o corte de todos os vínculos com a Fifa, Ricardo Teixeira tenta se afastar de qualquer processo legal na entidade. Pelo estatuto, a Fifa apenas pode julgar e punir quem mantém algum vínculo.

No caso da investigação sobre os votos dados ao Catar para receber a Copa de 2022, Teixeira faz parte do informe de 200 mil páginas. Ele foi um dos que deram seu apoio à candidatura do país árabe. Mas uma eventual punição pode ser comprometida pelo fato de ele ter se afastado da Fifa e nem mais estar recebendo aposentadoria. Isso não significa, porém, que uma ação não possa ser tomada.

Ricardo Teixeira deixou a CBF e a Fifa em março de 2012, diante dos escândalos que se acumulavam. Alguns meses depois, a instituição em Zurique chegou a tornar público documentos da Justiça da Suíça que comprovavam que Teixeira havia fraudado a entidade máxima do futebol e recebido propinas no valor de R$ 45 milhões durante anos. Além de Teixeira, o ex-presidente da entidade, João Havelange, também estava envolvido no maior escândalo de corrupção conhecido no futebol.

Mas nem a Fifa nem seu presidente, Joseph Blatter, jamais tomaram qualquer ação em relação a Teixeira e Havelange. Pela publicação dos documentos, ficou evidenciando que os dois brasileiros pagaram multa e o processo foi encerrado. 

Meses depois, Blatter justificaria o fato de jamais ter agido contra o esquema, ainda que ele tivesse sido por todos esses anos o braço direito de Havelange. "Saber o que? Que comissão eram pagas? Naquela época, tais pagamentos podiam ser deduzidos até mesmo de impostos como gastos de negócios", respondeu Blatter. "Hoje, seriam punidas pelas lei. Não se pode julgar o passado com base nos padrões de hoje", indicou. "Caso contrário, acabaria como justiça moral. Eu não poderia saber de uma ofensa que na época não era ofensa."

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