Rigidez evita penetras no Anacleto

O delegado Oswaldo Nico Gonçalves, coordenador do Garra (Polícia Civil), e auditor do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) de São Paulo, por pouco não ficou sem assistir ao jogo entre Santos e Paysandu, neste domingo à noite, no Estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul (SP). Ao apresentar a carteira de delegado de polícia no portão reservado para o acesso de profissionais da imprensa, rádio e televisão, Nico foi informado que a ordem era não permitir a entrada nem mesmo de autoridades. "Mas, além de delegado eu também sou da Federação", tentou argumentar, sem sucesso. Cinco minutos depois, Nico estava de volta à portaria e o funcionário da FPF permitiu a sua entrada, a pedido de um funcionário do Santos, Denis, encarregado da equipe de apoio.Do lado de fora, nenhum ambulante. Alguns torcedores com a camisa do Santos ficaram diante do portão principal do Anacleto Campanella, aplaudiram os jogadores quando o ônibus chegou com a delegação, às 17h e logo depois foram embora. De tempo em tempo, um veículo da Polícia Militar, com três integrantes, passava em frente ao portão. Na parte interna do estádio, o efetivo de 20 homens, comandado pelo 2.º tenente Alexandre Salomão, caminhava de um lado para outro lado, sem ter o que fazer, já que além dos funcionários de apoio e alguns dirigentes do Santos, apenas repórteres e fotógrafos circulavam diante dos vestiários.O gerente de futebol do Santos, José Eli de Miranda, o ex-volante Zito, chegou ao estádio às 16 horas e entrou, mas o seu acompanhante, o advogado Roberto Alves, que já prestou serviços ao clube, foi barrado. "Se ele não puder entrar, eu também vou embora", avisava o ex-capitão. Meia hora antes do início do jogo, Alves foi colocado para dentro do estádio, a pedido do presidente Marcelo Teixeira."Estou há 52 anos no futebol, nosso time jogou em 80% da Europa, em todos os países das três Américas e boa parte da África e Ásia e nunca vi um absurdo desses", protestava Zito, que só teve autorização para permanecer no estádio porque estava entre os oito funcionários permitidos pelo novo Regulamento Geral das Competições. "Agora só falta proibir o público de assistir aos desfiles de Carnaval, que é a segunda grande paixão do brasileiro", ironizava o ex-jogador.O Santos jogou no estádio no ABC sem a presença de torcedores para cumprir o restante da punição que sofreu no ano passado, em razão de sua torcida ter jogado objetos em campo no dia 6 de outubro, no jogo Santos 1 x 1 Corinthians, na Vila Belmiro. Os problemas começaram às 13 horas. Ao meio-dia, Cosme Damião Freitas Cid, Vagner Lotelo Ted e Paulo Roberto Fafu, integrantes da Torcida Jovem do Santos, com ajuda do assessor da diretoria do Santos, Alberto Francisco Oliveira Júnior, estenderam uma faixa de 15 metros da organizada nas arquibancadas atrás do gol dos fundos. Uma hora depois, chegou a ordem da FPF para que a faixa foi retirada. "Faixa não torce", protestou Damião. "O regulamento é omisso quanto às faixas e o pessoal da FPF disse que preferia não correr risco", explicou o funcionário.No jogo sem público, o trio de arbitragem entrou em campo sem as vaias de costume, como também pôde-se ouvir claramente a reclamação de Léo, após ser puxado por um zagueiro do Paysandu, logo no início do jogo. "Clever, foi pênalti e você não deu." No primeiro gol do jogo, Deivid ficou na dúvida e depois resolveu correr na direção dos fotógrafos e, depois, foi festejar com os integrantes do banco de reservas.

Agencia Estado,

24 de abril de 2005 | 18h54

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