Maurílio Clareto/AE
Maurílio Clareto/AE
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Rincón escolheu o Brasil e o Corinthians porque se identificava com o País e com o clube

Sua morte foi anunciada na madrugada desta quinta-feira, após sofrer acidente de carro em Cali, na Colômbia; ele tinha 55 anos e dois filhos

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2022 | 08h22

"Tranquilo!!!! Peguei no pescoço dele para pedir para ele correr um pouco mais! Tranquilo". A frase acima é inventada, mas bem que poderia ser dita por Rincón nos seus tempos de Corinthians. Ele era o capitão do time. Líder em campo e no vestiário. E de um temperamento forte, capaz de pegar no pescoço de um companheiro para pedir para ele correr mais no jogo. Sua personalidade sempre foi forte. Queria ganhar sempre. Dava sangue em campo. Nunca foi um jogador de se encostar. E assim fez história no futebol.

Escolheu o Brasil porque via no futebol brasileiro um bom caminho para sua carreira. Não usou o futebol no País como um trampolim para a Europa. Foi e voltou. Jogou em clubes como Palmeiras, Santos e Cruzeiro, mas foi no Corinthians que se deu melhor. Vestiu a camisa como um apaixonado. Atuou ao lado de Marcelinho Carioca, Ricardinho, Vampeta e Luizão. Que time! Foi capitão em meio a essas feras todas. Ergueu taças, uma delas a do Mundial da Fifa de 2000, que muitos não consideram como uma competição importante. Cobri o Real Madrid naquele torneio. E, para mim, valeu sim como um Mundial da Fifa, o que faz do Corinthians bicampeão, porque também ganhou em 2012, do Chelsea.

Rincón entendeu cedo o que era jogar pelo Corinthians, mais até do que muitos jogadores brasileiros que passaram pelo Parque São Jorge. Deixava tudo em campo. Não era de fazer corpo mole. Só por isso, já tinha a aprovação da torcida. Além disso, era técnico e forte. Fazia gols, mas sua função era impedi-los. Marcava com a mesma vontade. Se preciso fosse, não se incomodava de carregar o piano para outros brilharem. Rincón gostava do Brasil.

Antes de morrer, nesta madrugada, aos 55 anos, após acidente de carro, recebeu o carinho e as orações de muitos amigos que deixou no Brasil, entre eles os jogadores do Corinthians daquela época, dos anos 1990, e começo de 2000. Parou de jogar em 2004. Tentou a carreira de treinador, no Brasil e na Colômbia, mas não se dobrou aos mandos dos dirigentes, que, segundo ele, queriam mandar nas escalações. Rincón não tinha estômago para isso. Nem paciência.

Disputou três Copa do Mundo, num tempo em que a Colômbia encantava, mas não tinha muita competitividade para sonhar com o título. Foi de uma geração brilhante, de bons jogadores. Rincón será lembrado pelo seu legado no futebol, principalmente no Brasil. Haverá minutos de silêncio em homenagem ao jogador nas partidas desta quinta e do fim de semana. O Corinthians, que já se manifestou nas redes sociais, prepara uma despedida especial a um dos melhores jogadores de sua história. Que Rincón descanse em paz. Tranquilo!

 

Tudo o que sabemos sobre:
futebolRincónCorinthians

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.