Rincón: estou longe da minha melhor forma

Bastou uma partida para Rincón reconquistar a confiança da torcida do Corinthians. A exibição na vitória sobre o Rio Branco por 2 a 1, sábado passado no Pacaembu, trouxe aos torcedores lembranças positivas da primeira passagem do colombiano pelo Parque São Jorge. Mas o próprio jogador faz questão de dizer que está distante de sua melhor condição física. Mesmo tendo perdido sete quilos nos últimos dois meses (está com 89), acredita que ainda é cedo para fazer previsões em relação ao que poderá apresentar nos próximos jogos. "Apesar dos meus 37 anos, me sinto muito bem. Mas, para quem acredita que não decepcionei contra o Rio Branco, digo que cheguei ao máximo do que poderia. Imaginava agüentar os 90 minutos, e para mim isso foi uma vitória. No entanto, ainda falta muito." O comportamento regrado fora de campo favorece o volante, segundo Renato Lotufo, fisiologista do Corinthians. "Ele se alimenta e dorme bem. Por isso, dificilmente irá sentir dores musculares", lembra. Para o preparador físico Moracy Sant´ana, no entanto, a carga de exercícios destinada ao volante deverá diminuir de acordo com o andamento da temporada. "Até agora, está no mesmo ritmo dos outros, mas é provável que um trabalho específico para evitar que se desgaste além do necessário seja elaborado nos próximos meses." Por enquanto, Rincón prefere apostar nos dados de suas avaliações realizadas recentemente. "Pelo que sei, minhas condições aeróbias são as melhores possíveis.Mas preciso treinar muito mais. O segredo é não pensar até onde eu poderei chegar. Com essa idade, o que manda é a cabeça". A certeza de que ainda é um jogador diferenciado ficou clara em suas palavras. "Não posso relaxar nem deixar de trabalhar porque a exigência das pessoas que estão no meio do futebol em relação a mim é muito grande.Fiquei dois anos parado, mas meu ritmo foi aceitável na estréia. Ainda bem que o Corinthians venceu e consegui apresentar um futebol convincente. No entanto, a atuação da equipe como um todo deixou a desejar." Relembrar a saída do Parque São Jorge em 2000 não agrada Rincón. Na época, trocou a estabilidade que tinha no clube por um salário maior no Santos, e foi tachado de mercenário pelos corintianos. Os mesmos que voltaram a aplaudi-lo sábado passado. "Eu entendo a torcida, mas sempre tive em mente que o tempo faria com que mostrasse que não estava errado. Retornar ao Corinthians estava nos meus planos. Acredito que não perdi o respeito de ninguém aqui, principalmente por tudo o que realizei. Fiz parte do grupo que conquistou dois títulos brasileiros (1998 e 99) e o Mundial da Fifa (2000). Mas sou apenas mais um jogador. O Corinthians tem outros ídolos." O colombiano também abordou a participação ruim da Seleção Brasileira Sub-23 no Torneio Pré-Olímpico, que não conseguiu classificação para os Jogos Olímpicos de Atenas. E lamentou a falta de aplicação de alguns jogadores. "Alguns, com certeza, perderam jogadas por falta de esforço".

Agencia Estado,

26 de janeiro de 2004 | 19h47

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