Rincón: "Eu comemorei com raiva"

A última vez que Rincón teve o prazer de marcar um gol pelo Corinthians havia sido em janeiro de 2000. Ele fez o seu pênalti na disputa pelo Mundial Interclubes no Rio de Janeiro contra o Vasco da Gama. Depois de mais de quatro anos, o colombiano de 37 anos marcou hoje, aos 47 minutos do segundo tempo. E comemorou com toda a raiva. Não importa se o adversário era o fraquíssimo Paysandu. Jogou a camisa no chão e foi encarar a torcida uniformizada Gaviões da Fiel. Parecia possuído pelo demônio. Corria, pulava, xingava. Váldson correu para abraçá-lo e acabou recebendo uma cabeçada involuntária que lhe abriu um corte profundo no supercílio direito. Os médicos tiveram de dar três pontos. "Esse foi o gol que comemorei com mais raiva na minha carreira. Eu dei a cara para bater para proteger o grupo de jogadores e comprei uma briga gratuita com a torcida. Fui seguir a minha natureza de colombiano de não engolir desaforos. Mas aprendi na marra como os brasileiros agem. Não vou mais dar a cara para bater", avisava o magoado capitão do time. Rincón precisou ter muita personalidade para superar a forte pressão dos torcedores. Tudo começou quando ele criticou as ovadas que eles deram nos atletas logo após a eliminação do Campeonato Paulista. A resposta veio forte. Passou a ser xingado, ameaçado por telefone e o carro que estava foi apedrejado na saída do Pacaembu. "Eu comprei sozinho uma briga que não era minha. Se o Corinthians estava mal, a culpa não era minha. Eu reagi como se fosse. Por isso desabafei tanto na minha comemoração. Quero ter a torcida do meu lado." Rincón afirma ter redescoberto o melhor lugar para atuar. Como terceiro zagueiro, líbero à frente da zaga. "Estou me sentindo à vontade porque no Paulista tinha de reaprender a jogar como meia. Para mim é muito mais fácil vir de trás com a bola dominada. Meu futebol cresceu por isso." Haverá também uma mudança de Rincón quanto às grandes questões corintianas. Principalmente quando a palavra for contratação. O jogador percebeu que estava dando respostas que cabem à diretoria. Ele não falará inclusive se o time precisa ou não de mais jogadores para espantar o fantasma do rebaixamento. Mesmo pensando que precisa, como já havia afirmado várias vezes. Rincón teve um encontro com representantes da Gaviões quando o time estava indo para o jogo contra a Ponte Preta em Campinas. Rincón e vários jogadores conversam com os torcedores e ficou selado um acordo de paz em nome do Corinthians. A torcida deixou de cantar em coro: "Rincón, preste atenção: muito respeito com a camisa do Timão". O seu nome foi aplaudido antes do início da partida. "Entendi depois dessa conversa com os torcedores o quanto eles estavam magoados. Não suportavam mais as provocações e gozações. Então, nós como time temos de fazer o máximo para fazer o Corinthians ganhar. O resultado já apareceu com a vitória de hoje. Não tem como não ficar animado e aliviado. A confiança vai voltar no Parque São Jorge."

Agencia Estado,

25 de abril de 2004 | 19h44

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