Rincón por pouco não desiste e larga tudo

A raiva e a vibração que dominaram Rincón na comemoração do gol de domingo contra o Paysandu, no Pacaembu, são explicavéis. Ele não tirou a camisa do Corinthians e encarou a Gaviões da Fiel por acaso. O colombiano sabia ter conseguido uma vitória solitária. A última aposta em sua carreira como jogador de futebol. Resolvido financeiramente aos 37 anos, Rincón não tinha razão para continuar insistindo diante das críticas, ameaças e até apedrejamento do carro em que estava por torcedores.Ele revela o drama que estava vivendo. "O caminho mais fácil seria desistir. Mas pensei: sou capitão do Corinthians. Não vou abaixar a cabeça. Nem sair pelas portas dos fundos. Acredito em mim como jogador. Vou provar que estou certo em continuar."AE - Se você não tivesse a personalidade tão forte, teria desistido diante da pressão da torcida nas últimas semanas ?Rincón - Sim. Acho que algum jogador que não tivesse a minha vivência ou a minha confiança no meu futebol tomaria outra atitute. O caminho mais fácil seria desistir, sair do clube. Pensei em todas as possibilidades nestes dias. A pressão estava forte mesmo. Criaram uma situação entre eu e a torcida do Corinthians que me prejudicou muito. Mas pensei: sou capitão do Corinthians. Não vou abaixar a cabeça. Nem sair pelas portas dos fundos. Acredito em mim como jogador. E vou provar que estou certo em continuar.AE - Situação que criaram? Tudo começou com você criticando os torcedores que deram ovadas nos jogadores depois da eliminação do Paulista.Dei a cara de bater dizendo o que pensava e a situação se reverteu só para mim. Fiquei sozinho. Estava no aeroporto e não deram ovadas em mim. Tudo mudou quando as minhas declarações foram repetidas todos os dias, até parecer que eu era inimigo da torcida.AE - Mas você não tinha criticado os torcedores?Só os que jogaram os ovos. Nos times em que joguei nunca tive torcida contra mim. Como vou negar o apoio da torcida de forma geral corintiana? A situação foi levada para um lado errado. E eu sabia que só tinha uma maneira de corrigir: dentro de campo.AE - Vocês venceram o Paysandu e estão agindo como se tudo estivesse resolvido.Não é verdade. Precisamos curtir a alegria da vitória, já que ganhamos quando a pressão era imensa. Temos muito pela frente para corrigir. E precisamos de reforços. Um artilheiro é fundamental.AE - O clima não está tão pesado por causa da dificuldade da diretoria em dispensar os atletas que contratou e acabaram não dando certo?Prejudica. Acho horrível treinar e ver alguns companheiros de fora, isolados. Todos ficam inseguros. O grupo deve ser definido e só ficar quem deve jogar. Será melhor para o Oswaldo, para os atletas que não se adaptaram e para o grupo.AE - Depois de duas rodadas, vários clubes já estão pressionados no Brasileiro. Houve precipitação nas críticas ao Corinthians?Vamos falar a verdade. O nível do Brasileiro infelizmente é baixo. Vários clubes estão com dificuldades. Mas é mais fácil criticar o Corinthians. Aqui a repercussão é maior. Só que agora começamos a reagir. Com confiança, esse time vai surpreender muita gente que torce contra.

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