Rincón: torcida prejudica o Corinthians

Contra a torcida corintiana, seguranças e distância. Vai ser assim definitivamente a relação do clube mais popular de São Paulo com seus torcedores. O incidente revelado hoje pelo volante colombiano Freddy Rincón reforça ainda mais as razões que levaram a diretoria a tais medidas. Após o empate em 0 a 0 contra o Fortaleza, quarta-feira, pela Copa do Brasil, o carro (um Fiat Uno) onde estava, ao lado do goleiro Fábio Costa e do zagueiro Valdson, foi atingido por uma pedra arremessada por um grupo de torcedores. Rincón deu um longo depoimento repudiando a atitude, assim como havia feito no episódio em que o elenco corintiano foi recebido com ovadas no Aeroporto de Congonhas por integrantes da organizada Gaviões da Fiel, em março. De acordo com o colombiano, vários de seus companheiros de equipe estão com medo, se sentem acuados e afirmou ainda que tomará precauções para evitar novos incidentes. Alguns atletas admitem a hipótese de andar com seguranças. O volante acredita que agindo assim a torcida não só prejudica o rendimento da equipe, como pode estar servindo de obstáculo para a vinda de novos reforços. "Acredito que muitos não aceitam jogar aqui por causa disso." A Gaviões, procurada pela Agência Estado, informou por sua assessoria de imprensa não ter nenhuma ligação com a última agressão e não pode ser responsabilizada por qualquer ato cometido pela imensa torcida do clube. A situação é tensa no clube. Fábio Costa e Váldson se recusaram a falar com a imprensa. Apostam que o silêncio é o melhor remédio. Rincón em momento algum se calou. Após as ovadas, das quais ele foi poupado, declarou em alto e bom som que assim como a torcida tem o direito de reclamar dos atletas, ele se sentia apto a ir contra o que eles fizeram. Durante a partida contra o Fortaleza, pela Copa do Brasil, ouvia-se o coro das arquibancadas: "Rincón, presta atenção, muito respeito com a camisa do Timão". O colombiano só aceitou a carona de um amigo na saída do estádio do Pacaembu porque temia protestos da torcida contra o ônibus do time. A "fuga" não deu certo, acabou sendo reconhecido dentro do automóvel. "Felizmente, não aconteceu nada com a gente, apenas a perda material", disse. O jogador não esconde estar profundamente chateado: "Tenho dado a vida para melhorar (seu desempenho) e quando estava fora torcia muito pelo clube. Não é justo!" A pedrada quebrou o vidro, por sorte não atingiu os atletas, mas o reflexo deste episódio, no entanto, pode servir como estopim para a relação Corinthians e torcida. O vice-presidente de Futebol, Antônio Roque Citadini, declarou hoje que o clube continuará se esforçando para dar toda a tranqüilidade possível para jogadores e comissão técnica realizar seus trabalhos. O acesso aos treinos está barrado, os momentos de entrada e saída dos atletas nos treinamentos e nas partidas será acompanhado por seguranças particulares - vários deles hoje circulavam pelo Parque São Jorge. "A torcida não tem de ver treino. Torcedor tem de se limitar a torcer", disse Citadini. O dirigente elogiou o colombiano e disse jamais aceitar qualquer tipo de motivo para explicar qualquer ato de violência. "E, além do mais, só tenho coisas boas a comentar sobre o Rincón. Ele se dedica, é um excelente profissional e sempre ajudou muito o Corinthians", afirmou. Irônico e sem meias-palavras, bem a seu estilo, o vice de Futebol comentou que parte da imprensa tem culpa nestes incidentes. "Algumas pessoas da crônica esportiva sofrem de ´inanição intelectual´ e acabaram defendendo o direito dos torcedores de atacarem ovos nos atletas", estimulando assim, segundo ele, novas manifestações de violência. "Nem todos jornalistas são assim, é bom fazer a ressalva", finalizou Citadini.

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