Jose Miguel Gomez/Reuters
Jose Miguel Gomez/Reuters

Risco de lesões perturba jogadores às vésperas do Mundial

Atletas da seleção brasileira convivem com ameaça de se machucar e não se recuperar a tempo de disputar a competição

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2014 | 17h00

SÃO PAULO - As lesões são o principal pesadelo de qualquer jogador de futebol. Às vésperas de uma Copa do Mundo, então, o medo é ainda maior. E existem razões de sobra para isso.

Um dos candidatos a craque do Mundial, por exemplo, corre sério risco de não vir ao Brasil. O atacante colombiano Falcao García rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo após um carrinho do zagueiro Soner Ertek em uma partida da Copa da França, no início do ano. O jogador precisou ser operado e agora passa por um intensivo tratamento médico para tentar se recuperar a tempo de disputar o Mundial. Como ele mesmo já definiu, as chances de estar no Brasil são “do tamanho de uma semente de mostarda”.

Alguns nomes de destaque já sabem que ficarão fora da Copa. Estão nessa situação o inglês Theo Walcott, que também sofreu uma ruptura do ligamento cruzado do joelho esquerdo, e o costa-riquenho Bryan Oviedo, que fraturou a perna esquerda.

Na seleção brasileira, o assunto é tratado com atenção especial. O médico José Luiz Runco, inclusive, vai aproveitar o amistoso do dia 5 de março, contra a África do Sul, para passar uma série de recomendações aos atletas.

O meia Willian, do Chelsea, que ganhou pontos com Luiz Felipe Scolari nos amistosos contra Honduras e Chile, no fim do ano passado, e vive a expectativa de ser convocado para a sua primeira Copa, admite a preocupação em evitar lesões nesse período que antecede o Mundial. “É claro que antes de jogos e competições importantes todo jogador tem essa preocupação, mas o negócio é esquecer e focar no trabalho”, comentou o jogador. “Para chegar à seleção, precisamos primeiro fazer nosso trabalho no clube. Faço trabalho de fortalecimento duas ou três vezes por semana, o que ajuda a prevenir lesões.”

Willian, no entanto, faz questão de ressaltar que prevenção não significa evitar choques e divididas com os adversários. “Quando você fica com medo, é mais fácil se machucar. Se numa dividida, por exemplo, você não bota o pé firme, o risco acaba sendo maior.”

Titular absoluto da seleção por causa do ótimo desempenho na Copa das Confederações, o volante Luiz Gustavo, do Wolfsburg, reconhece que a chegada da Copa aumenta a ansiedade entre os jogadores. Para ele, no entanto, não há necessidade de um trabalho específico para evitar lesões. “A proximidade da Copa do Mundo te deixa com aquele friozinho na barriga. Mas medo de lesão, eu não penso nisso. Procuro trabalhar normalmente. Sempre fazemos trabalhos preventivos de lesão, como fortalecimento e musculação.”

Para o volante Hernanes, da Inter de Milão, o fator psicológico é fundamental. “Quando vou a campo, tenho de estar 100% fisicamente e psicologicamente. Quando você está feliz, bem fisicamente, é muito mais difícil se machucar. Acredito que quanto mais medo você tem, mais você atrai problemas.”

Destaque do Atlético-MG, o goleiro Victor está na briga para ser reserva de Julio Cesar na Copa. Nesta semana, Felipão vai convocar mais um goleiro para o amistoso com a África do Sul. Ele, Diego Cavalieri (Fluminense) e Jefferson (Botafogo) estão no páreo. Durante esse período que antecede o Mundial, Victor lembra que até a alimentação pode contribuir para os jogadores se machucarem.

“Todo atleta de alto rendimento está sujeito a lesões diariamente. Treinamos em um nível de intensidade muito alto, porque simulamos situações que depois vão acontecer nos jogos. Faço prevenção com musculação, alongamento, boa alimentação e repouso do corpo.”

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