Internacional/ Divulgação
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Risco de punição deve manter última rodada do Brasileiro dia 11

Clubes que não entrarem em campo podem ser multados ou excluídos. Só jogo de Chapecó deve ser cancelado

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2016 | 06h00

Apesar do desejo de atletas e dirigentes de alguns clubes de não atuar mais no Brasileirão em virtude da tragédia envolvendo a Chapecoense, a possibilidade de a rodada decisiva do campeonato ser realizada com menos de nove jogos é remota. Ela está marcada para o próximo domingo, dia 11, às 17h. 

O motivo é o risco pesado de punição àqueles que não mandarem time a campo, que inclui até mesmo exclusão do torneio. 

Até o momento, existe a previsão de que apenas a partida entre Chapecoense e Atlético-MG – que encaminhou ofício à CBF abrindo mão do jogo – não aconteça. Há, no entanto, um movimento para que isso se amplie para outros clubes.

O elenco do Internacional anunciou em conjunto que não gostaria de enfrentar o Fluminense no Rio. O presidente do América-MG, que duela com o Santos fora de casa, externou em uma rede social que “não tem como jogar a última rodada”, até em função do adiamento – atletas têm contrato se encerrando depois de amanhã. 

Há outros clubes com problemas. O mandatário do Figueirense, Wilfredo Brillinger, declarou à Radio Gaúcha que gostaria que os clubes se unissem para não haver rodada porque “não temos espaço para pensar em competição de futebol”. O time catarinense vai a Pernambuco enfrentar o Sport.

A questão toda é que o Regulamento Geral de Competições da CBF não prevê cancelamento de jogos, e toda partida que tiver decretado um W.O. precisa passar pelo crivo do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Se a procuradoria da corte considerar que houve justa causa para a ausência da equipe, o caso é arquivado. Caso contrário, ele vai a julgamento. 

A pena prevista vai de multa, que pode chegar a R$ 100 mil, até mesmo exclusão do campeonato, desde que o W.O. influencie em outras agremiações. É o caso de dois dos três jogos citados anteriormente – Inter e Sport brigam contra o rebaixamento. O Santos já está classificado à Libertadores, mas pode terminar o Brasileirão em segundo lugar com um triunfo sobre o América, o que representaria um incremento de R$ 3,4 milhões na premiação.

Ex-presidente da 4.ª Comissão Disciplinar do STJD, Paulo Bracks, acredita que apenas o jogo entre Chapecoense e Atlético-MG não será realizado. “Esses dois times não comparecerem tem motivo perfeitamente compreensível, mas não entendo que a falta por justa causa seja a mesma para outros”, diz. 

Ele lembra que as sanções previstas são pesadas e aponta risco até mesmo para equipes que já estejam rebaixadas à Série B do próximo ano. “No caso de um time já rebaixado, uma possível exclusão de campeonato seria o rebaixamento à Série C, senão a punição seria inócua.”

Especialista em direito desportivo, Felipe Ezabella tem opinião semelhante. E vai além. “Dirigentes ou jogadores que orientarem seus colegas a não entrar em campo também poderiam ser punidos”, considera. “Está todo mundo consternado, mas a vida tem de seguir.”

O procurador-geral do STJD, Felipe Bevilacqua, diz que todos os casos serão analisados. “Os fundamentos para o afastamento das sanções baseados na justa causa é subjetivo. A procuradoria vai adotar cautela para análise dos casos em concreto”

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