Christof Stache/ AFP; Reuters/Jason Cairnduff; Reuters/Lee Smith
Christof Stache/ AFP; Reuters/Jason Cairnduff; Reuters/Lee Smith

Rivais na Liga das Nações, Alemanha e Inglaterra carregam influência de Guardiola de olho na Copa

Treinador catalão tem histórico de comandar jogadores campeões mundiais com suas seleções e pode gerar nova leva de vencedores no Catar; alemães e ingleses se enfrentam em Munique, nesta terça-feira

Marcos Antomil, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2022 | 20h00

Pep Guardiola é indiscutivelmente um dos melhores treinadores da história do futebol mundial. Há mais de dez anos é dono de um estilo de jogo ímpar que deixou rastros positivos onde passou. No Barcelona, reimplementou o tiki taka, que marcou a seleção espanhola campeã mundial em 2010. Depois, estava no Bayern de Munique e comandava importante parcela dos campeões com a Alemanha no Brasil-2014. Por isso, a presença de comandados de Guardiola, no Manchester City, repercute na seleção inglesa, que busca a redenção na Copa do Mundo do Catar.

Nesta terça-feira, em Munique, às 15h45, Alemanha e Inglaterra duelam pela Liga das Nações da Uefa. Em momentos distintos no projeto dos seus treinadores (Hansi Flick, pelo lado germânico, e Gareth Southgate, comandando os ingleses), os dois conjuntos carregaram consigo alguma parcela do trabalho de Pep Guardiola. Entre os convocados das duas seleções para os jogos da Data Fifa de junho, dez são ou foram treinados em algum momento da carreira pelo catalão.

Na Inglaterra, Walker, Stones, Grealish, Sterling e Phil Foden trabalham com Pep Guardiola no Manchester City, time que mais cede jogadores à seleção campeã mundial em 1966. Já a Alemanha passa por uma reformulação desde a saída de Joachim Löw e a contratação de Hans-Dieter Flick. O fracasso na Copa do Mundo de 2018, quando defendia o título, ligou um sinal de alerta, que só foi desligado após a Euro de 2020. Com Flick no comando, a Alemanha não perdeu mais: são dez jogos, com oito vitórias e dois empates. Mesmo assim, alguns nomes experientes seguem entre os convocados, como Neuer e Müller, que estiveram com Guardiola no Bayern de Munique. Kimmich também fazia parte daquele elenco, enquanto Gündongan trabalha com o espanhol atualmente no City, onde Sané também foi comandado pelo treinador em temporadas passadas.

Vicente del Bosque, Luis Aragonés, Joachim Löw, Hansi Flick e Gareth Southgate não são necessariamente precursores ou seguidores da metodologia e estilo de jogo de Pep Guardiola. Cada um reserva uma maneira própria de entender o futebol e como chegar ao grande objetivo, seja ele ganhar uma Euro ou a Copa do Mundo. Mas todo selecionador (treinador de seleções) que se preze sabe que, por causa do contato rarefeito com seus jogadores, deve extrair as melhores características do atleta perante aquilo que demonstra e faz em seu clube de origem. É aí que entra o papel de Guardiola. Ele é quem tem o contato direto com esses jogadores, que por experiência transportam à seleção aquilo que aprendem diariamente.

O tiki taka não nasceu com Guardiola, mas esteve em seu apogeu no século XXI enquanto o catalão comandava o Barcelona. Esse estilo, de muitas trocas de passe, é marca da seleção espanhola e ganhou novos adeptos após o título das Euros de 2008 e 2012 e da Copa do Mundo de 2010. Justamente neste mesmo período, Guardiola era o técnico do clube catalão, que cedeu oito atletas para a Espanha no Mundial da África do Sul: Piqué, Puyol, Iniesta, David Villa, Xavi, Valdés, Busquets e Pedro.

Já a Alemanha faturou o seu tetracampeonato mundial em 2014, após chegar perto em três edições consecutivas. Naquela seleção, havia sete jogadores de Pep Guardiola no Bayern de Munique: Neuer, Schweinsteiger, Müller, Lahm, Kroos, Götze e Boateng. O sucesso chegou a uma seleção sólida, que mostrou seu potencial ao longo de todos os jogos e ficou gravada na memória esportiva pelo 7 a 1 sobre o Brasil, no Mineirão.

Apesar de não chegar ao topo da Europa mais do que duas vezes (com o Barcelona, em 2009 e 2011), Pep Guardiola carrega consigo título nacionais por onde passa e se tornou referência para o futebol. Mentor intelectual de um modelo de jogo de posse de bola, o catalão é a fonte de sabedoria para o mundo dos treinadores e influencia seus jogadores taticamente a cumprir papéis ofensivos e defensivos relacionados ao seu modelo.

Mesmo não contando numericamente com tantos jogadores do Manchester City, como a Alemanha tinha em 2014 do Bayern, e a Espanha, em 2010 do Barcelona, Gareth Southgate pode se aproveitar do histórico de Guardiola para levar a seleção inglesa ao fim do jejum de títulos no Catar. O recente tropeço diante da Hungria não parece suficiente para tirar os ingleses da lista de favoritos. O mesmo acontece com a desacreditada Alemanha. Resta descobrir até que ponto os conceitos de Guardiola podem influenciar as seleções em conquistas mundiais em 2022.

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