Rivais não torcem pelo Brasiliense

Tricolores, palmeirenses e santistas não cumpriram a promessa de se juntarem à torcida do Brasiliense no Morumbi. Se foram ao estádio, preferiram não se expor. Nas cadeiras inferiores vermelhas, reservadas aos brasilienses, só estavam os passageiros dos 20 ônibus que deixaram o Distrito Federal às 10h30 desta quarta-feira, com destino a São Paulo. E quase todos vestiam amarelo. Um dos poucos infiltrados na torcida era o corintiano Fabiano José dos Santos Dias, de 24 anos, irmão do artilheiro do time adversário, Wellington Dias. "Não sou só eu. Ele também torce para o Corinthians e sonha vestir a camisa corintiana um dia. Mas hoje, não vai dar. Tenho que torcer pelo sucesso do meu irmão. Acho que ele vai fazer o gol da vitória do Brasiliense", disse Fabiano, quando Carlos Eugênio Simon tomava as últimas providências para autorizar o início do jogo. O ex-senador Luís Estevão usou de sua influência para que os torcedores do seu time tivessem um forte esquema de segurança na chegada ao Morumbi. Carros da Rocam e batedores abriram caminho para os 20 ônibus que às 18h30 já estavam em frente ao estádio. O desembarque dos torcedores, no estacionamento da imprensa, também teve forte proteção policial. "Foi uma viagem tranqüila e só paramos num posto da Via Anhanguera para almoçar", conta Fabiano. "Os torcedores receberam o ingresso de graça e o Brasiliense ainda pagou os ônibus e deu R$ 20,00 para cada um almoçar." O jogo desta quarta-feira à noite foi o segundo do Corinthians que o irmão do artilheiro do Brasiliense assistiu. "O primeiro foi no Serra Dourada, contra o Goiás, no Brasileiro do ano passado. Entrei com uma credencial da Rádio Pousada e assisti ao jogo de dentro do campo. O Corinthians ganhou. Moro em Caldas Novas com a minha família e aproveitei que o Brasiliense estava pagando tudo para ver o meu irmão jogando contra o nosso time." O ônibus com o time do Brasiliense chegou ao Morumbi às 20h15. Pericles Chamusca foi o primeiro a desembarcar, procurando demonstrar naturalidade mesmo diante da agitação incomum para ele do saguão do estádio. "Tudo o que tínhamos que fazer em termos de preparação já foi feito e vou procurar usar pouco a garganta durante a partida. Vamos provar que os resultados dos quatro últimos jogos não foram acidentes", confiava o técnico, lembrando que o início de semana foi positivo para ele. "As convocações de Dida, Vampeta e Júnior, que foram meus jogadores no Vitória, me alegraram muito." O diretor de Futebol do Brasiliense, Ernesto Guedes, foi conversar com os torcedores do seu time pouco antes de o jogo começar e repetia que depois de ter derrubado fortes adversários no Maracanã e no Mineirão, nesta quarta-feira voltaria a brilhar no terceiro estádio cujo nome começa com a letra "m". "Só a presença de dois mil torcedores do Brasiliense no Morumbi já é uma demonstração de força do nosso time", exagerava o cartola. Wellington Dias, um dos poucos jogadores do Brasiliense reconhecidos quando a delegação chegou ao Morumbi, prometia desmontar o esquema tático de Parreira. "Sabemos como o Corinthians joga e temos como evitar o gol deles e chegar à vitória."

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