Abedin Terkenareh/EFE
Abedin Terkenareh/EFE

Rival do Brasil, Bélgica mistura conceitos de diversos países europeus

Futebol multinacional desafia a seleção brasileira nas quartas de final do Mundial

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 05h00

Na Copa de 2010, o técnico Roberto Martínez foi para a África do Sul acompanhar a seleção chilena que era dirigida por Marcelo Bielsa, um treinador genial, mas com poucos títulos de expressão. O espanhol ficou encantado. Tentou implementar algumas ideias no modesto Wigan, conquistou um título da Copa da Inglaterra, mas acabou rebaixado no Campeonato Inglês. Foi criticado por adotar um esquema muito ofensivo, quase suicida. Oito anos depois, o treinador ampliou seu leque de inspirações e reúne suas raízes espanholas, a experiência na Inglaterra e um auxiliar francês para organizar a geração mais talentosa da história da Bélgica. Mas ainda falta muito: a exemplo dos tempos do Wigan, a defesa é seu ponto fraco e levou gol até da Tunísia.

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A seleção belga sintetiza a maneira como o europeu joga futebol hoje em dia. A equipe transformou uma mistura dos principais conceitos que estão em moda nas principais ligas europeias, como Inglaterra e Espanha, em sua própria identidade e seu jeito de jogar. A seleção rival do Brasil é belga, mas o futebol é multinacional.

A rapidez do toque de bola e jogo acelerado são vistos com maior frequência no futebol inglês (volta e meia, os comentaristas de tevê usam o torneio como referência até para o futebol brasileiro). Objetividade e verticalidade. O apreço pela posse de bola e pela jogada trabalhada podem ser traços dos franceses e dos espanhóis. Em alguns casos, existe até exagero – na partida em que foi eliminada, a Espanha bateu o recorde de mil passes numa partida. Por fim, a intensidade e a eletricidade também são próprias da Espanha, especialmente dos times de Madrid. Obviamente, são estereótipos e simplificações.

O lateral-direito Felipe Mattioni, que disputa a Série B pelo Juventude (RS), conhece bem o estilo de Roberto Martínez, que foi seu treinador no Everton em 2015 e 2016. “É um futebol agressivo. Exige muito fisicamente, cobra marcação por pressão. Por ter nas mãos muitos talentos e jogadores maduros, a Bélgica vem mostrando que é um grande time”, opina o brasileiro.

O time divide com o Uruguai o privilégio de ter 100% de aproveitamento na Copa. É o melhor ataque do torneio. Já soma 12 gols – média de três por partida. O treinador promete manter essa filosofia diante do Brasil no jogo de sexta-feira, que vale vaga nas semifinais. “Não podemos mudar o que somos, e somos uma equipe ofensiva. Tanto o Brasil quanto nós temos a característica de marcar gols e buscar a vitória”, disse. A Bélgica tem 12 gols na Copa.

“A seleção brasileira vai buscar a bola, mas a diferença será o que cada um vai fazer com ela. Para enfrentar o Brasil, precisamos atacar e defender com os 11 jogadores”, avaliou o treinador.

 

FALHAS

Ele sabe que seu time não é essa maravilha toda. Um favorito à Copa não pode levar gols da Tunísia ainda na fase de grupos, principalmente na manjada bola aérea. Diante do Japão, as falhas na defesa ficaram mais evidentes. O time demorava na recomposição defensiva, tinha problemas de posicionamento e, consequentemente, cedia espaços generosos. Os volantes saem para o jogo como se fossem meias, mas nem sempre são eficientes na marcação. Apesar das vinte e quatro finalizações a gol (oito no alvo), o time só construiu a virada explorando os pontos fracos e não necessariamente melhorando seu desempenho. Vale lembrar que os belgas cruzaram muitas bolas na área para explorar a imposição física de seus atacantes.

Esse espanhol metódico de 44 anos se destacou por times pequenos e médios da Inglaterra. Ele levou o Wigan ao título da Copa da Inglaterra em 2013, superando o Manchester City, então dirigido pelo italiano Roberto Mancini. Levou o Wigan ao primeiro título de sua história, uma Copa da Inglaterra, mas também sofreu um rebaixamento no Campeonato Inglês. Quem trabalhou com ele diz que é estudioso, detalhista e dá espaço para que os jogadores falem na preparação das partidas. Também permite que o auxiliar técnico Thierry Henry seja quase um copiloto – esse é o toque francês da equipe belga.

Martínez assumiu o comando do time em 2016 com a responsabilidade de converter talento em resultados. O antecessor, Marc Wilmots, levou a Bélgica às quartas de final do último Mundial e da Eurocopa. Como cabeças de chave pela segunda Copa seguida, os belgas – e seu treinador – querem subir de patamar no futebol mundial. E sabem que o jogo com o Brasil é a melhor escada possível. 

 

 

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