Rival quer que Blatter também seja investigado pela Fifa

Mohamed Bin Hamman, candidato à presidência da Fifa, é suspeito de corrupção.

BBC Brasil, BBC

26 de maio de 2011 | 19h36

O presidente da Confederação Asiática de Futebol, Mohamed Bin Hamman, pediu nesta quinta-feira para que a investigação da Fifa sobre acusações de corrupção contra ele também inclua o atual presidente da entidade, Joseph Blatter.

Hamman concorre com Blatter à Presidência da Fifa nas eleições de 1 de junho. Na quarta-feira, Hamman foi convocado a depor no próximo domingo em um comitê de ética da entidade sobre as alegações de corrupção.

Alegando ser inocente, ele disse em um comunicado que "já que as recentes alegações também mencionam o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, Mohamed Bin Hammam pede para que a investigação seja ampliada para incluir Blatter".

"As acusações incluem declarações segundo as quais Blatter (...) foi informado, mas não se opôs a pagamentos supostamente feitos a integrantes da Federação de Futebol do Caribe", afirmou.

Eleição

A Fifa diz que as alegações de corrupção dizem respeito a um encontro de Hamman, nascido no Catar, com 25 dirigentes da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte e do Caribe) entre os dias 10 e 11 de maio para fazer lobby por sua candidatura.

O jornal britânico Daily Telegraph diz que a cada um destes dirigentes foi oferecido US$ 40 mil (quase R$ 65 mil) para votar por Hamman.

As alegações contra Hamman foram feitas pelo americano Chuck Blazer, secretário-geral da Concacaf e membro do Comitê Executivo da Fifa.

O comitê de ética da Fifa pode decidir pelo afastamento temporário de Hamman do futebol enquanto o caso é investigado, decisão que o afastaria da disputa pela Presidência da entidade.

"Não é coincidência que estas acusações sejam feitas apenas alguns dias antes do Congresso da Fifa, no qual seu novo presidente será eleito", disse o comunicado de Hamman.

Por sua vez, em uma coluna em um blog na internet, Joseph Blatter disse que a ideia de que as alegações contra Hamman têm motivação política não tem fundamento.

"Não sinto alegria em ver homens que estiveram ao meu lado por cerca de duas décadas sofrerem humilhação pública sem terem sido condenados por qualquer coisa errada que fizeram", disse.

Além de Hamman, foram acusados o presidente da Concacaf e vice-presidente da Fifa, Jack Warner, e outros dois dirigentes da União Caribenha de futebol.

Teixeira

A investigação anunciada na quarta-feira não tem relação com a recente acusação, feita pelo ex-presidente da Associação Inglesa de futebol David Triesman, de que teria recebido pedidos de propina de quatro membros do comitê executivo da Fifa em troca de apoio para a candidatura da Inglaterra como sede da Copa do Mundo de 2018.

A Rússia foi escolhida como sede desse mundial.

Jack Warner era um dos acusados por Triesman, ao lado do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, do presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol, Nicolás Leoz, e do presidente da federação da Tailândia, Worawi Makudi.

Os quatro negam as acusações.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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