Rivaldo anuncia aposentadoria: 'vi um sonho distante se tornar realidade'

Camisa 10 da seleção brasileira no pentacampeonato vai continuar como presidente do Mogi Mirim

O Estado de S. Paulo

15 de março de 2014 | 12h34

SÃO PAULO - Por meio de nota divulgada nas redes sociais neste sábado, Rivaldo anuncia sua aposentadoria do futebol profissional. Aos 41 anos, o agora ex-jogador, com passagens por Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Barcelona e pentacampeão do mundo com a seleção brasileira, vai se dedicar exclusivamente à presidência do Mogi Mirim, cargo que ocupa desde outubro de 2008.

Camisa 10 do Brasil em duas Copas do Mundo, Rivaldo fez questão de falar de suas superações durante os 24 anos de carreira. "Construí minha carreira em cima de um milagre, saindo de Paulista, sem nenhum recurso financeiro, sem empresário, incentivos apenas familiar, desacreditado por médicos e técnicos, vi um sonho distante se tornar realidade".

Revelado pelo Santa Cruz em 1990, Rivaldo Vítor Borba Ferreira foi aparecer para o futebol atuando pelo Mogi Mirim em 1992, ao lado de Válber e Leto. Depois de brilhar no que ficou conhecido como 'Carrossel Caipira', o meia foi emprestado ao Corithians. Em 1994, foi comprado em definitivo pelo Palmeiras, onde conquistou o Campeonato Brasileiro e durante dois anos marcou época em um dos ataques mais poderosos do Brasil, que também contava com craques como Evair, Edmundo, Edílson, Djalminha e Luizão.

Depois sair do Brasil, Rivaldo teve rápida passagem pelo La Coruña antes de chegar ao Barcelona. Foi no time catalão que o brasileiro alcançou o status de craque mundial. Até deixar o Camp Nou em 2002, foram dois títulos do Campeonato Espanhol (1997/1998 e 1998/1999), uma Copa do Rei (1998) e uma Supercopa da Europa (1997), além de ser eleito o Melhor jogador do Mundo pela Fifa em 1999.

Após desavenças com o técnico holandês Louis van Gaal, o recém campeão do mundo foi atuar no Milan (2002 a 2004), mas sem muito destaque. Após isso, Rivaldo começou a rodar por diversas equipes: Cruzeiro (2004), Olympiakos (2004 a 2007), AEK Atenas (2007 a 2008), Bunyodkor-UZB (2008 a 2010), São Paulo (2011), Kabuscorp-ANG (2012) e São Caetano (2013). Nesta temporada, o meia atuou pelo Mogi Mirim por duas partidas e teve a oportunidade de dividir o gramado com seu filho, Rivaldo Júnior, durante 30 minutos.

SELEÇÃO

A vitoriosa carreira de Rivaldo pela seleção brasileira começou em dezembro de 1993, contra o México. Neste jogo, a aposta do comandante Carlos Alberto Parreira marcou o primeiro de seus 37 gols com a amarelinha. Com a camisa 10, ele foi decisivo no vice-campeonato mundial, em 1998, e no título de 2002, quando foi vice-artilheiro da Copa da Coreia do Sul e Japão, com cinco gols.

NOTA DE RIVALDO

Com lágrimas nos olhos hoje gostaria de primeiramente agradecer a Deus, minha família e a todos pelo apoio, pelo carinho que recebi durante esses 24 anos como jogador. Hoje venho comunicar a todos os torcedores do mundo que minha história como jogador chegou ao fim. Somente tenho que agradecer pela linda carreira que construí durante esses anos. Foram muitos os obstáculos, os desafios, renúncias, saudades, decepções, porém foram muito maiores as alegrias, as conquistas, crescimentos, mudanças.

Algumas vezes ensinando outras aprendendo, mas nunca perdi meu foco, sempre com dedicação, determinação e direção de Deus. Nesta longa jornada, muitas pessoas passaram pela minha vida, alguns por um período, outros amigos que permanecem até hoje. Construí minha carreira em cima de um milagre, saindo de Paulista, sem nenhum recurso financeiro, sem empresário, incentivos apenas familiar, desacreditado por médicos e técnicos, vi um sonho distante se tornar realidade. Com persistência, dedicação e principalmente com a mão de Deus, cheguei a ser reconhecido como melhor jogador do mundo, pentacampeão mundial, entre muitos outros títulos importantes na história do futebol.

Entre troféus, medalhas, premiações e títulos , em uma terra onde tudo se consome, deixo aqui uma história, talvez um exemplo, mas com certeza um testemunho de que vale a pena crer e lutar. " Todo atleta que está treinando aguenta exercícios duros porque quer receber uma coroa de folhas de louro, uma coroa que, aliás, não dura muito. Mas nós queremos receber uma coroa que dura para sempre". 1 Corintios 9:25

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