Rivaldo ataca Van Gaal e Gaspart

Comedido, calado, introvertido e sem nenhuma fama de jogador polêmico. Rivaldo foi de encontro a todos os adjetivos que melhor o descrevem para comentar sua saída do Barcelona. Nesta sexta-feira, em entrevista coletiva na cidade catalã, onde estava para se despedir dos torcedores locais, o brasileiro não poupou críticas contundentes e cheias de ironia ao presidente do clube, Joan Gaspart, e sobretudo ao treinador da equipe, Louis van Gaal. Os dois, segundo o jogador, forçaram a negociação com o Milan, da Itália, contra sua vontade. Rivaldo não resistiu e aproveitou para ?alfinetar? Van Gaal o máximo que pôde. "Ele (treinador) disse que eu era o único da equipe que não me encaixava no esquema de jogo", lembrou o meia-atacante. "Bom, agora espero que o Barcelona ganhe a Liga dos Campeões, a Liga Espanhola e a Copa da Europa, uma vez que não estou mais no time." Na realidade, atleta e técnico nunca mantiveram um relacionamento amigável. Desde a temporada 1999/2000, quando trabalharam juntos no próprio Barcelona, os dois protagonizaram momentos de discórdia e uma guerra de vaidades. "Todo mundo sabe que eu não me dou bem com ele e que ele não se dá bem comigo", afirmou Rivaldo. Para o brasileiro, o problema começou logo que chegou ao Barcelona. "Ele não pediu minha contratação quando eu estava no Deportivo (La Coruña). Se tivesse participado, a situação seria diferente." Já com relação ao presidente do clube, Rivaldo garantiu que muitas informações dadas pelo cartola não são verdadeiras. A primeira delas é com relação a um suposto pedido de prolongamento das férias. "Não, eu não pedi 15 dias a mais de férias", disse. "Se o presidente disse isso, se enganou. Sempre fui um profissional no Barcelona. Queria continuar aqui, cumprir meu contrato de seis anos e depois negociar minha permanência." O brasileiro foi além. Depois de jogar sobre as costas de Van Gaal a responsabilidade de vencer todas as competições que o clube vai disputar na próxima temporada, deixou com Gaspart a pressão por ter ficado do lado do treinador. "Setenta por cento dos torcedores queriam minha permanência. Assim como setenta por cento não queriam este técnico. Mas o presidente decidiu", lamentou o jogador. Sobre seu substituto, o argentino Riquelme (que nesta sexta-feira marcou dois gols na vitória por 4 a 2 contra o Parma, no Torneio de Amsterdã), Rivaldo foi só elogios. "É muito bom jogador. Tem muita classe e estou certo de que vai ter sucesso." Nova casa - A estréia de Rivaldo no Milan deve acontecer no dia 18, data em que a equipe italiana enfrenta a Juventus, de Turim, na disputa do Troféu Luigi Berlusconi. A partida será realizada no estádio Giuseppe Meazza. Espera-se que 80 mil torcedores assistam ao jogo.

Agencia Estado,

02 Agosto 2002 | 19h12

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