Rivaldo e Figo fazem o duelo em Madri

Ambos deram ao Barcelona momentos de genialidade nas últimas duas temporadas. Mas, desde a metade do ano passado, estão em bandas separadas. Rivaldo continua no time catalão, mas Figo mudou-se de mala e cuia para o Real Madrid. A decisão de aceitar oferta dos madrilenos não foi perdoada pelos orgulhosos torcedores do Barça, que capricharam nas ofensas ao português, quando ele participou do clássico do primeiro turno, no Estádio Camp Nou. Na época, não faltaram faixas, cartazes, vaias, xingamentos. E muitos, muitos aplausos para os dois gols dos "azulgranas" que definiram a vitória sobre o Real Madrid e sobre o novo desafeto. "Não me senti desconfortável naquele momento", relembrou Figo, após o treino da manhã de hoje, na Ciudad Deportiva, do Real. "Não será diferente agora, jogando em casa", avisou o atacante, de 27 anos, eleito em dezembro como melhor jogador do mundo do ano 2000. "Estamos acostumados a enfrentar pressão de torcedores, independentemente do local", garantiu o português, que se transformou rapidamente em um dos líderes do time, ao lado do capitão Hierro, de Raúl e de Roberto Carlos. Figo sabe que tem muita responsabilidade, especialmente neste clássico que transcende a rivalidade esportiva. Nem por isso se assusta. "Tudo é normal e na hora do jogo a concentração supera qualquer pressão", avisou, ainda com ar meio abatido por causa do difícil retorno da Ilha da Madeira. Figo fez dois gols na vitória de 3 a 0 de Portugal sobre Andorra, pelas Eliminatórias da Copa de 2002 e só pôde sair da Ilha da Madeira no final da tarde de quinta-feira, pois o aeroporto local havia sido fechado por causa do mau tempo. "Foi até bom que ele tenha ficado mais um pouco com sua seleção", emendou Jorge Valdano, ex-jogador, ex-treinador e atual diretor esportivo do Real Madrid. "Dessa forma, ficou afastado da pressão de torcedores e da imprensa nestes dias decisivos", constatou o antigo "poeta do gol", como era chamado, por suas belas jogadas e por suas preferências literárias. Rivaldo dá seu recado de Barcelona. O meia brasileiro, que antecedeu Figo como melhor do mundo - ganhou o prêmio em 99 -, reconhece o talento do ex-companheiro de time, pediu marcação especial, mas não demonstrou também nenhuma preocupação adicional por causa da partida nem em função do talento do astro agora rival. "Os jogadores que temos aqui são muito bons", elogiou, num portunhol castigado. "Figo é passado, nos esquecemos dele", garantiu. "O jogo é decisivo e pode nos recolocar na briga pelo título. "Isso já nos motiva." Mas Rivaldo tem mais razões para desejar a vitória. Em sua avaliação, sempre houve cobranças dos torcedores em torno de suas atuações e as de Figo. Com a saída do português, passou a concentrar esperanças e frustrações. "Sofro pressão e não sou nenhuma máquina", desabafou. "Jogo sempre, com frequência sirvo a seleção brasileira e às vezes fico cansado", explicou. "Nem sempre tudo sai com a gente quer. Antes as críticas eram divididas. Agora, ficam sobre mim. Por isso, sou mais criticado do que qualquer outro jogador do Barcelona", exagerou Rivaldo, que tempos atrás sugeriu sua transferência, embora na sequência tivesse voltado atrás. A pressão, amanhã, mais do que nunca vai existir. Nesse caso, é inevitável, queira ou não Rivaldo, que dorme em Madri e na manhã de domingo viaja, com Roberto Carlos, para o México, para atender a chamado do técnico Leão e participar, no meio da semana, do amistoso com a seleção mexicana.

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