JF Diorio/Estadão
Rivaldo e o filho juntos em campo pelo Paulista de 2014 JF Diorio/Estadão

Rivaldo transmite DNA da bola para o herdeiro Rivaldinho

Pai e filho fazem história marcando gols no mesmo jogo

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2015 | 17h00

Rivaldo é um pai superprotetor, daquele tipo que liga toda hora para saber onde está seu filho, o Juninho. Foi um meia talentoso, melhor do mundo e tudo, mas marca o filho como um beque de fazenda. Ainda hoje, quando o menino já tem 20 anos e namorada, o zagueiro ainda fica em cima. Na infância, Juninho não fez nada que justificasse a preocupação. Levou suas broncas, mas diz que surra, nunca. Nem palmada. Mesmo assim, Rivaldão não desgruda nem do jantar com os amigos. Essa relação trivial muda de figura quando os dois entram em campo. E ganhou uma dimensão histórica no jogo Mogi Mirim x Macaé pela Série B do Campeonato Brasileiro.

Pai e filho, jogando lado a lado, tentavam tirar o Mogi da lanterna da competição. Não era a primeira vez que atuavam juntos. Mas dessa vez conseguiram uma sintonia que nenhum beque de fazenda conseguiria parar. Coisa de DNA mesmo. Rivaldo deixou o filho livre para fazer o que ele próprio o havia ensinado desde sempre. Rivaldinho fez dois gols e sofreu o pênalti cobrado pelo pai. Placar final: 3 a 1. Tudo isso aconteceu no Estádio Romildo Vitor Gomes Ferreira, pai de Rivaldo e avô de Rivaldinho. Não, o avô não foi jogador, aí seria demais.

A história particular virou verbete da história do futebol. “Acho que entrei para a história. Já tinha ouvido falar de pai e filho jogando juntos, mas nunca ouvi de pai e filho fazendo gol em uma partida oficial”, disse o jogador de 43 anos.

Rivaldo não exagera. Já é carne de vaca pai e filho jogarem juntos. No início dos anos 2000, o finlandês Alexei Eremenko atuou ao lado de seu filho, Alexei Junior. Henrik Larsson, ex-Celtic e Barcelona, atuou com o pupilo Jordan, em 2013, pelo time sueco Högaborg. Conhecido por suas passagens por Chelsea e Barcelona, Eidur Gudjohnsen atuou ao lado de seu pai, Arnór, na Islândia. Mas os dois fazerem gol no mesmo jogo? No Brasil, é inédito em jogos oficiais. No mundo, o feito só foi repetido pelos Eremenko em 2004.

Estilos

Rivaldinho conta que seu jeito de jogar é bem diferente do pai. Ele é um atacante de área, preciso na finalização e que se inspira em Adriano e Luis Fabiano. “Também sei sair da área e armar”, completa.

Ele ainda está no início de sua linha do tempo. Depois de passar pelas categorias de base do Corinthians sem grande destaque, tornou-se profissional no próprio Mogi. Nem sempre o parentesco famoso trouxe glórias como nesta semana. “Quando eu estava no sub-20, quase desisti de jogar por causa da pressão. Diziam que eu só jogava porque era filho do Rivaldo. Foi meu pai, que estava lá no Usbequistão, que falou para eu continuar. Hoje, superei isso.”

Para o psicólogo do Esporte Rodrigo Scialfa Falcão, as comparações vão continuar. “Existe a imensa pressão nos filhos dos grandes atletas. A cobrança é para que os filhos sejam tão fora de série quanto seus pais. Para a torcida e imprensa, não basta que eles sejam modestos, sempre existirá ‘suspeitas’ de facilitação na carreira devido ao parentesco famoso”, avalia.

Rivaldo pai era o meia clássico, aquele que pensa o jogo, mas também com talento para finalizar. Defendeu Corinthians, Palmeiras, La Coruña e Barcelona, quando chegou ao auge entre 1998 e 2002. Foi o melhor do mundo em 1999 e conquistou o pentacampeonato com a seleção. Depois, Milan, Cruzeiro, futebol grego e asiático, São Paulo e São Caetano, já em viés de baixa. “Meu pai sempre fala que o atacante tem de se entrosar bem com o meia. Um depende do outro. Ele conta que bastava um olhar do Ronaldo Fenômeno para ele saber o que tinha de fazer”, conta.

O feito dos dois se tornou ainda mais importante porque dificilmente será repetido. Rivaldo pai sofre com uma sinovite no joelho direito, a popular “água no joelho”. Imagens divulgadas pelo próprio Mogi mostram Rivaldo se contorcendo em uma maca para aguentar a agulhada. “Ele está jogando na raça mesmo. É um sacrifício que faz por amar o clube”, conta o filho.

Rivaldo havia anunciado a aposentadoria em março de 2014, em um adeus discreto, bem ao seu estilo. Só tinha ido tão longe, aos 42 anos, para jogar com o filho. Mas voltou neste ano para tentar salvar a equipe do rebaixamento. Depois de acumular a função de presidente e atleta do Mogi desde 2008, o pai jogou à toalha no meio de uma grave crise financeira. Um grupo de empresários assumiu o clube. Ele continuará como consultor e atleta, até novembro. Depois, sabe-se lá.

O vínculo de Juninho termina no mês que vem, e ainda não foi definida a renovação. Mas ele está otimista. Seu telefone toca direto, mas não é só pai superprotetor. “Esse jogo teve uma grande repercussão. Meu telefone não para de tocar.”  

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Mogi Mirim deixa a lanterna com gols de Rivaldo e de seu filho

Pentacampeão balançou as redes pela 1ª vez depois de seu retorno

Estadão Conteúdo

14 de julho de 2015 | 21h53

Com grande exibição de Rivaldo, o Mogi Mirim fez a sua melhor partida no Campeonato Brasileiro da Série B nesta terça-feira, quando derrotou o Macaé pelo placar de 3 a 1, em partida realizada no estádio Romildo Ferreira, em Mogi Mirim (SP), pela 13.ª rodada. O meia, no auge dos seus 43 anos, atuou até aos quatro minutos da etapa final, por conta de um incômodo na coxa, fez o seu primeiro gol em 2015, de pênalti, e entrou para história.

Esta foi a primeira vez que pai e filho marcaram em um mesmo jogo. Rivaldo Júnior, de apenas 20 anos, também foi destaque e balançou as redes em duas oportunidades, chegando a três gols na competição. Coincidentemente, uma lesão também tirou o filho do presidente de campo no segundo tempo.

Com o resultado, o Mogi Mirim deixa momentaneamente a lanterna da Série B. O clube paulista, que não perde há três rodadas, termina a terça-feira na 18.ª colocação com 10 pontos, a dois do Luverdense, primeiro time fora da zona de rebaixamento, empurrando o Ceará para último, com sete. O Macaé, por sua vez, volta a fraquejar fora de casa. A equipe do Rio de Janeiro é a oitava com 21. Uma curiosidade marca os cariocas na competição, pois tem o melhor ataque com 23 gols, mas também é a pior defesa com 22.

O Mogi Mirim fez um primeiro tempo de gala. O técnico Sérgio Guedes resolveu arriscar, colocou três atacantes e escalou o pentacampeão do mundo Rivaldo no meio de campo. Desta forma, conquistou um resultado um tanto quanto surpreendente. Logo aos três minutos, Rivaldo Júnior abriu o marcador. Filho e pai tabelaram, Serginho recebeu do veterano e cruzou para o sucessor do craque, que mergulhou de peixinho e mandou para as redes.

Aos 15 minutos, Rivaldo anotou o seu primeiro gol após o seu retorno aos gramados, deixando de lado a aposentadoria de um ano e meio. Rivaldinho tentou o passe para pai, Dos Santos interceptou com a mão e o árbitro marcou penalidade máxima. Ratinho é o cobrador oficial do time, mas Rivaldo ouviu o grito de seu nome na arquibancada e pegou a bola. Ninguém se opôs ao ex-presidente. Na cobrança, o craque bateu com extrema categoria e fez o segundo.

"Eu não aguentei e fui para a cobrança e graças a Deus deu certo", comentou ao estilo boleirão mesmo, sem esconder a alegria por ter tido uma boa atuação ao lado do filho. Rivaldo Júnior ainda aumentou aos 41 minutos. Serginho deixou o camisa 9 na frente do gol. O atacante tirou de Rafael e saiu para o abraço.

No segundo tempo, o Mogi Mirim só segurou a vantagem conquistada na primeira etapa, perdendo em menos de 10 minutos os heróis do time, Rivaldo e Rivaldinho, machucados. O pai sentiu uma fisgada na coxa direita, enquanto que o filho caiu de mal jeito e machucou o ombro direito.

O Mogi Mirim chegou a desperdiçar uma grande oportunidade com Serginho e o Macaé anotou o seu gol de honra aos 34 minutos. Pipico chutou em cima do zagueiro Paulão e o árbitro viu pênalti. Na cobrança, o próprio atacante diminuiu. O jogador chegou a balançar as redes minutos depois, mas estava em posição irregular e a arbitragem marcou impedimento, deixando o time carioca sem reação.

Na próxima rodada, a 14.ª, o Macaé enfrenta o Paraná na próxima terça-feira, às 19h30, no estádio Cláudio Moacyr, em Macaé (RJ). Já o Mogi Mirim visita o Ceará apenas no próximo dia 25, um sábado, às 21 horas, na Arena Castelão, em Fortaleza.

FICHA TÉCNICA

MOGI MIRIM 3 x 1 MACAÉ

MOGI MIRIM - Daniel; Edson Ratinho, Renato Camilo, Paulão e Luan; Magal, Léo Bartholo e Rivaldo (Henrique Motta); Geovane (Gustavo), Serginho e Rivaldo Júnior (Matheus Ortigoza). Técnico: Sérgio Guedes.

MACAÉ - Rafael; Max, Brinner, Douglas e Diego Corrêa; Dos Santos (Alisson), Juninho, Eberson (Bruno Santos) e Fernando Santos (Giovani); Pipico e Anselmo. Técnico: Marcelo Cabo.

GOLS - Rivaldo Júnior, aos 2 e aos 41, e Rivaldo (pênalti), aos 17 minutos do primeiro tempo; Pipico (pênalti), aos 34 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Daniel, Magal e Henrique Motta (Mogi Mirim); Dos Santos (Macaé).

ÁRBITRO - Everton Gomes da Silva (GO).

RENDA E PÚBLICO - Não disponíveis.

LOCAL - Estádio Romildo Ferreira, em Mogi Mirim (SP).

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Rivaldo confirma renúncia e grupo BIG assume o Mogi Mirim

Pentacampeão continuará no clube como jogador e consultor

Estadão Conteúdo

16 de julho de 2015 | 15h21

Rivaldo deixou a presidência do Mogi Mirim. Após brilhar em campo na companhia do filho Rivaldo Júnior, o campeão mundial pelo Brasil em 2002 confirmou sua renúncia ao cargo de presidente do clube, após assembleia extraordinária do conselho deliberativo. Assumem o Mogi os empresários Luiz Henrique Oliveira e Victor Manuel Simões, do grupo BIG.

Além de Rivaldo, que tem contrato como jogador até o final do ano, deixam o clube os outros membros da diretoria, entre eles, sua esposa, que era vice-presidente, e seu filho Rivaldinho, que estava no conselho deliberativo.

A reunião também serviu para empossar Luiz Henrique Oliveira como novo presidente do Mogi. Victor Manuel Simões será o vice. Eles serão apresentados na próxima semana, quando explicarão os planos para o clube paulista na sequência da temporada e nos próximos anos.

Rivaldo seguirá no clube como consultor e jogador. Após assumir em 2008 a gestão do clube, ele quitou as dívidas que a família Barros havia deixado, em torno de 1,8 milhão e, agora, terá que receber cerca de 10 milhões, que investiu de dinheiro próprio. Colocou o clube na Série B, além de garantir uma semifinal paulista em 2013.

Por outro lado, foi criticado por elevar o preço dos ingressos, afastando parte da torcida do estádio. O valor real da transação não foi revelada, mas Rivaldo pedia R$ 20 milhões para confirmar a saída do clube.

NOVOS EMPRESÁRIOS

Luiz Henrique Oliveira, que já vinha atuando como parceiro de Rivaldo, no ano passado comandou o Duque de Caxias-RJ. O time fluminense, porém, acabou sendo rebaixado para Série D. Como diretor-executivo do grupo luso-brasileiro BIG, Oliveira lidera um grupo de empresários que assumiu o controle do clube em negociação com Rivaldo.

Além do trabalho realizado no Duque de Caxias, Luiz Henrique Oliveira é conhecido no futebol pela confusão feita com o lateral Yago Pikachu, do Paysandu. Ele é um dos empresários que possui os direitos do atleta, reivindicado por mais dois ou três procuradores.

Após a vitória histórica sobre o Macaé, por 3 a 1, com um gol de pênalti de Rivaldo e dois do filho Rivaldo Júnior, o Mogi Mirim só vai atuar pela 14ª rodada no dia 25, contra o Ceará, em Fortaleza, às 21 horas.

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