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Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos estão na briga pelo título  Montagem/Estadão

Rivalidade acirrada entre os grandes dá o tom do Paulistão 2015

Sem o mesmo charme de décadas passadas e com o mesmo regulamento da última temporada, a edição de 2015 do Campeonato Paulista começa neste sábado. Em campo, 20 equipes divididas em quatro grupos, que disputarão 15 rodadas para definir os classificados – os times jogam contra adversários de outros grupos. Os dois melhores de cada chave avançam às quartas de final. Mas, diferente de outras temporadas, o Paulistão começa com um ingrediente que pode alavancar o torneio: a rivalidade entre os grandes clubes, impulsionada pela disputa por contratações e na briga por patrocinadores. 

Glauco de Pierri e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2015 | 07h00

Nos últimos anos, o Paulistão serviu mais para uma extensão da pré-temporada dos quatro gigantes do Estado. Em muitos jogos do torneio, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos colocaram garotos em campo, poupando titulares para jogos considerados mais importantes, principalmente para as equipes que estão na Copa Libertadores – nesta temporada, São Paulo e Corinthians disputarão o torneio continental. 

Nesse ano, a Federação Paulista de Futebol (FPF) tentou evitar esse procedimento limitando a 28 jogadores o número de inscritos por cada clube, fato que gerou desconforto principalmente no São Paulo.

Se por um lado a federação “engrossou” com as equipes, por outro abriu um pouco mais o bolso. Neste ano, campeão paulista vai embolsar R$ 3 milhões – R$ 500 mil a mais do que o Ituano recebeu por levantar a taça no ano passado. O prêmio ao vice será de R$ 1 milhão, ante os R$ 600 mil que o Santos faturou em 2014. Terceiro e quarto colocados ganharão R$ 300 mil; entre o quinto e o oitavo lugares levarão R$ 200 mil; e ainda R$ 100 mil para os times que terminarem entre a 9.ª e a 16.ª posição, uma novidade. 

A FPF estipulou em R$ 40 o preço mínimo por ingresso, mas alguns clubes optaram por diminuir o valor e arcar com a diferença. Outros preferem ganhar mais dinheiro, como o Osasco Audax, que levou o jogo de estreia contra o Palmeiras para o Allianz Parque, estádio do adversário. 

O torneio será exibido pela TV Globo, dona dos direitos de transmissão. A Band, com uma sublicença, também vai mostrar alguns jogos. O SporTV e o Premiere FC farão as transmissões em canais por assinatura – todos os jogos serão transmitidos pelo sistema pay-per-view. 

Assim como no ano passado, as quartas de final e semifinais serão disputadas em jogo único, com mando de campo da equipe de melhor campanha – empate leva o jogo para os pênaltis. As finais serão disputadas em dois jogos, com mando da federação e em caso de empate mais uma vez as penalidades definirão o vencedor.

O mês de janeiro agitou a janela de transferências e reascendeu a rivalidade entre os grandes clubes. O Palmeiras foi o que mais contratou e entre os novos jogadores está o atacante Dudu, que era disputado por São Paulo e Corinthians. Além disso, o time trouxe reforços como o volante Arouca, o lateral-esquerdo Zé Roberto e o meia Alan Patrick.

Além de Dudu, o Palmeiras tirou das mãos do São Paulo um ótimo contrato de patrocínio com a Crefisa, de R$ 23 milhões por ano. Foi mais um motivo para farpas entre os presidentes Paulo Nobre e Carlos Miguel Aidar, que discutem desde a conturbada contratação do atacante Alan Kardec feita pelo Tricolor na temporada passada. 

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Quatro grandes têm estratégias diferentes para levantar a taça

Os quatro clubes grandes têm estratégias diferentes para buscar o Campeonato Paulista. Enquanto o Palmeiras fez 17 contratações, entre elas, o volante Arouca, negociado nesta quinta-feira, Corinthians e São Paulo apostavam no entrosamento e manutenção do elenco. Para o Santos, o momento é de reconstrução. </p>

Daniel Batista, Fernando Faro, Gonçalo Junior e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2015 | 07h00

OTIMISMO VERDE

O Palmeiras vive um início de ano totalmente diferente do que aconteceu nas últimas temporadas. Há tempos, a expectativa por bons resultados e pela volta dos títulos não é tão grande. A equipe espera aproveitar a grande reformulação e o fato de os rivais São Paulo e Corinthians estarem focados na Libertadores para mostrar força e conquistar um torneio que não vence desde 2008. 

Antes de a bola rolar, tudo parece no caminho certo para o time se dar bem. O clube tem melhorado consideravelmente sob o ponto de vista financeiro e o elenco passou por uma grande transformação, na qual 22 atletas que terminaram 2014 no clube foram embora. Por outro lado, chegaram 17 reforços, além dos atletas que retornam de empréstimo.

CORINTHIANS DE OLHO NA PRÉ-LIBERTADORES.

O desempenho e a motivação do Corinthians no Campeonato Paulista dependem exclusivamente do que vai acontecer com a equipe na pré-Libertadores, diante do Once Caldas. Se o vexame de 2011 se repetir, o Alvinegro vai com força total no Estadual. Somente o título seria capaz de minimizar os efeitos de uma eliminação precoce na Libertadores. Caso o time confirme o favoritismo diante dos colombianos e avance para a fase de grupos, o Paulistão ficará em segundo plano porque dificilmente os jogadores terão fôlego para disputar as duas competições no mesmo nível.

A volta do treinador, inclusive, é um dos trunfos do Corinthians para buscar o 27º título e disparar ainda mais na liderança como maior campeão do Estado. Tite recebe um time que foi reformulado por Mano Menezes na temporada passada. Em comparação com 2013, quando ele deixou o clube após a vitoriosa passagem, saíram peças importantes, mas chegaram atletas que se firmaram na equipe. E mais: com um orçamento bem mais enxuto. Tite tem crédito de sobra com a Fiel. Isso, no entanto, não significa que não será cobrado. Por “culpa” dele, o corintiano ficou mais exigente nos últimos anos.

SÃO PAULO CONTRA O JEJUM

O São Paulo, entre os grandes, é aquele que amarga o maior jejum no Estadual. A última vez que levantou o título foi em 2005, ano em que também faturou a Libertadores e o Mundial. Desde então, a vida do Tricolor tem sido assistir aos rivais, sobretudo Corinthians e Santos, revezarem-se nas conquistas. O Tricolor chega perto, mas não consegue emplacar. 

“Sabemos que temos o elenco grande, haverá substituições e precisamos estar focados nas duas frentes. Quando vier o Paulistão, o foco é o Paulistão; vale o mesmo quando for a disputa da Libertadores, precisamos pensar só nessa competição quando formos jogar”, resumiu o reforço Thiago Mendes.

MOMENTO DE RECONSTRUÇÃO

Do outro lado da balança, chegaram sete reforços, com destaque para Ricardo Oliveira e Elano. O técnico Enderson Moreira quer um time versátil e dinâmico, com jogadores capazes de exercer mais de uma função. O seu grande desafio, no entanto, é encontrar um substituto para Arouca. “Um momento de crise também abre novas oportunidades. Nós podemos surpreender no Campeonato Paulista”, diz. 

Com as contratações, o Santos conseguiu reeditar o quarteto de 2003, com Robinho, Renato, Ricardo Oliveira e Elano. O clube vai apostar na experiência como contraponto para a juventude do zagueiro Gustavo Henrique e do lateral Caju. 

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Principal objetivo do atual campeão é permanecer na elite

Jogadores do Ituano acham difícil buscar um novo título e miram a continuidade na Série A e, se possível, uma vaga na Série D

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2015 | 07h00

Os principais objetivos do Ituano, atual campeão paulista, passam longe da luta pelo bicampeonato. A primeira meta é se manter na elite paulista, ou seja, o time vai brigar para não cair. Depois, o objetivo é conquistar uma vaga na Série D, ou seja, ficar entre os dois primeiros depois dos clubes com vagas nas Séries A, B e C. 

“O que aconteceu aqui no ano passado dificilmente será repetido por qualquer equipe do interior. A realidade é essa. A realidade do Ituano não é a de brigar pelo título paulista”, afirma o técnico Tarcísio Pugliese, que substituiu Doriva, comandante do título no ano passado.“O projeto que nos foi colocado é a permanência e a vaga na Série D. O que vier a partir daí é consequência”, diz o zagueiro Leonardo. 

O elenco tem 12 jogadores da campanha vitoriosa do ano passado. Deles, quatro titulares (o capitão Josa, o lateral Dick, o meia Jackson Caucaia e o goleiro Diego). Além disso, foram contratados 11 reforços. A equipe manteve a marcação forte, o futebol coletivo e a ausência de grandes craques. O time se destaca pela força do conjunto. 

Embora os objetivos dentro de campo sejam modestos, o clube cresceu com o título. O presidente Ricardo Giordani afirma que o Ituano conseguiu um aumento no valor dos patrocínios e também houve um acréscimo na venda dos produtos licenciados. Além disso, o prêmio pelo título (R$ 2,5 milhões) custeou quase seis meses de salários – a folha gira em torno de R$ 400 mil. Há cinco anos, o clube mantém o patrocinador, mesmo período em que mantém os salários em dia. “Tivemos grande visibilidade, pois o título foi uma das maiores conquistas da cidade”, avalia. 

O atual campeão fará a estreia contra o Santos, domingo, reeditando a final do ano passado. “Os times grandes têm outra realidade, mas vamos lutar”, diz o treinador.

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